Nem mesmo a antiga memória RAM DDR2 de 2003 conseguiu se safar da crise de componentes, visto que o preço dessas peças subiu para até 60% no segundo trimestre deste ano. Dados da firma de análise TrendForce apontam que muitas empresas começaram a remodelar seus produtos para protocolos de memórias mais antigas. Fabricantes que deixaram o mercado também contribuíram com os aumentos.
Segundo o levantamento, o preço nos contratos de memórias DDR2 subiram entre 55% e 60% nos últimos três meses. A expectativa para o próximo trimestre é de mais aumentos, dessa vez com algo em torno de 35% a 40% de reajuste. O cenário, embora assustador, sequer chega a ser surpreendente.
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Um dos motivos para essa alta está na fuga da crise. Já que os preços de memórias DDR4 e DDR5 estão caros demais, as companhias passaram a redesenhar seus produtos para serem compatíveis com memórias antigas, como o DDR2 e até DDR3. Isso fez com que a procura por essas tecnologias aumentasse, e consequentemente o valor.
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Somado a isso, fabricantes que ainda produziam essas memórias, como a taiwanesa Winbond, resolveram se afastar desse mercado para focar na produção de chips mais modernos e lucrativos. Com o aumento da demanda e diminuição na oferta de produtos, o DDR2 voltou a ficar caro, mesmo após anos de sua aposentadoria.
Como DDR2 voltou das cinzas?
Para entender como a situação chegou nesse patamar, é importante compreender que a crise de componentes de 2026 sofre um efeito em cadeia. Primeiro, em 2025, o mercado entendeu que deveria focar na produção de memórias HBM de uso profissional para data centers de inteligência artificial.
Conforme o HBM se tornou cada vez mais rentável para gigantes do segmento como Samsung, SK Hynix e Micron, elas começaram a direcionar seus negócios para esse ramo. Isso fez com que a produção do DDR5 fosse afetada e também utilizada em certos servidores. Com o DDR5 atingido, a demanda do público precisou recorrer ao DDR4.
Ainda muito utilizado por milhões de consumidores e empresas, as fabricantes entenderam que também seria preciso abrir mão do DDR4 para focar em DDR5 e principalmente, no HBM. Já que o DDR4 foi prejudicado de forma massiva, as companhias resolveram voltar para o velho DDR3, também aposentado.
Novamente, o DDR3 começou a ser atingido por cortes na produção e a solução atual foi adaptar produtos que antes funcionavam somente no DDR3 para o DDR2. E agora a situação do DDR2 fica bem mais complicada, visto que os preços estão subindo e logo logo a oferta deve ficar escassa.
A parte mais positiva dessa história é que a taiwanesa ESMT deve aumentar a fabricação de memórias DDR2 com sua parceira, a PSMC. Juntas, elas podem aliviar a lacuna deixada pelo Winbond, mas é muito difícil prever se os resultados serão inteiramente positivos para o mercado.
Por falar no mundo das memórias, a indústria já lucrou mais de R$ 500 bilhões com esses componentes somente no primeiro trimestre de 2026. Siga o TecMundo no X, Instagram, Facebook e YouTube e assine a nossa newsletter para receber as principais notícias e análises diretamente no seu e-mail.
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