Após algumas especulações, a fabricante chinesa Huawei anunciou oficialmente que abriu um processo judicial contra o governo dos Estados Unidos nesta quarta-feira (6). O registro foi realizado em uma corte distrital no Texas, estado norte-americano onde está localizada a sede nacional da empresa.

A confirmação do processo para a imprensa foi transmitida e publicada no canal da Huawei no YouTube. Segundo a companhia, o governo dos EUA acusa a marca de ser uma ameaça global de segurança, agir como espiã da China em outros países, violar banimentos comerciais com países com o Irã e até instalar componentes ou softwares espiões em dispositivos de telecomunicações.

Isso resultou em críticas do governo, a prisão de executivos da Huawei ligados aos EUA e pesadas sanções que limitaram a ação da empresa e comercialização de produtos e serviços na região.

A defesa

"O banimento nos impediu de servir ao consumidores dos Estados Unidos, feriu nossa reputação e nos privou de uma oportunidade de atender aos clientes de fora dos Estados Unidos. Isso viola o princípio de separação de poderes, quebra as tradições legais do país e vai contra a própria natureza da Constituição", alega o atual presidente da empresa, Guo Ping.

A empresa ainda acusa o governo dos EUA de hackear os servidores da companhia e roubar dados sensíveis, como emails privados. A marca ainda afirmou que não é controlada ou influenciada pelo governo chinês em nenhuma instância e vai colaborar com qualquer investigação.

E agora?

O processo pode obrigar o governo dos EUA a apresentar uma acusação formal contra a Huawei como forma de defesa. Segundo Ping, por enquanto não foi apresentada qualquer evidência que ligue a companhia às atividades ilegais, o que torna as ações inconstitucionais. O vídeo completo pode ser conferido abaixo.

Vale lembrar que a Huawei é uma das maiores fabricantes mundiais de smartphones da atualidade, além de ser uma das líderes na implementação da infraestrutura que torna possível a conexão móvel 5G. A empresa nega todas as acusações e argumenta que, se for liberada novamente no país, pode reduzir os custos de tecnologia sem fio entre 15% e 40%, garantindo uma economia de US$ 20 bilhões para os cofres norte-americanos nos próximos quatro anos. O governo de Donald Trump ainda não se pronunciou.