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The BRIEF

EUA abrem investigação comercial contra o Brasil por Pix e até a Rua 25 de Março; entenda

Para além das tarifas, Trump acusa governo brasileiro de prejudicar os EUA em áreas como economia, energia e direitos autorais

Avatar do(a) autor(a): Redação TecMundo

schedule16/07/2025, às 11:04

updateAtualizado em 18/07/2025, às 11:52

O Brasil virou alvo de uma investigação por supostas irregularidades comerciais cometidas contra os Estados Unidos. Quem abriu a ação foi o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), uma agência ligada ao governo do país, a mando direto do presidente Donald Trump.

A ação busca averiguar se "ações, políticas e práticas" do Brasil relacionadas a temas que incluem comércio digital, sistemas de pagamentos e até a privacidade dos usuários prejudicam "empresas, trabalhadores, agricultores e inovadores tecnológicos" dos EUA. Algumas atividades feitas no país foram consideradas potencialmente "desleais".

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Caso o Brasil seja considerado culpado por prejudicar a relação comercial entre os dois países, Trump pode até aumentar as tarifas de importação para produtos nacionais enviados aos EUA. Por enquanto, elas estão em 50% e começam a valer a partir de agosto de 2025.

O que diz o relatório dos EUA contra o Brasil

O relatório inicial feito pelo USTR não traz provas concretas que embasem as denúncias, apesar de ser uma atividade legítima de acordo com a Seção 301 de uma legislação comercial estabelecida em 1974. Além disso, algumas questões esbarram em questões de soberania, já que envolvem a Constituição Nacional e emendas, como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), e não a lei norte-americana.

Parte do conteúdo da carta repete algumas das falas da carta de Trump que instituiu a tarifa atual — inclusive a informação inverídica de que os EUA estariam em déficit comercial na relação com o Brasil e a reclamação sobre a atuação da Justiça contra redes sociais norte-americanas.

O texto inclui até algumas acusações controversas contra serviços e comércios bastante utilizados pela população. Veja a seguir quais serviços brasileiros foram considerados potencialmente ilegais.

  • Internet e Pix: o Brasil é acusado de "comprometer a competitividade de empresas dos EUA" por ações como responsabilizar plataformas digitais pela publicação de conteúdos em seus ambientes. Além disso, o país teria "práticas injustas" em serviços de pagamento eletrônicos ao dar vantagens a "serviços desenvolvidos pelo governo", que seria o Pix;
  • Pirataria: o relatório aponta que o Brasil falha na proteção de propriedade intelectual ao "negar proteção adequada e efetiva" contra "importação, distribuição, venda e uso de bens falsificados, consoles modificados, dispositivos ilícitos de streaming e outros aparelhos". A Rua 25 de Março, em São Paulo, é citada como local que "há décadas continua um dos maiores mercados para bens piratas apesar de operações policiais na área";
  • Tratamento de dados: outro problema estaria nas "restrições exageradamente largas" do Brasil sobre a transferência de dados pessoais da população para fora do país, incluindo para os EUA, que "podem não ser adequados" para "práticas comerciais de rotina";
  • Etanol: o governo brasileiro teria "recuado" da promoção de tratamento recíproco ao etanol dos EUA ao adicionar tarifas altas para as exportações do país
  • Tarifas: o documento diz que o Brasil impõe tarifas "reduzidas e vantajosas" a determinados parceiros comerciais estratégicos que não são os próprios EUA;
  • Políticas internas: o país estaria devendo em aspectos como combate à corrupção, atividades de falta de transparência e contra o desmatamento ilegal;

A investigação continuará ao longo dos próximos meses, incluindo uma audiência pública a ser realizada em setembro. O governo brasileiro ainda não se manifestou sobre o caso, mas já negocia diretamente com os EUA em relação às tarifas com o apoio de empresários. O vice-presidente do Brasil, Geraldo Alckmin, que é ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), também participa diretamente das conversas.

Quer saber em detalhes como funcionam os golpes Pix e outros meios de pagamento? Confira essa conversa do TecMundo entre especialistas em cibersegurança!

Perguntas Frequentes

Por que os EUA abriram uma investigação comercial contra o Brasil?
A investigação foi iniciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), a mando do ex-presidente Donald Trump, para apurar se ações, políticas e práticas brasileiras em áreas como comércio digital, sistemas de pagamento e privacidade de dados estariam prejudicando empresas, trabalhadores e inovadores dos EUA.
O que é a Seção 301 mencionada na investigação?
A Seção 301 é uma legislação comercial dos EUA criada em 1974 que permite ao governo investigar e responder a práticas comerciais de outros países consideradas desleais ou discriminatórias. A investigação contra o Brasil está sendo conduzida com base nessa legislação.
Quais são as principais acusações feitas pelos EUA contra o Brasil?
As acusações incluem favorecimento ao Pix em detrimento de serviços estrangeiros, responsabilização de plataformas digitais por conteúdos publicados, falhas na proteção de propriedade intelectual (como pirataria na Rua 25 de Março), restrições à transferência internacional de dados pessoais, tarifas elevadas sobre o etanol dos EUA, tratamento tarifário preferencial a outros países e falta de ações efetivas contra corrupção e desmatamento ilegal.
Por que o Pix foi citado na investigação?
O Pix, sistema de pagamentos instantâneos desenvolvido pelo Banco Central do Brasil, foi apontado como uma prática potencialmente injusta por supostamente dar vantagens a um serviço estatal em detrimento de concorrentes estrangeiros, o que poderia comprometer a competitividade de empresas dos EUA.
O que a Rua 25 de Março tem a ver com a investigação?
A Rua 25 de Março, em São Paulo, foi citada no relatório como um dos maiores mercados de produtos piratas do Brasil. O documento alega que, apesar de operações policiais, o local continua sendo um centro de venda de bens falsificados, o que indicaria falhas na proteção da propriedade intelectual.
Quais podem ser as consequências para o Brasil se for considerado culpado?
Se o Brasil for considerado culpado de prejudicar a relação comercial com os EUA, o governo norte-americano poderá impor sanções adicionais, como o aumento das tarifas de importação sobre produtos brasileiros. Atualmente, essas tarifas estão em 50% e devem entrar em vigor em agosto de 2025.
O que o relatório diz sobre a transferência de dados pessoais?
O relatório critica as "restrições exageradamente largas" do Brasil quanto à transferência de dados pessoais para fora do país, especialmente para os EUA. Essas limitações, segundo os EUA, poderiam dificultar práticas comerciais rotineiras de empresas americanas.
O governo brasileiro já respondeu às acusações?
Até o momento, o governo brasileiro não se manifestou oficialmente sobre o conteúdo da investigação, mas já iniciou negociações com os EUA sobre as tarifas, com participação direta do vice-presidente Geraldo Alckmin, que também é ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
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