Você pode até relutar em um primeiro momento, mas é fato que os equipamentos eletrônicos estão tomando conta do nosso dia a dia.

Computadores, notebooks, tablets, smartphones, televisões e video games são apenas alguns exemplos dos dispositivos com os quais é bem possível que você tenha contato ao longo da sua rotina diária.

Embora alguns deles não sejam essenciais para a nossa sobrevivência, as empresas não poupam investimentos para que seus setores de marketing criem necessidades em nosso cotidiano e nos “induzam” a comprar cada vez mais e novos aparelhos.

E os relatórios das companhias de pesquisa de mercado mostram que isso tem dado certo. Assim como tem acontecido nos últimos anos, a expectativa é que o consumo de eletrônicos continue crescendo, mesmo com a presença de uma persistente crise econômica mundial.

Vamos às compras? (Fonte da imagem: Reprodução/Shutterstock)

Nesse cenário, o Brasil está muito bem e mostra ser um mercado promissor e que tem chamado a atenção das grandes corporações de tecnologia. Neste artigo, vamos revelar algumas curiosidades sobre a atual situação do nosso país no consumo de gadgets e do panorama geral desse nicho.

Atual situação do mercado

No início deste ano, a Accenture, multinacional de consultoria de gestão, divulgou um levantamento no qual o Brasil aparece como o segundo maior consumidor de equipamentos eletrônicos do planeta e também ficou na segunda posição nas intenções de compras de novos aparelhos durante 2013.

A pesquisa foi realizada nos meses de setembro e outubro de 2012, abrangendo 11 mil entrevistados em 11 países. Entre os participantes, 50% eram homens e a outra metade, mulheres. A faixa etária dos respondentes foi segmentada em: 26% com 55 anos ou mais; 18% entre 45 e 54 anos; 20% entre 35 e 44 anos; 21% entre 25 e 34 anos; e 15% entre 18 e 24 anos.

Ampliar (Fonte da imagem: Reprodução/Accenture)

O resultado do estudo revelou que os brasileiros gastaram em média US$ 1.080 (R$ 2.130) em 2012 e que pretendem comprar US$ 1.323 (R$ 2.610) em eletrônicos neste ano — um aumento de 22,5%. Tais valores ficam atrás apenas dos apresentados pelos chineses, os quais são US$ 1.251 (R$ 2.470) e US$ 1.489 (R$ 2.940), respectivamente.

Os nossos gastos com gadgets superaram grandes potências, como Japão (4º colocado), Alemanha (7ª posição) e até os EUA (país que figurou apenas como 10º maior consumidor desse tipo de equipamento). A terceira colocação ficou com a Rússia. Você pode conferir os valores de cada um deles na imagem acima.

Clique aqui para acessar o relatório na íntegra (PDF em inglês).

Já fomos os primeiros 

Sem dúvida, a segunda posição nesse ranking é bastante relevante. Contudo, há pouco tempo atrás, nós já lideramos essa lista. Conforme pesquisa realizada também pela Accenture, em 2010 os brasileiros foram os maiores consumidores de 15 categorias de produtos eletrônicos, incluindo celulares, TVs de alta definição, video games, dispositivos de geolocalização (GPS), os populares MP3 players, câmeras digitais, netbooks, entre outros.

(Fonte da imagem: Reprodução/iStock)

Em alguns desses segmentos, nós superamos com facilidade os consumidores de outros países. Por exemplo, 55% dos respondentes no Brasil adquiriram um celular naquele ano, enquanto a média internacional não passou de 32%. Para os especialistas, esse panorama é reflexo direto da eclosão da Grande Recessão em 2008, crise econômica que teve uma alta em 2010, e mostra que o país “escapou” bem dela.

Mercado promissor

Se mesmo no ápice de uma das crises financeiras mais longas da história a compra de dispositivos eletrônicos continuou em expansão (mais modesta, é claro), agora que as nações mais afetadas começam a recuperar as suas economias, esse mercado deve apresentar aumentos mais significativos.

