O capítulo da semana da série de história da tecnologia fala da maior rede social do mundo eque hoje é bem mais do que só um site pra você stalkear os outros: O Facebook“Ah, TecMundo, mas eu vi o filme do Facebook e já sei tudo sobre ele”. Aí é que você se engana! A produção mudou bastante coisa, deixou outras de lado, e você vai saber tudo isso agora.

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O pontapé inicial

A história do Facebook começa oficialmente em 4 de fevereiro de 2004, com o lançamento de um site chamado TheFacebook. Os responsáveis eram estudantes da universidade de Harvard. O serviço era simples e só funcionava no campus, a logo ficava entre colchetes e uma ilustração do ator Al Pacino ocupava o topo da página inicial. Mas pra chegar nesse ponto a gente precisa voltar um pouquinho no tempo.

Uma página.

Em 2003, o estudante Mark Zuckerberg já tinha um site relativamente elogiado e aí cria uma página chamada FaceMash. Ela compara fotos de estudantes da universidade e deixa você escolher a pessoa mais bonita entre duas. O negócio foi um sucesso, mas muita gente não curtiu e o site saiu do ar pouco tempo depois por usar a base de dados da instituição sem autorização. A universidade emitiu uma advertência e ele se desculpou.

Deu pra ver que nessa época ele já gostava desse negócio de mexer com dados alheios e em janeiro de 2004 o Mark começa a escrever um novo código que aí sim é o Facebook. Ele fez tudo no próprio dormitório, que até foi revisitado pelo empresário 13 anos depois num vídeo.

Mark Zuckerberg.

O nome é bem simples: um face book, ou livro de rostos, é um diretório que tem perfis e fotos de alunos ou participantes de alguma coisa. Na rede, você podia adicionar amigos e dar aquela conferida nas informações do perfil... E só. Mas o projeto decolou.

Em março, ele expande para Stanford, Columbia e Yale. Aí vem o primeiro financiamento do polêmico Peter Thiel e a entrada na empresa de Sean Parker, que ganhou fama com o software de download de músicas Napster. Sem espaço no campus, a equipe se muda pra Palo Alto, Califórnia.

Os parceiros

O Mark tinha uma equipe bem jovem na época. Dustin Moskovitz é o outro cofundador e foi o primeiro chefe de tecnologia e depois engenharia. O terceiro dos pioneiros é Chris Hughes, porta-voz da empresa por anos que depois foi trabalhar na revolucionária campanha eleitoral de Barack Obama em 2008. E tem também o brasileiro Eduardo Saverin, que era chefe financeiro e será personagem mais para frente.

Uma pessoa.Dustin não faz mais parte do quadro do Facebook.

Aliás, nessa época o Mark já namorava a também estudante Priscilla Chan, que viria a ser a sua esposa e é bem atuante na área de filantropia. Eles tem duas filhas juntos.

Outros dois envolvidos no começo, Andy McCollum e Adam D’Angelo, fizeram um projeto chamado Wirehog, que era um serviço de troca de arquivos P2P linkado à rede social. Ele não deu certo e foi cancelado, mas indicava que o Facebook seria mais que só um amontoado de perfis. O que deu certo foi o recurso de mural pra você mandar recados pros outros.

A primeira treta

E no primeiro ano já tem a primeira polêmica. Os gêmeos Tyler e Cameron Winklevoss e o programador Divya Narendra alegam que bolaram uma ideia igual a do Facebook em 2002, a ConnectU. Quase todo o código tava pronto e Mark entrou no time por algumas semanas, mas largou o projeto por alegar que estava ocupado.

Duas pessoas de terno.

O TheFacebook entrou no ar e o resto é história. Os gêmeos processaram Zuckerberg por roubar a ideia e em 2008 receberam algo em torno de 65 milhões num acordo, e em 2011 desistiram oficialmente de tentar mais ações. Hoje, eles são bilionários por causa de bitcoin e já foram até atletas olímpicos de remo.

Expandindo (e brigando um pouco mais)

2005 é outro ano de expansão: o site abre cadastros pra estudantes do ensino médio e tira o “The” do nome, virando só Facebook. Ele finalmente libera a postagem de fotos em outubro sem restrições e em dezembro a possibilidade de marcar os amigos nas imagens.

