Logo TecMundo
The BRIEF

VBB: o framework para virar uma empresa AI-native

Opinião do colunista - Evite a armadilha de organizar dados primeiro. Comece pelo Blower (entrega de valor), definindo o insight final para depois buscar apenas os dados necessários.

Avatar do(a) autor(a): Harold Schultz

schedule25/05/2026, às 18:30

updateAtualizado em 25/05/2026, às 18:43

Tenho conversado com vários executivos globais nos últimos meses. E uma dor se repete em quase todas as conversas.

“Preciso organizar meus dados antes de usar IA.”

smart_display

Nossos vídeos em destaque

A lógica parece sólida. Para IA ler, entender e gerar valor, você precisa de uma base limpa e estruturada. Certo?

Errado. Ou melhor: certo na teoria, fatal na prática.

Esse é o erro que eu chamo de armadilha do Data-First.

A toca do coelho da Alice

Quando você começa um projeto de IA pela organização dos dados, você entra na toca do coelho da Alice. E de lá não sai mais.

Por dois motivos.

Primeiro: os sistemas legados não querem soltar seus dados. Os grandes ERPs das marcas tradicionais não foram construídos pra serem AI-native. Foram construídos pra te prender. Extrair dado deles é caro, lento e carrega um liability pesado.

Segundo: dados nunca param de existir. Sua empresa gera dados o dia inteiro. Você organiza a base de janeiro e, quando termina, já tem fevereiro, março e abril empilhados. O trabalho de organização não tem linha de chegada.

Você pode passar dois anos organizando dados e não entregar UM real de valor pro negócio.

Não é burrice de ninguém. A armadilha do Data-First parece o caminho responsável. Por isso tanta gente boa cai nela.

VBB: Vacuum, Brain, Blower

Deixa eu te propor outro caminho. Eu chamo de VBB.

Todo projeto de IA tem três peças:

  • Vacuum — o aspirador, que suga a informação das fontes;
  • Brain — o cérebro, a IA que manipula esses dados;
  • Blower — o assoprador, que joga o insight pra fora, na ponta do negócio.

A maioria das empresas começa pelo V. Pelo aspirador. “Vamos primeiro sugar e organizar todos os dados.”

E aí cai na toca do coelho.

Comece pelo fim

Minha proposta é começar pelo último B. O Blower.

Comece pela necessidade do negócio lá na ponta. Pergunte: que insight eu preciso entregar?

Depois faça o caminho inverso.

Exemplo real. Digamos que a necessidade seja entender a precificação do meu negócio.

Eu não preciso organizar o data lake inteiro pra isso. Volto um passo: que IA resolve esse problema? O Claude, integrado a ferramentas de cálculo em Python e a web scraping, faz esse exercício hoje.

Volto mais um passo: quais fontes alimentam essa análise? Só aquelas. Dentro e fora da empresa. Ataco só a base que importa pra aquele insight.

Resultado: você gera valor em semanas, não em anos. E não fica preso integrando fonte que talvez nunca use.

Lembre do VBB. Mas comece de trás pra frente.

Duas coisas que mudaram o jogo

Tem dois pontos que tornam o VBB ainda mais potente em 2026.

O primeiro: com Agentes de IA e tools, as ferramentas de LLM parecem cada vez menos “LLM”. Elas calculam, buscam, executam. Precisam de muito menos dado pré-organizado pra entregar resultado. O cérebro virou maestro de ferramentas, não só processador de texto.

O segundo: o MCP — o protocolo que conecta IA a sistemas externos — virou tradutor de dados na prática. Em vez de extrair e reorganizar tudo, você conecta direto na fonte. Tenho tido muito sucesso com o MCP do Supabase: a IA conversa com o banco direto, sem você montar um pipeline gigante antes.

Isso enterra de vez a desculpa do “preciso organizar tudo primeiro”.

A pergunta provocativa

Se você consegue entregar o primeiro insight de valor em semanas começando pelo Blower…

Por que você ainda está vendendo pra sua diretoria um projeto de “organização de dados” que vai levar dois anos e queimar orçamento antes de entregar a primeira resposta?

star

Continue por aqui