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The BRIEF

PMEs e a disputa pela principalidade: quem vai liderar o jogo?

As PMEs deixaram de ser coadjuvantes no sistema financeiro e estão no centro da disputa pela chamada principalidade.

Avatar do(a) autor(a): Felippe Galeb

schedule30/09/2025, às 18:45

updateAtualizado em 02/03/2026, às 08:22

Você ainda carrega a visão de que pequenas e médias empresas no Brasil são desassistidas quando o assunto é acesso a produtos financeiros? Talvez seja hora de rever esse olhar. Um cliente me disse recentemente: “Poucos anos atrás, conseguir um cartão de crédito para minha empresa era difícil. Hoje tenho dez na carteira.” Essa frase resume bem o momento de transição que estamos vivendo.

As PMEs deixaram de ser coadjuvantes no sistema financeiro. Estão no centro da disputa pela chamada principalidade: qual será a instituição financeira primária desse segmento. Segundo estudo da McKinsey, as PMEs já representam 16% das receitas bancárias no país e devem chegar a 21% até 2028. É um bolo bilionário que todos querem abocanhar.

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Não faltam competidores. De um lado, os bancos tradicionais correm para reposicionar seus pacotes PJ, apoiados em marca, capital e distribuição. De outro, fintechs nascidas para servir PMEs jogam com plataformas mais tecnológicas e ágeis. E surge ainda um terceiro grupo, cada vez mais influente: empresas de software e marketplaces, que estão integrando serviços financeiros em suas plataformas. Não por acaso, 22% das PMEs já consideram fintechs ou marketplaces como sua principal instituição financeira.

Esse movimento não é teórico. Só nos últimos meses, fintechs de gestão financeira como Asaas e Kamino captaram juntas quase R$ 90 milhões em rodadas para expandir produtos e investir em inteligência artificial aplicada ao backoffice das PMEs. A Olist, por exemplo, acaba de adquirir a fintech de crédito Flip para ampliar sua oferta. Essa injeção de capital mostra a confiança dos investidores no potencial do segmento e em teses de embedded finance.

É nesse ponto que as empresas de software se destacam. Quem controla o workflow da PME, das vendas e do estoque às contas a pagar e a receber, tem um conhecimento profundo da operação, a ponto de saber o momento exato em que as necessidades surgem. Isso permite oferecer crédito, antecipação ou conta digital no lugar certo e na hora certa, com muito mais assertividade.

Pense em uma PME recebendo uma oferta de crédito justamente quando o fluxo de caixa está desbalanceado; ou emitindo um boleto que já se reconcilia automaticamente com o extrato e as contas a receber; ou ainda antecipando recebíveis no instante em que emite a nota fiscal. Esses exemplos mostram o poder do modelo. É uma virada de chave para a competitividade das PMEs.

E os benefícios não ficam só para o cliente. Para as próprias empresas de software, o potencial de monetização é enorme: a receita por usuário pode ser mais de cinco vezes maior do que no modelo de licenciamento tradicional.

O movimento faz tanto sentido que bancos e fintechs também estão percorrendo o caminho inverso, adicionando softwares de gestão às suas ofertas. No fim, quem segue no jogo não é quem tem mais capital, tecnologia ou dados isoladamente. É quem consegue dominar a jornada do cliente, transformar dados em inteligência e oferecer soluções financeiras embutidas com velocidade e escala.

Perguntas Frequentes

O que significa "principalidade" no contexto das PMEs?
"Principalidade" refere-se à disputa entre instituições financeiras para se tornarem a principal fornecedora de serviços financeiros para pequenas e médias empresas (PMEs). Isso envolve ser a primeira escolha das PMEs para produtos financeiros, como contas bancárias, cartões de crédito e empréstimos.
Por que as PMEs estão no centro da disputa financeira atualmente?
As PMEs estão no centro da disputa financeira porque representam uma parcela crescente das receitas bancárias no Brasil, passando de 16% atualmente para uma projeção de 21% até 2028. Esse crescimento atrai tanto bancos tradicionais quanto fintechs e empresas de software, que veem um grande potencial de mercado nesse segmento.
Quais são os principais competidores na disputa pela principalidade das PMEs?
Os principais competidores são os bancos tradicionais, que estão reposicionando seus pacotes para empresas, as fintechs, que oferecem plataformas tecnológicas e ágeis, e as empresas de software e marketplaces, que integram serviços financeiros em suas plataformas.
Como as fintechs estão se destacando no mercado de PMEs?
As fintechs estão se destacando ao captar investimentos significativos para expandir seus produtos e investir em inteligência artificial aplicada ao backoffice das PMEs. Elas oferecem soluções financeiras integradas e ágeis, que atraem cada vez mais PMEs como clientes principais.
Qual é o papel das empresas de software na oferta de serviços financeiros para PMEs?
As empresas de software desempenham um papel crucial ao integrar serviços financeiros em suas plataformas, aproveitando seu conhecimento profundo das operações das PMEs. Elas conseguem identificar o momento exato em que as necessidades financeiras surgem, oferecendo soluções personalizadas e oportunas.
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