Nesse ano é que Eduardo Saverin saiu. Ele não se mudou junto com a equipe pra Palo Alto, teria dedicado mais tempo a outra startup, colocou anúncios gratuitos lá sem autorização e foi chutado pra escanteio pelo Zuckerberg, tendo inclusive as ações diluídas.

Eduardo Saverin.Eduardo Saverin.

Ele entrou na justiça e saiu com um acordo de valores não divulgados, além de uma porcentagem de ações. Hoje, ele renunciou à cidadania norte-americana e é um investidor de tecnologia em Singapura.

Virando uma gigante

Em abril de 2006, a versão mobile da rede entra no ar e, pra pegar o público mais velho, ele libera a adição de conexões de trabalho. Em setembro finalmente entra no ar o feed de notícias com as atualizações dos seus amigos, e qualquer pessoa agora pode se registrar.

Em 2007 nascem várias funções essenciais hoje. A comercialização no Marketplace, a postagem de vídeos, as páginas de pessoas ou empresas e mais. É aí também que nasce a Facebook Plataforms, que vai dividir funções de fotos, vídeos e apps criados por desenvolvedores de um lado, e perfis e postagens de outro. E nesse ano começa a F8, uma conferência anual com anúncios de novos recursos.

Um evento.

Já em 2008 começa a internacionalização com uma versão em espanhol. Ele também lança o serviço Chat e o Connect, aquela forma de linkar a conta do Facebook com a de cadastros em outros serviços. Ele ainda passa por um grande redesign e ganha uma interface mais orgânica.

O ano marca ainda a contratação de uma das pessoas mais importantes da empresa até hoje. É a Sheryl Sandberg, que trabalhou na Google e é chefe de operações do Facebook até hoje, sendo uma das mulheres mais poderosas e admiradas do mundo da tecnologia.

Uma pessoa falando.

A partir daí, o Facebook passa a ser uma empresa de internet a se respeitar, e se antes rolavam rumores que gigantes como Yahoo, AOL e até Microsoft faziam ofertas pra tentar comprar a rede social, logo o próprio Facebook passaria a ser um comprador.

Em busca de likes

Em fevereiro de 2009, finalmente é lançado o recurso mais famoso: o botão Curtir. Ele só evolui em 2016 com as reações, tipo uau, coração, triste e por aí vai. No mês seguinte, uma nova home estreia e é bem mais parecida com a de hoje. A empresa ainda habilita a escolha de usernames pra você personalizar o endereço do seu perfil no navegador.

Vários ícones

Em 2010, o Facebook constrói o seu primeiro data center próprio, em Prineville, Oregon. As novas funções do site são o Places, páginas personalizadas de estabelecimentos com mapa, avaliação e mais, os grupos, e também um novo formato pro perfil, com fotos em miniatura no topo e navegação mais dinâmica pelos gostos de cada pessoa.

Em 2011, mais novidades. Teve chamadas em vídeo e o Chat sendo rebatizado pelo nome atual, Messenger, e saindo no mobile. Mas a novidade é o recurso de Timeline, que transforma o seu mural numa linha do tempo, com data de nascimento, casamento e por aí vai.

Uma captura de tela.A Timeline.

E esse é o ano da Primavera Árabe, uma série de protestos que fez o mundo inteiro perceber a importância das redes sociais na política.

O filme da discórdia

Foi em 2010 que veio o filme “A rede Social”, dirigido pelo excelente David Fincher e com Jesse Eisenberg como Mark, Justin Timberlake como Sean, Andrew Garfield como Eduardo e Rooney Mara como Erica, que ao que tudo indica não existiu na vida real. Ele foi bem elogiado, eu mesmo adoro, e ganhou até 3 prêmios no Oscar: roteiro adaptado, trilha sonora e edição.

Um pôster.

Mas claro que o filme é voltado pra uma narrativa dramática, e mudou muita coisa. O próprio Zuckerberg detestou a produção e falou o filme dá a entender que ele só fez tudo porque queria mulher e entrar em clubes fechados.

Muita coisa foi aumentada, especialmente Harvard, a vilanização do fundador e aquele estilo ácido e recluso. O Mark não é exatamente a pessoa mais sociável do mundo, mas estaria longe de ser aquele retratado.

