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Exportações da China para os EUA devem recuar em US$ 488 bilhões até 2027

A queda nas exportações de produtos chineses para o mercado americano tem relação com o tarifaço de Trump, aumentando as taxas para o país asiático.

Avatar do(a) autor(a): André Luiz Dias Gonçalves

schedule03/08/2025, às 16:00

updateAtualizado em 04/08/2025, às 10:03

As exportações da China para os Estados Unidos podem reduzir em cerca de US$ 488 bilhões (R$ 2,71 trilhões pela cotação atual) até 2027 se não houver um acordo entre os países em relação às tarifas impostas por Donald Trump. A previsão foi feita esta semana pelo novo simulador de cenário tarifário do Observatório da Complexidade Econômica (OEC).

Para essa previsão, a plataforma considerou a tarifa de 34% imposta ao gigante asiático pelo governo americano no início de abril, mais as tarifas que existiam anteriormente. Desde então, a Casa Branca já chegou a aumentar a taxa para 245%, embora tenha suspendido a medida por 90 dias, prazo que está perto de vencer.

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Os negócios entre China e EUA podem despencar nos próximos dois anos por causa do tarifaço de Trump. (Imagem: Getty Images)

Quais setores serão os mais impactados?

De acordo com o novo simulador da OEC, a queda nas exportações da China para os EUA, em caso de ausência de acordo comercial entre as duas potências, pode afetar diversos segmentos. O cenário previsto também leva em conta a aplicação das tarifas mais altas reveladas por Trump.

  • O setor de computadores deve ser um dos mais afetados, segundo os cálculos da plataforma, com uma redução de dezenas de bilhões de dólares nos próximos dois anos;
  • Equipamentos elétricos e de radiodifusão, brinquedos e roupas também devem sofrer um forte impacto, conforme a ferramenta;
  • Por outro lado, os bens que podem deixar de ser enviados aos EUA não permanecerão no mercado chinês, tendo outros países como destino;
  • O simulador prevê aumento nas exportações da China para o Sudeste Asiático, principalmente, caso o acordo com a Casa Branca não aconteça;
  • Em menor escala, toda a Europa seria beneficiada, especialmente países como Itália, Holanda e França.

A simulação sugere, ainda, crescimento dos negócios com a Índia e o Vietnã, que receberiam US$ 40 bilhões (R$ 222 bilhões) e US$ 38 bilhões (R$ 211 bilhões) a mais em produtos da China, respectivamente, nos próximos dois anos. Já a Rússia teria a possibilidade de aumentar a importação de itens chineses em US$ 33,1 bilhões (R$ 183 bilhões).

A ferramenta também prevê que a China diminuirá a compra de produtos originados dos EUA, com uma queda estimada em US$ 101 bilhões (R$ 560 bilhões) no mesmo período. Os principais setores afetados seriam soja, circuitos integrados, petróleo bruto, gás de petróleo e automóveis.

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O setor de computadores deve ser um dos mais afetados pela guerra comercial entre as duas potências. (Imagem: Getty Images)

Washington e Pequim seguem negociando

Desde o início do tarifaço de Trump, EUA e China se encontraram três vezes para tentar um acordo sobre as tarifas. A reunião mais recente aconteceu na última segunda-feira (28) em Estocolmo (Suécia), enquanto as anteriores foram em Genebra (Suíça) e Londres (Inglaterra).

Dias antes do último encontro, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent disse em entrevista que as conversas entre os dois países têm sido boas, apesar de o acordo ainda não ter acontecido. Na ocasião, o representante da Casa Branca revelou a possibilidade de extensão da suspensão das tarifas, que vence no dia 12 de agosto.

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Perguntas Frequentes

Por que as exportações da China para os EUA podem cair até 2027?
A previsão de queda de até US$ 488 bilhões nas exportações chinesas para os EUA até 2027 está relacionada às tarifas impostas pelo governo de Donald Trump. Caso não haja um acordo entre os dois países, essas tarifas continuarão impactando negativamente o comércio bilateral.
O que é o "tarifaço de Trump" e como ele afeta a China?
O "tarifaço de Trump" refere-se ao aumento significativo das tarifas sobre produtos chineses importados pelos EUA. Inicialmente, a tarifa foi de 34%, mas chegou a ser elevada para 245%, embora essa medida tenha sido suspensa temporariamente por 90 dias. Essas tarifas tornam os produtos chineses mais caros e menos competitivos no mercado americano.
Quais setores chineses serão mais impactados pela queda nas exportações para os EUA?
Os setores mais afetados incluem computadores, equipamentos elétricos e de radiodifusão, brinquedos e roupas. O setor de computadores, em especial, deve registrar uma redução de dezenas de bilhões de dólares nas exportações nos próximos dois anos.
Para onde a China pode redirecionar seus produtos caso o acordo com os EUA não aconteça?
Segundo o simulador do Observatório da Complexidade Econômica (OEC), os produtos que deixarem de ser exportados para os EUA poderão ser redirecionados principalmente para o Sudeste Asiático. Também há previsão de aumento nas exportações para países como Índia, Vietnã, Rússia e, em menor escala, para países europeus como Itália, Holanda e França.
Como os EUA também serão afetados pela guerra comercial com a China?
Além da queda nas exportações chinesas, a China deve reduzir suas importações de produtos americanos em cerca de US$ 101 bilhões até 2027. Os setores mais afetados nos EUA incluem soja, circuitos integrados, petróleo bruto, gás de petróleo e automóveis.
O que é o simulador do Observatório da Complexidade Econômica (OEC)?
É uma ferramenta que permite simular cenários tarifários e seus impactos no comércio internacional. No caso analisado, o simulador considerou as tarifas impostas pelos EUA à China e projetou os efeitos econômicos caso não haja um acordo entre os países.
Há negociações em andamento entre EUA e China para resolver a questão das tarifas?
Sim. Desde o início do tarifaço, os dois países já se reuniram três vezes — em Genebra, Londres e, mais recentemente, em Estocolmo. Segundo o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, as conversas têm sido positivas, e há possibilidade de prorrogação da suspensão temporária das tarifas, que vence em 12 de agosto.
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