Vincent Ramos, CEO da Phantom Secure, se declarou culpado das acusações de fazer parte de uma conspiração de extorsão, afirmaram promotores federais, na cidade de San Diego, nos EUA. A Phantom Secure atuava há 10 anos, e sua atividade era fornecer aparelhos BlackBerry com segurança aprimorada e preparados para driblar a lei.

Durante esse tempo, a empresa teve milhares de criminosos como clientes, os quais pagavam pelo menos USD 4 mil por ano, por cada dispositivo. Ou seja, além de comprarem o aparelho, os bandidos mantinham uma espécie de assinatura do serviço de “segurança” da Phantom.

A empresa se apresentava da seguinte forma: "Somos é um serviço de comunicação sofisticado, projetado para executivos sofisticados e exclusivos, que precisam de uma solução eficaz e comprovada para suas preocupações com dispositivos móveis" e acrescentava: "Nenhuma identificação é necessária para a compra".

O Departamento de Justiça explicou que, para enganar as autoridades, a Phantom mantinha seus servidores no Panamá e em Hong Kong, usando servidores proxy virtuais para disfarçar a localização física dos servidores reais; e, caso algum BlackBerry fosse apreendido pela polícia, a empresa acionava o wipe (o aparelho apaga seus arquivos internos completamente), a fim de impedir que qualquer pista fosse encontrada.

Para dificultar o rastreamento das transações financeiras pela polícia, a empresa usava operações com criptomoedas, incluindo o Bitcoin. Ramos ainda admitiu que pelo menos 450 quilos de cocaína foram distribuídos usando os dispositivos Phantom Secure, mas o FBI afirma que o esquema também facilitou o assassinato de pessoas, entre outros crimes.

Ramos, que é canadense, está preso desde março deste ano e não deve ser julgado antes do dia 17 de dezembro. Ele concordou em ficar preso nos EUA nos primeiros 5 anos de sua pena e só depois ser transferido para o Canadá.