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The BRIEF

“IA exige novo modelo operacional e pode elevar salários”, afirma especialista em IA

A IA troca tarefas mecânicas por orquestração estratégica, permitindo empresas enxutas e salários maiores para quem domina a tecnologia.

Avatar do(a) autor(a): Rafael Farinaccio

schedule13/05/2026, às 13:45

Uma das primeiras palestras a acontecer no São Paulo Innovation Week 2026 não poderia ser outra: “O Estado da Inteligência Artificial em 2026”. E para tratar de um assunto tão importante e tão presente no nosso dia a dia, mesmo que sendo algo bastante recente no nosso cotidiano, ouvimos Rafael Siqueira, líder da McKinsey Technology para a América Latina e especialista na aplicação de Inteligência Artificial em negócios.

Siqueira falou sobre a atuação da IA na realidade das empresas e destacou que o verdadeiro impacto da tecnologia no Brasil não virá apenas da adoção de plataformas, mas de uma mudança profunda no modelo operacional das empresas.

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Segundo o palestrante, a IA está forçando uma reinvenção de processos. Para as empresas, o foco deve ser a produtividade; para os profissionais, a chave é a transição de executores de tarefas repetitivas para orquestradores de inteligência, focando no aspecto mais “criativo” e gerencial da função.

Um dos pontos centrais da palestra foi o impacto da IA no ecossistema de pequenas e médias empresas (PMEs). Rafael Siqueira apontou que a tecnologia permite às grandes corporações alcançarem mercados que antes eram inviáveis devido à necessidade de escala humana. “Muitos dos serviços que a gente poderia prestar e que precisavam de seres humanos para esse 'long tail' de PMEs podem, hoje, ser executados por agentes e assistentes de voz”, explicou.

Essa automação cria uma via de mão dupla: grandes empresas ganham escala, enquanto pequenos negócios passam a ter acesso a ferramentas de gestão e atendimento antes restritas a gigantes do mercado.

Do medo da substituição ao upgrade financeiro


Em conversa com o The BRIEF/TecMundo, quando questionado sobre o “fantasma do desemprego”, Siqueira foi categórico: a IA não tira o emprego por si só, mas quem sabe usá-la certamente terá vantagem sobre quem a ignora.

Ele defende que, em vez de uma redução de custos baseada em demissões, o cenário mais provável é uma valorização salarial para quem se qualificar. “Você vai se tornar muito mais um orquestrador. É uma oportunidade maior até de dar um salto salarial”, afirmou o palestrante, classificando o movimento como um upgrade profissional.

Segundo o especialista, a IA vai causar o fim das tarefas repetitivas, pois a IA absorve o trabalho mecânico. Além disso, como já mencionado, há uma alteração significativa no papel de gestor — o profissional passa a atuar muito mais em observação e estratégia.

O futuro das organizações enxutas

Outra tendência discutida foi o surgimento de empresas altamente eficientes com quadros reduzidos. No Vale do Silício, já se observa o fenômeno de companhias com centenas de funcionários competindo de igual para igual com gigantes que possuem dezenas de milhares de colaboradores.

Embora o conceito de “empresa de uma pessoa só” (one-man company) ainda pareça distante de uma escala global, Siqueira acredita que grupos pequenos (de 4 a 5 pessoas) que saibam orquestrar a IA serão os grandes protagonistas dos próximos anos, redefinindo o que significa ter uma empresa competitiva no mercado atual.

O TecMundo está no São Paulo Innovation Week! O SPIW 2026 começa nesta quarta-feira (13), na capital paulista, reunindo líderes de grandes companhias brasileiras e globais, empresas e startups. Centros de pesquisa, investidores e governos também estarão presentes, participando de debates em tecnologia, ciência, educação, saúde, finanças e muitas outras áreas. Para todos os detalhes acesse o site oficial do evento.

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