Uma estimativa feita pela Consumer Electronics Associations (CEA) e a empresa de consultoria GFK, apresentada na abertura da CES 2013, aponta que as vendas de eletrônicos devem crescer pelo menos 4% em 2013, o que representa um total de US$ 1,1 trilhão. De acordo com essa pesquisa, esse “salto” será impulsionado pelos equipamentos portáteis — com destaque para smartphones e tablets, categorias que devem crescer 22% e 25%, respectivamente.

Mudança de comportamento

Ampliar (Fonte da imagem: Reprodução/Accenture)

Todas essas informações também explicitam uma mudança de comportamento e tendência de compra dos consumidores de eletrônicos. O relatório mais recente da Accenture revela alguns fatos curiosos nesse sentido:

  • Aos poucos, as pessoas estão mais “abertas” para experimentar plataformas diferentes. Menos de 50% dos entrevistados disseram que é extremamente importante o uso de um mesmo sistema operacional em diferentes dispositivos;
  • Aproximadamente 60% dos respondentes têm usado seus gadgets pessoais para fins profissionais com o objetivo de aumentar sua produtividade, como a realização de videoconferências e utilização de ferramentas de colaboração;
  • A “nuvem” está deixando de ser um ambiente temido. Cerca de 20% dos participantes da pesquisa já se sentem completamente seguros para armazenar seus dados na internet e realizar transações financeiras pela web — prova disso é que os apps com alguns dos maiores crescimentos são softwares para acesso a home bankings e pagamentos virtuais;
  • O atual foco dos consumidores está em equipamentos menores e multifuncionais. Do total de colaboradores, 20% afirmaram que pretendem comprar um smartphone, tablet, PC ou HDTV nos próximos 12 meses.

Enquanto uns sobem, outros descem

Os dados levantados pela Accenture comprovam o que podemos ver nas ruas, shoppings, restaurantes, cinemas, entre outros estabelecimentos: nós temos dado prioridade para os dispositivos que podem ser carregados de um lado para outro.

Conforme o relatório da companhia de consultoria, enquanto tablets e smartphones têm crescimentos impressionantes, outros equipamentos começam a perder espaço e a cair em desuso.

Ampliar (Fonte da imagem: Reprodução/Accenture)

Exemplificando esse panorama, no período de 2009 a 2012, as câmeras digitais tiveram uma queda na participação de mercado de 77% para 68%, os celulares básicos caíram de 84% para 64% e os DVD players despencaram de 72% para 44%.

Até mesmo os PCs estão em “decadência” comercial. Segundo um estudo elaborado pela International Data Corporation (IDC), a venda mundial de computadores deste primeiro trimestre caiu 13,9% se comparada aos números registrados no mesmo período de 2012. Com 76,3 milhões de unidades comercializadas, previa-se uma queda de “apenas” 7,7% para 2013.

Ninguém está 100% seguro

Essa nova dinâmica do mercado está afetando até mesmo as empresas que há pouco eram consideradas soberanas e intocáveis. Por exemplo, a diminuição do consumo de desktops está preocupando a Microsoft, já que esse nicho perde espaço rapidamente para os gadgets portáteis.

(Fonte da imagem: Reprodução/3dcart)

Uma estimativa da Gartner aponta que, se a companhia de Redmond não aumentar sua participação nos segmentos de tablets e smartphones, ela poderá se tornar “irrelevante” para o mundo da tecnologia nos próximos cinco anos.

Enquanto os PCs apresentam uma linha descendente, podendo passar de 341 milhões de unidades no mundo em 2012 para “meras” 271 milhões de máquinas no ano de 2017, os tablets devem avançar de 197 milhões de equipamentos ativos em 2013 para mais de 467 milhões nessa mesma base comparativa.

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E você? Quanto gastou no ano passado com gadgets? Quais são as suas expectativas de compra para 2013? Concorda que o futuro dos eletrônicos é a portabilidade e multifuncionalidades? Empresas como a Microsoft correm o risco de se tornarem meras coadjuvantes no mundo da tecnologia?

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