O cofundador do WhatsApp, Jan Koum, anunciou em abril que estava deixando o Facebook para tirar uma folga. Ele disse que queria dar um rolê para “colecionar Porsches refrigerados” e jogar frisbee. Mas, segundo o Wall Street Journal, ele continua aparecendo na empresa. Na verdade, ele nem faz mais nada, só vai para embolsar a bagatela de US$ 450 milhões. Essa é a vida de quem se deu bem e ainda tem a receber cotas da venda para a companhia de Mark Zuckerberg.

Koum ainda tem duas "parcelinhas" de milhões de dólares para receber do Facebook

O termo “vesting” foi popularizado com a chegada das startups. É quando você recebe sobre a aquisição progressiva de direitos sobre o negócio. E como as pequenas companhias de tecnologia que se tornam gigantes do setor costumam render muita grana, esse conceito ganhou um complemento, o “resting”, que significa “trabalhar descansando”. Ou seja, “resting and vesting” é ainda estar ligado a uma empresa por questões contratuais e passear de vez em quando só para receber, sem fazer mais parte, efetivamente, do funcionamento geral da mesma.

É isso que Koum, e vários outros jovens milionários e bilionários, vêm fazendo no Vale do Silício — e isso até já foi tema de um episódio do seriado “Silicon Valley”. Os caras só dão as caras para fazer figuração e colher os frutos que ainda seguem rendendo por aí. Como o WhatsApp foi vendido por US$ 19 bilhões em 2014 e Koum ainda não recebeu tudo — “somente” US$ 7,1 bilhões—, então falta um naco das 20 milhões de ações restritas que ele vem recebendo desde que fechou a transação.

Como o executivo precisa “trabalhar” para receber, é o que ele tem feito nos últimos quatro anos: “resting and vesting”, de tempos em tempos. Agora, essa mamata vai acabar, com mais duas parcelas, uma que vence neste mês e outra que será paga em novembro. Mas acho que Koum não deve estar ligando muito para isso, até porque “só” com US$ 450 milhões já dá para comprar alguns Porsches.

Insiders dizem que a prática é comum entre engenheiros e desenvolvedores importantes

“Recebi de várias pessoas, incluindo da Google X (divisão experimental), fotos delas em cima de telhados, fazendo nada, com hashtags como #unassigned (não atribuído a algum serviço) e #restandvest. Isso realmente acontece e, aparentemente, com certa frequência”, diz Josh Brener, ator que interpreta um desses sortudos na série “Sillicon Valley”.

De acordo com o Business Insider, o Facebook tem até um programa discreto chamado de “discretionary equity” (equidade discricionária), normalmente distribuída para engenheiros, desenvolvedores e executivos do alto escalão, que desenvolveram trabalhos excepcionais. Essa é uma forma de agradar os funcionários e mantê-los na companhia enquanto eles têm um papel importante e de evitar problemas de judiciais.

Nada mal, não?

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