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The BRIEF

O browser da OpenAI e o fim da Internet como a conhecemos [Coluna]

A promessa do navegador é uma experiência fluida sem sair da interface conversacional.

Avatar do(a) autor(a): Sergio Maria - Colunista

schedule17/07/2025, às 20:00

updateAtualizado em 18/03/2026, às 08:56

TL;DR: O novo browser da OpenAI não é só uma inovação técnica. É um ataque frontal ao modelo de troca de valor da internet. Vai além do zero clique e torna paywall irrelevante, negociações inócuas e “pay per crawl” obsoleto. Quando a IA é o destino final, não há tráfego a distribuir. Nem valor a retornar.

A Batalha disfarçada de conveniência

Nas próximas semanas a OpenAI deve lançar seu browser nativo com IA. A promessa, uma experiência fluida sem sair da interface conversacional. A realidade, captura definitiva do tráfego.

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O que parece um avanço na usabilidade é, na verdade, uma mudança de poder. Dados do Press Gazette mostram que buscas com zero clique no Google saltaram de 56% (maio/24) para 69% (maio/25). A OpenAI não quer apenas participar desse jogo, quer reescrever as regras. E, ao optar por um browser próprio, em vez de depender de terceiros, sinaliza sua intenção de controlar todo o ciclo, da consulta ao dado.

A nova desintermediação

Com 500 milhões de usuários semanais, o ChatGPT está prestes a se tornar a homepage do mundo. Ironicamente, o browser da OpenAI será construído sobre o Chromium, usando a base open-source do Google para desafiar o próprio Chrome.

Enquanto isso, soluções como o “pay per crawl” do Cloudflare tentam reequilibrar a balança, permitindo que publishers cobrem pelo acesso de bots. A lógica econômica se inverte. Se o valor antes fluía para quem publicava, agora é retido por quem interpreta.

Estamos testemunhando um movimento simultaneamente brilhante e assustador. Brilhante porque redefine a experiência de navegação de uma forma que nenhuma empresa conseguiu desde a navegação por browsers. Assustador porque representa o controle definitivo sobre o meio de troca de informações. E quem controla o meio, define o jogo. É a materialização de um novo ciclo de Kondratiev, onde a tecnologia da IA não apenas substitui infraestruturas anteriores, mas captura inteiramente o valor gerado por elas.

Não é disputa por tráfego. É redefinição de realidade

Consultas sobre notícias no ChatGPT cresceram 212% desde janeiro de 2024. No Google, caíram 5%. A OpenAI integrou seu agente web Operator diretamente na navegação, permitindo que o browser atue em nome do usuário, preencha formulários, reserve jantares e compre passagens; sem sair da interface.

Conteúdos premium se tornam apenas combustível para sistemas que entregam respostas, mas não tráfego. Valor sem visita.

O novo pacto Faustiano da informação

Quanto melhor o conteúdo, maior sua utilidade para treinar a IA e menor a necessidade de visitar a fonte original. Publishers como Reuters e WSJ aparecem com frequência nas respostas do ChatGPT, mas esse tráfego indireto é ínfimo frente ao que se perde.

A OpenAI está construindo um novo oligopólio, em que a informação não é buscada. É mediada, sintetizada e entregue por agentes conversacionais.

Guerra por talentos ou pelo controle da infraestrutura?

A OpenAI contratou dois ex-VPs do Google Chrome e já sinalizou interesse em adquirir o próprio navegador se a Alphabet for obrigada a vendê-lo. A Meta responde contratando o brasileiro Mat Velloso, ex-DeepMind, para liderar sua aposta em superinteligência. Os salários ultrapassam US$ 100 milhões. A disputa não é por tecnologia. É por quem define os meios de troca da nova era.

E os publishers?

O modelo da Cloudflare ainda presume um mundo de bots e visitas. O browser da OpenAI opera em um mundo onde essas categorias deixam de existir.

Para os publishers da América Latina, o risco é maior. Sem presença institucional forte nem acesso a negociações bilaterais com big techs, a desintermediação será silenciosa e total.

The 42* question

Se a próxima disrupção no meio de troca já começou, por que ainda estamos tentando resolver a anterior?

*"42 é a resposta. Mas, creio que o problema, para ser bem honesto, é que você nunca soube qual era a pergunta", Brian Adams.

Perguntas Frequentes

O que é o novo browser da OpenAI?
O novo browser da OpenAI é uma inovação que promete uma experiência de navegação fluida sem sair da interface conversacional. Ele representa uma mudança significativa no modelo de troca de valor da internet, indo além do conceito de zero clique e tornando paywalls e negociações tradicionais obsoletas.
Como o browser da OpenAI impacta o modelo de negócios da internet?
O browser da OpenAI desafia o modelo de negócios tradicional da internet ao capturar o tráfego de forma definitiva. Com a IA como destino final, não há tráfego a ser distribuído nem valor a ser retornado aos publicadores, alterando a lógica econômica onde o valor é retido por quem interpreta os dados.
Qual é a estratégia da OpenAI ao lançar seu próprio browser?
A estratégia da OpenAI ao lançar seu próprio browser é controlar todo o ciclo de navegação, desde a consulta até o dado. Ao construir o browser sobre o Chromium, a OpenAI utiliza a base open-source do Google para desafiar o próprio Chrome, sinalizando sua intenção de reescrever as regras do jogo.
O que significa a desintermediação promovida pelo browser da OpenAI?
A desintermediação promovida pelo browser da OpenAI significa que a empresa está eliminando intermediários no processo de navegação e troca de informações. Isso redefine a experiência de navegação e representa um controle definitivo sobre o meio de troca de informações, alterando quem detém o poder no ecossistema digital.
Qual é o impacto do browser da OpenAI sobre soluções como o "pay per crawl"?
Soluções como o "pay per crawl" do Cloudflare, que permitem que publicadores cobrem pelo acesso de bots, são impactadas pelo browser da OpenAI, pois a lógica econômica se inverte. O valor que antes fluía para quem publicava agora é retido por quem interpreta, tornando essas soluções menos eficazes.
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