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The BRIEF

Lançamento do Pix parcelado é adiado após roubos e ataques hackers

Nova função seria disponibilizada oficialmente em setembro, mas estratégia de reforço em segurança faz instituição mudar planos.

Avatar do(a) autor(a): Nilton Cesar Monastier Kleina

schedule29/09/2025, às 13:00

updateAtualizado em 29/09/2025, às 14:32

Uma das novas funções planejadas para o sistema de pagamentos instantâneos Pix vai demorar mais do que o esperado para chegar. O Banco Central do Brasil deve oficializar nos próximos dias o adiamento no lançamento do Pix parcelado no país.

De acordo com o jornal O Globo, o recurso deve levar "ao menos mais três meses para sair do papel". Originalmente, a expectativa era de que o Pix parcelado fosse liberado no mês de setembro, com algumas instituições financeiras até mesmo já oferecendo o formato antes da regulamentação oficial a alguns clientes.

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O motivo do adiamento é a mudança de prioridades na equipe que cuida do Pix. Agora, ela está focada em fechar eventuais brechas, reduzir vulnerabilidades e aumentar critérios de segurança que evitem roubos e desvios como os registrados nos últimos meses.

Ainda segundo a reportagem, o desenvolvimento do novo recurso está em fase final, mas ainda falta um "equilíbrio entre as novas regras e os modelos de parcelamento no Pix" oferecidos pelos próprios bancos. Já a Folha de São Paulo cita que o desenvolvimento do produto “acabou se mostrando mais complexo do que o antecipado” por questões como riscos de endividamento pela facilidade na obtenção de crédito. 

A regulamentação do formato deve ser disponibilizada agora apenas em outubro, com uma margem de mais alguns meses até a implementação dos padrões. O Banco Central ainda não se manifestou oficialmente sobre o adiamento, mas o comunicado deve ser feito ainda nesta semana.

O Pix parcelado é uma forma de transferência em que uma pessoa paga um valor integral a um destinatário de modo fragmentado, a partir de parcelas mensais — o uso mais recorrente dele deve ser justamente no varejo, no lugar de compras em várias vezes no cartão de crédito. A diferença no formato envolve o acesso ao valor completo de forma instantânea e única pelo recebedor.

Os roubos milionários usando Pix

Nos últimos 90 dias, foram registrados três crimes financeiros que se utilizaram do Pix como forma de realizar os desvios ou como alvo, a partir de instituições intermediárias ou que fornecem tecnologias para o formato.

  • Em julho, uma parceira do Banco Central chamada C&M teve até R$ 1 bilhão desviados. O ataque foi planejado durante meses usando serviços como o Telegram e envolveu um funcionário da própria empresa, que forneceu modos de acesso ao sistema para facilitar a invasão;
  • No início de setembro, a Monbank teve mais de R$ 4,9 milhões desviados a partir de um ataque voltado para o Sistema de Transferência de Reservas (STR) da empresa;
  • Dias depois, a companhia Sinqia, que ajuda bancos a se conectarem com o formato de pagamento, registrou um roubo de mais de R$ 710 milhões enviados via Pix para os criminosos;

Na última semana, o Banco Central alterou algumas normas do regulamento do Pix e alterou o Manual de Penalidades para reforçar a segurança na platforma, além de impor novos limites de transferências únicas.

Você sabe por que os Estados Unidos não gostam do Pix e consideram o formato de transferências algo ruim para o mercado? Entenda neste artigo alguns dos motivos!

Perguntas Frequentes

O que é o Pix parcelado e como ele funciona?
O Pix parcelado é uma nova funcionalidade do sistema de pagamentos instantâneos Pix, que permite ao pagador dividir um valor em parcelas mensais, enquanto o recebedor recebe o valor total de forma imediata. A principal aplicação esperada é no varejo, como alternativa às compras parceladas no cartão de crédito.
Por que o lançamento do Pix parcelado foi adiado?
O lançamento foi adiado devido à mudança de prioridades da equipe responsável pelo Pix, que agora está focada em reforçar a segurança do sistema. A decisão foi motivada por recentes casos de roubos e ataques hackers que exploraram vulnerabilidades no ecossistema do Pix.
Quando o Pix parcelado deve ser lançado oficialmente?
Inicialmente previsto para setembro, o lançamento do Pix parcelado foi adiado em pelo menos três meses. A regulamentação da modalidade deve ser disponibilizada em outubro, com a implementação dos padrões ocorrendo posteriormente.
Quais foram os principais ataques hackers relacionados ao Pix nos últimos meses?
Três grandes ataques foram registrados: em julho, a empresa C&M teve até R$ 1 bilhão desviados com ajuda de um funcionário interno; no início de setembro, a Monbank sofreu um desvio de R$ 4,9 milhões; e dias depois, a Sinqia registrou um roubo de mais de R$ 710 milhões, todos utilizando o Pix como meio de transferência.
Quais medidas o Banco Central tomou após os ataques?
O Banco Central atualizou normas do regulamento do Pix, modificou o Manual de Penalidades e impôs novos limites para transferências únicas, com o objetivo de reforçar a segurança da plataforma e reduzir vulnerabilidades.
Por que o desenvolvimento do Pix parcelado foi considerado mais complexo do que o esperado?
Segundo a Folha de São Paulo, o desenvolvimento se mostrou mais complexo devido a riscos como o endividamento dos usuários, já que a facilidade de acesso ao crédito pode levar a um uso irresponsável da nova modalidade.
Alguns bancos já oferecem o Pix parcelado antes da regulamentação?
Sim. Algumas instituições financeiras já disponibilizam o Pix parcelado para determinados clientes, mesmo antes da regulamentação oficial do Banco Central, o que exige um alinhamento entre as regras futuras e os modelos já em uso.
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