É fácil saber quando a situação financeira de nossos pais ou da nossa casa está indo mal. Um dos indicativos, por exemplo, é ver a mudança dos produtos que se costumava comprar: se aquele achocolatado em pó de qualidade e preço “salgado” foi trocado por um de cor mais pálida e marca desconhecida, é sinal de que alguém está pensando mais ao fazer a compra do mês.

Mas se observamos algumas situações semelhantes em nossa sociedade, também é possível deduzir que a situação econômica de nosso país ― e até do mundo ― está em crise. Confira, a seguir, algumas “dicas” que o cotidiano nos dá sobre uma possível crise financeira.

Invasão de pernilongos

Uma das consequências de uma economia em declínio é a repentina invasão de insetos, principalmente pernilongos, dentro de casas e escritórios espalhados pela cidade. A princípio, parece óbvio que a crise fez com que a prefeitura cortasse alguns gastos com o controle dessas criaturas, mas algo ainda mais sutil pode estar acontecendo.

A crise faz com que pessoas se mudem e não possam comprar ou alugar imóveis tão facilmente. Assim, muitas casas ficam fechadas, abandonadas, e uma grande parcela delas possui piscinas, que podem ter ficado com algum resto de água parada. Além disso, mesmo que não estejam entregues literalmente às moscas, muitas famílias precisam fazer contenções de gastos e, nesse caso, a manutenção das piscinas acaba sendo um dos primeiros custos a ser cortado.

Normalmente, isso quer dizer que teremos muitos insetos inofensivos e que, no máximo perturbarão o sono da família toda. Mas já que a dengue é um problema em algumas cidades brasileiras e o Aedes aegypti precisa de água parada para se reproduzir, vale a pena ficar de olho no quintal alheio e, se necessário, conversar com o vizinho.

Atendentes mais bonitas e taxistas com mestrado

Este é um assunto polêmico e que gera muita discussão, mas alguns economistas acreditam que, na presença de uma crise financeira, as atendentes daquele seu café ou bar favorito tendem ser substituídas por profissionais mais bonitas ou bem arrumadas. E não é porque as pessoas ganharam aumento e podem, agora, se dar ao luxo de investir em sua beleza.

De acordo com a seleção de indicativos de crise levantada por Pauli Poisuo, diante de uma situação financeira difícil e da ameaça de desemprego, pessoas com mais estudo ou mais condições monetárias precisam aceitar cargos com uma remuneração mais baixa. Por isso, em tempos de recessão, acaba sendo mais frequente a presença de garçonetes bem produzidas ou taxistas pós-graduados em áreas diversas, por exemplo.

A cor da gravata e a autoestima de quem a veste

De acordo com um estudo publicado pela Associação de Cores dos Estados Unidos ― sim, tal órgão existe ―, é possível deduzir se um profissional está em uma fase boa ou ruim de acordo com a cor da gravata que ele está usando. Normalmente, pessoas confiantes e com poucas preocupações tendem a usar gravatas com cores mais vivas ou brilhantes.

Porém, quando os “homens de negócio” estão passando por uma crise econômica, a baixa autoestima ou preocupação com a falta de dinheiro é refletida na hora de escolher a gravata para ir ao escritório. Nesses casos, a cor escolhida do acessório tende a ser mais sóbria e até mesmo apagada, como o bege.

Mas por que a gravata? A explicação é simples: dificilmente alguém ousaria trabalhar vestindo um terno amarelo ou pink. Por isso, a única peça que permite um pouco de variação para esses profissionais é a gravata. Agora você já sabe: se os engravatados da sua cidade estiverem usando verde-limão no colarinho, comemore, pois a situação está boa. Caso contrário, é hora de economizar.

Mudança nos tipos de crimes praticados

A crise nos EUA tem levado ladrões a roubarem cachorros (Fonte da imagem: tanakawho/Flickr)

Outra forma de perceber que algo vai errado com a economia é a mudança no perfil de crimes e infrações praticados pelos habitantes de um país. Com dinheiro sobrando, as pessoas festejam mais e, inevitavelmente, bebem mais. Logo, em tempos de recessão há uma queda de apreensões ou autuações de motoristas bêbados.

Curiosamente, apesar de toda a crise pela qual os Estados Unidos têm passado, os crimes contra a propriedade têm diminuído e levado alguns teóricos a questionar suas crenças. Porém, uma das razões para isso pode ser um melhor uso dos dados levantados pela polícia ou o fato de que o governo decidiu não cortar verbas destinadas à segurança. Porém, a incidência de um crime curioso tem aumentado naquele país: o roubo de cães.

De acordo com a MSNBC, o crescimento da crise econômica tem aumentado o roubo de cachorros. As causas são diversas e vão desde pessoas que querem ter um animal de estimação, mas não podem pagar por ele, até ladrões que perceberam que os animais custam caro e podem ser bastante procurados ou valorizados no mercado negro.

Propagandas mais apelativas

Recessão torna as propagandas mais agressivas (Fonte da imagem: Top Design Mag)

Em tempos difíceis, as empresas tentam vender seus produtos a qualquer custo. E, não necessariamente, isso significa um belo desconto ou baixa de preços. O que acontece é que as propagandas de grandes marcas começam a ficar mais agressivas e apelativas, chegando até a ofenderem seus concorrentes de maneira aberta e descarada.

Outra mudança pode ser observada nas propagandas das forças armadas. Nos Estados Unidos, as propagandas do exército, que antes tentavam criar uma boa imagem do serviço militar e incentivar o alistamento de jovens, passaram a dizer que o serviço é difícil e que pouca gente está apta para aguentá-lo. A fórmula é simples: em tempos de desemprego, mais pessoas consideram a carreira militar como uma forma de ganhar a vida. Logo, sobram voluntários atrás de uma atividade remunerada.

Escapismos: romances baratos e infidelidade

Devido ao alto nível de stress, as pessoas precisam encontrar algum tipo de entretenimento barato e que traga o mínimo de diversão para suas vidas. Por isso, em tempos de crises, livros de romance que antes eram considerados fracos e mal-escritos costumam vender como água. E, de acordo com o New York Times, os livros de ficção científica e fantasia, capazes de transportar seus leitores para outros mundos, também são mais procurados nesses períodos.

Outro segmento que sofre mudanças nesses períodos é o da pornografia. De acordo com um estudo publicado no Boletim de Psicologia Social e de Personalidade, as preferências mudam durante os tempos de crise econômica: homens deixam de preferir mulheres com corpos perfeitos e idealizados e passam a exigir algo mais realista, mais próximo do que podem conseguir em suas vidas. Por isso, as playmates dos anos mais difíceis eram mais gordinhas ou mais velhas do que o normal.

E ao contrário do que se poderia imaginar, quando a grana está curta é que as pessoas traem mais seus parceiros ou parceiras. Apesar de pesquisadores terem notado uma queda na performance sexual dos entrevistados,  estudos também constataram que tanto os homens quanto as mulheres passaram a trair mais durante a recessão. É como se, por se sentirem ameaços, os humanos sentissem a necessidade de proliferar. Teorias biológicas à parte, o fato é que poucos admitiram que essas “escapadinhas” do casamento causaram danos irreparáveis ao relacionamento. A maioria continuou muito bem casada apesar disso.

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Lembra quando publicamos o artigo sobre como prever o futuro? Parece que essas dicas listadas pelo Cracked acabam confirmando a teoria: observar o presente é a melhor maneira de se preparar para o que acontecerá em alguns meses ou anos. Portanto, não se esqueça de prestar muita atenção ao seu redor e, principalmente, de anotar as cores de gravata que você por aí.

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