Na terra dos gigantes

E lembra que eu falei que o Facebook viraria comprador? Em 2012, ele leva pra casa o Instagram por 1 bilhão de dólares, um ótimo negócio. O ano ainda marca a revolucionária oferta pública de ações da marca, na época a maior entre empresas de internet nos Estados Unidos. Ela foi bem sucedida em longo prazo, mas no começo o preço variou demais e deixou muito investidor insatisfeito. Esse ainda é o ano em que surgem as fotos de capa.

Uma captura de tela.

Em 2013, o Facebook anuncia a ferramenta de pesquisa pra resultados complexos e completos Graph Search, e compra a plataforma de anúncios Atlas. Ele ainda anuncia o Internet.org, uma parceria com várias empresas pra oferecer acesso a internet em países menos desenvolvidos ou locais sem muita estrutura. E a versão do Facebook pra qualquer telefone, mesmo sem ser smartphones, atinge 100 milhões de pessoas.

2014 tem duas compras importantes. A primeira é do WhatsApp, que já teve a história contada aqui no canal, por 19 bilhões de dólares e mantendo até hoje a promessa de não colocar anúncios no mensageiro. A segunda é a da empresa de realidade virtual Oculus, do Oculus Rift, que hoje é comandada pelo brasileiro Hugo Barra, ex Google e Xiaomi.

Duas pessoas sorrindo.Hugo Barra e Zuckerberg na versão "VR".

Internamente, as novidades são o Nearby friends, um recurso bizarro de stalking que revela quais amigos seus estão próximos no momento, e o Safety Check, aquele botão de aviso de que você está bem quando ocorre alguma tragédia na região em que você se encontra.

Um celular.

Em 2015, aparecem os Instant articles pra sites de textos e notícias, os vídeos 360º e as transmissões ao vivo, primeiro só pra páginas e algumas celebridades, depois pra todo mundo. Novidades dos anos seguintes incluem a possibilidade de fazer doações pra usuários individuais, a partir de 2017.

As críticas recentes

O Facebook continua a maior rede social do mundo em 2018 e dificilmente será destronada a longo prazo, mas as críticas nunca foram tão fortes. Muita gente apagou o perfil ou trocou por concorrentes porque não gosta do conteúdo, do algoritmo ou da falta de privacidade.

Uma captura de tela.Um dos visuais recentes da rede social.

E é esse o ponto do escândalo da Cambridge Analytica. De forma resumida, um ex-analista revelou que 87 milhões de pessoas tiveram dados do Facebook compartilhados com essa parceira e usados por ela sem autorização. Empresas ligadas à campanha de Donald Trump pra presidência dos Estados Unidos usaram as informações e também o esquema de anúncios.

Zuckerberg teve que depor no Congresso e no Senado sobre o caso, naquela entrevista que chocou as pessoas por duas coisas: a aparência robótica do CEO e as perguntas dos políticos que não entendiam nada do assunto. As fake news e da interferência de outros países em eleições também incomoda muito a rede social e devemos ver medidas radicais em breve.

Uma pessoa.

Acompanhar o crescimento do Facebook é bizarro. Em dezembro de 2004, ele já tinha 1 milhão de registros. Dezembro de 2005? Seis milhões. De 2006? 12 milhões. Em 2007, um salto pra 58 milhões, e 2009 pra 360 milhões. O bilhão de usuários foi atingido em outubro de 2012, e ele não para de crescer. Em 2018, são 2,19 bilhões de usuários ativos mensais.

E o Brasil?

O Brasil é um dos grandes mercados do Facebook. A empresa investe bastante aqui, inclusive com o Projeto Facebook para Jornalismo e capacitações na área de educação. A versão em português veio em 2008 e em 2011 ele passou o Orkut como rede social mais usada no país. Falando em Orkut, não deixe de conferir a história da rede social mais amada pelos brasileiros.

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E essa é a história do Facebook, a maior rede social do mundo, um lugar que muita gente hoje não vive sem, muita gente não chega mais nem perto, mas não tem jeito: eles uniram o mundo e são mesmo indispensáveis pra história da tecnologia. Se você..

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