Sala de performance e as novas “trincheiras” dos negócios digitais

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A digitalização lançou enormes desafios não apenas às estratégias de negócios, mas também a como elas são executadas e geridas. Nada mais natural: o campo mudou, mudam também os movimentos.

E uma das novas “trincheiras” que segue ganhando corpo é a sala de performance, também conhecida pelo sugestivo nome de "war room". 

Analogias à parte, de fato, trata-se de um modelo de gestão que reúne um time robusto com um objetivo comum: na grande maioria das vezes, atingir metas de crescimento agressivas.

Pela nossa experiência, essa abordagem gera bons resultados — temos casos de crescimentos de até 40% — e sua utilização vem crescendo em várias indústrias e contextos. Como vantagens se destacam a agilidade na tomada de decisões, maior sincronia das áreas envolvidas, escala para realização de testes e efetividade dos investimentos realizados. Mas, como todo o modelo de trabalho, a sala de performance tem suas indicações, contraindicações e desafios operacionais.

Primeiro que a sala de performance é indicada para projetos com escopo bem definido e com resultados mensuráveis. Por exemplo, alavancar as vendas de um produto ou linha de produtos, ela pode ser momentânea com o fundamento de uma campanha de Black Friday ou outras datas/temas importantes para o varejo, entre outros.

Equipe de trabalho

Nesse sentido, quanto mais granular for o objetivo, mais eficiente é a aplicação do modelo e melhores tendem a ser os resultados. É também importante estar atento ao investimento para estruturação desse framework, afinal é um esforço grande, que envolve muitas pessoas, logo tem que haver o suporte necessário. Quanto à mensuração, ela é fundamental, pois baliza a tomada de decisão e a realização de ajustes rápidos.

Portanto, a sala de performance não é indicada para escopos muito amplos (por conta da dispersão de objetivos e esforços), metas mais intangíveis e, principalmente, quando algum decisor ou área capital do processo não pode participar, pois se faz todo um esforço e as alterações não podem ser implementadas, ou tardam demais.

Vencida a aplicabilidade ou não do modelo, chegamos à operação

A operação é composta de cinco fases principais, cada qual indispensável para o progresso e sucesso do negócio. São elas:

  • definição dos objetivos;
  • construção dos times com todas as áreas envolvidas;
  • adequação e/ou treinamento das pessoas no formato;
  • organização dos dados necessários;
  • construção e execução da rotina de trabalho.

As três últimas etapas merecem uma análise mais detida. Não basta ter as pessoas necessárias na sala, elas precisam entender esse modelo de trabalho colaborativo e ágil, compartilhando dados e decisões. Tanto que é comum realizarmos workshops e palestras no início desses projetos.

Metodologias ágeis e performance pressupõem a disponibilidade de dados, de forma que a criação de dashboards com atualizações periódicas ajuda muito. Na última fase, que é a execução propriamente dita, os testes têm um papel central, ou seja, realizar um diagnóstico, propor uma ação e ver seu resultado. Deu certo, mantém ou replica. Deu errado, reformula e testa de novo. Aqui, o foco deve ser o aprendizado.

Equipe em sala de reuniãoFonte: Shutterstock

Outra questão importante é se a sala será no formato presencial ou digital. No começo da pandemia de covid-19 achava difícil reproduzir virtualmente esse modelo complexo, na qual a interação humana é tão importante, mas, com organização e foco, foi possível, principalmente considerando um modelo híbrido com algumas pessoas no mesmo local e outras online.

Um ponto de atenção é que os profissionais que participam da sala por ficar um período relativamente longo no projeto, às vezes, perdem um pouco de contato com suas áreas de origem, principalmente a convivência com superiores e a participação em projetos específicos de seu departamento. Logo, manter esse contato e sempre reportar os desenvolvimentos da sala é também muito importante para as carreiras.

Outro desafio é o fato de, às vezes, a equipe da sala de performance não ser tão aberta à entrada de novos integrantes, pela ligação que já existe mesmo. Nesse sentido, estabelecer atividades de integração e até ritos para novas pessoas e reconhecimento de conquistas podem ajudar na manutenção de um clima sadio e estimulante para todos.

Superando essas questões e aplicando nos momentos corretos, a sala de performance pode ajudar as marcas a transformar sua estratégia de negócios, gerando muitos resultados. Portanto, coloca todo mundo em uma sala (presencial ou virtual) e resolve!

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Nathália Dalla Corte é sócia e diretora de Business & Strategy da Cadastra, empresa global de soluções de marketing, tecnologia, estratégia de negócios, data e analytics.

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