Metaverso: saiba tudo sobre a aposta futurista do Facebook

5 min de leitura
Imagem de: Metaverso: saiba tudo sobre a aposta futurista do Facebook
Avatar do autor

O metaverso voltou a ser um foco recentemente, quando o Facebook renovou seu compromisso com um projeto que junta realidade virtual à realidade aumentada para permitir aos usuários habitarem mundos digitais juntos.

Mas afinal, o que é esse metaverso? Será que o termo não é puro marketing? Já existe algum pronto para uso? Se você nunca ouviu falar sobre o assunto ou tem dúvidas sobre o que é o metaverso, hoje o TecMundo te explica.

Da Grécia para o mundo

Para começar, nada melhor do que analisar a palavra em si. “Meta” vem do grego e significa “além de” ou “depois de” algo, e o “verso” vem de "universo". Então, estamos falando de um ambiente digital que é uma evolução de tudo o que a gente está acostumado até agora.

Então, o metaverso pode ser chamado de um universo digital compartilhado e com experiências variadas, totalmente imersivas, interativas e muito realistas. Não estamos falando de realismo gráfico necessariamente, mas sim de tarefas e possibilidades de ação mais naturais, com a presença de elementos que estão no cotidiano — como lugares reais, marcas que existem fisicamente e movimentos mais dinâmicos do seu avatar.

O lugar é esse espaço coletivo que recria experiências reais a partir da integração de várias ferramentas. Não é exatamente um jogo ou uma rede social, mas sim um ecossistema mais vasto e que pode incluir esses dois aspectos se você quiser.

Decifrando o conceito de metaverso

De certo modo, tudo isso ficaria ainda mais imersivo em uma realidade virtual, mas isso não é necessariamente obrigatório. Dessa forma, a presença de marcas é o que mais desperta a atenção das próprias marcas, já que significa maior espaço de exposição de produtos, parcerias de divulgação e acordos a preços altos.

Pense em um MMORPG. Dependendo da complexidade daquele universo, você pode criar um avatar com características físicas bem-personalizadas, talvez até parecido com o seu eu de verdade, passeando por um mapa supervariado para batalhar, explorar e conversar. Porém, existe sempre uma limitação, uma certa quantidade de ações que você pode fazer ou então um direcionamento que o próprio game tenta te empurrar — tipo uma campanha, missões com boas recompensas e por aí vai.

MultiversoImagem: Peera_stockfoto (Shutterstock)
Fonte: Shutterstock

Mas e se você quisesse só ficar de boa no mapa, convivendo pacificamente com os outros? E se, além de um ou outro NPC, todos os avatares ali fossem pessoas também dispostas a isso? Em vez de virar obrigatoriamente um mago ou cavaleiro, você poderia, sei lá, abrir uma taberna e gerenciá-la ou virar um músico na praça da vila. Eu sei que parece tudo meio abstrato, e é mesmo, mas é assim que podemos imaginar a ideia de metaverso mais próxima do que temos hoje.

Indo em um exemplo do que já existe: Fortnite. Claro que ele continua sendo um battle royale, sendo o destaque absoluto as partidas que duram até sobrar só um jogador. Entretanto, pense na quantidade de avatares personalizados, de marcas e franquias que já fizeram parcerias com a Epic Games ou então na promoção de eventos, como os shows de artistas badalados (por exemplo a Ariana Grande).

Se isso for expandido, talvez para uma área em que combate não seja prioridade e você possa só passar o tempo, esse pode ser o primeiro metaverso de uso massivo e duradouro que veremos.

A origem do termo

O termo se originou em um livro chamado Snow Crash, escrito em 1992 por Neal Stephenson. A obra tem uma pegada cyberpunk e fala do chamado Metaverso como uma espécie de sucessor evoluído da internet, com maiores possibilidades de interação e avatares com mil e uma possibilidades de ação. O termo pegou e foi adotado pela indústria.

Portanto, é bem seguro dizer que o primeiro grande experimento nesse sentido na vida real foi com Second Life, o fenômeno das experiências virtuais lançado em 2003. A gente já fez um vídeo aqui no Entenda para explicar o que era esse serviço, que ainda existe e tem uma comunidade muito fiel, e o Second Life meio que cumpria todos os requisitos do conceito de metaverso, faltando só segurar as pessoas no mesmo lugar.

Second Live MetaversoImagem: Gorodenkoff (Shutterstock)Fonte: Shutterstock

Atualmente, podemos considerar que Roblox e Fortnite estão tentando virar metaversos, expandindo cada vez mais as experiências e as simulações, mas ainda tem um longo caminho pela frente. E, claro, agora sabemos que o Facebook está na jogada com "olhos voltados para o futuro". Então, o timing não é coincidência: a pandemia da covid-19 ajudou muito a impulsionar essas ideias, já que ficamos muito mais em casa para realizar atividades de trabalho ou lazer.

Alguns filmes também já imaginaram esse cenário. Obras como Tron, Matrix e o Avatar do James Cameron apresentam uma visão dessas simulações virtuais supercomplexas e cheias de possibilidades. É claro que tem ainda o programa Oasis, de Jogador Número 1, que é originalmente um livro e virou filme nas mãos do Steven Spielberg. No ambiente dessa obra, você pode acessar a plataforma do jogo simplesmente para passar um tempo e dar uma passeada, sem ser obrigado a participar de qualquer partida.

O que podemos esperar?

E qual é o futuro disso tudo? Bom, ainda é cedo para dizer se tantos projetos conseguirão "sair do papel", mas algo é certo: muita empresa por aí vai falar que a sua plataforma é um metaverso só para entrar na onda, então cuidado com esse tipo de marketing.

Já a rede social do Zuckerberg tenta há alguns anos ser meio que uma “pequena internet”, concentrando notícias, bate-papo, vídeos e o que eles acham que seria tudo o que é necessário para alguém se manter online. Não deu tão certo ainda, mas conhecemos recentemente o último passo.

Mark Zuckerberg comentou que deseja construir o tecido que conecta diferentes espaços digitais e superar as limitações físicas. Um dos exemplos iniciais que vimos foram as salas de videoconferência Horizon Workrooms, que ainda são bem cruas e limitadas, mas podem ser adotadas para quem trabalha em home office.

Assim, o blockchain tem um potencial muito alto dentro da construção e da manutenção de metaversos, já que a descentralização de informações e a possibilidade de implementar uma economia própria tem tudo a ver com esse conceito.

Em resumo, o metaverso ainda é algo muito abstrato e que corre o risco de virar uma daquelas palavras que é bonito de falar, mas difícil de ver na prática. Por outro lado, pelas informações e pelos exemplos que temos hoje, pode resultar sim em algumas experiências bem interessantes.

E aí, o que você acha dessa ideia de metaverso? Toparia participar de um ambiente digital assim? Que ferramenta você gostaria de ver virando um “mundo dentro de outro”? Vamos conversar ali embaixo nos comentários!

News de tecnologia e negócios Deixe seu melhor e-mail e welcome to the jungle.