O novo capítulo da série de História da Tecnologia é sobre uma marca bastante adorada, mas que parece ter surgido "do nada": a chinesa OnePlus. Pois é, eles parecem super-recentes, e são mesmo, mas quando a gente viu, eles já estavam por aí fazendo sucesso no mundo inteiro.

Pouca gente sabe como essa fabricante começou e por que ela fez tanto sucesso de forma repentina — e é exatamente isso que a gente vai contar por aqui. Não se esqueça de se inscrever no canal do TecMundo no YouTube para mais conteúdos como esse.

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Eu tenho um sonho

A história da OnePlus começa oficialmente em dezembro de 2013, e é talvez a mais recente que a gente vai contar por aqui. A empresa foi fundada por Pete Lau, que ainda é o CEO, e Carl Pei. A sede é em Shenzhen, na China, e a marca começou com só seis funcionários.

Lau originalmente era engenheiro de hardware e, depois, se tornou diretor da divisão de Blu-ray e vice-presidente da Oppo, uma fabricante chinesa que tem destaque razoável aqui fora, mas é gigante na China. Já Pei é mais voltado aos negócios, morou nos Estados Unidos e na Suécia, trabalhou na Nokia, na Meizu e como diretor de marketing também na Oppo.

Duas pessoas.

Existe um pouco de controvérsia sobre quem é a dona da companhia. É quase certo que a OnePlus na verdade é uma empresa independente, porém incubada dentro da Oppo, sendo então uma espécie de submarca ou subsidiária, assim como a Nubia é da ZTE. E ambas, junto com a também chinesa Vivo, são controladas por um conglomerado chamado BBK Electronics.

O fato é que os executivos estavam cansados da indústria dos smartphones, porque os modelos eram cada vez mais parecidos entre si, mais caros e com recursos que não agradavam. A ideia era planejar um modelo com mais cuidado, atender aos pedidos da comunidade e fazer um aparelho dos sonhos. Tanto que o slogan desde o começo foi “Never Settle” (“Nunca se Acomode”). E o marketing foi direcionado para a comunidade online, de fãs de tecnologia e os chamados early adopters, que são os primeiros a adotar alguma novidade.

Uma estreia de gala

OnePlus One saiu em 23 de abril de 2014 e foi vendido inicialmente só para quem tinha um convite, o que criou uma expectativa enorme em cima da marca. O modelo era descrito como matador de tops de linha, sendo tão poderoso quanto e custando muito menos que Galaxy S5iPhone 5s ou LG G3. Ele tinha tela de 5,5 polegadas, 3 GB de RAM, câmera de 13 megapixels e um design bastante elogiado.

Dois celulares.

O sistema operacional era o Cyanogen OS, uma versão comercial da modificação não oficial mais famosa de Android, o CyanogenMod. Os executivos da Oppo já eram próximos dos desenvolvedores e um acordo de licenciamento foi feito.

A ideia é que o OnePlus One não devia ser algo massivo, muito menos um sucesso fora da China. Só que deu tudo tão certo que o plano de 50 mil smartphones vendidos passou para 1 milhão de unidades comercializadas até o fim de 2014 e mais 500 mil até a descontinuação.

Um celular.

Ele conseguiu até diminuir o preconceito do público internacional em relação a importações, inclusive o brasileiro, que achava que chineses só faziam produtos de má qualidade. Ainda nesse ano, a empresa foi para a Índia, outro mercado imenso, e chegou a ser banida por alguns meses por problemas com a Micromax por causa da exclusividade da indiana do Cyanogen.

Em uma entrevista ao The Wall Street Journal, Pei se emocionou ao lembrar do começo da empresa, com expedientes de dias inteiros, uma equipe muito empenhada, mas pouco qualificada, e recursos escassos.

A aguardada sequência

De julho de 2015, o OnePlus 2 tinha uma tarefa difícil de manter todo os elogios do anterior, e conseguiu. Ele até começou sendo vendido por convite, mas depois as vendas foram liberadas. As especificações novamente eram parelhas com as dos top de linha e o preço, bem inferior. Ele até trouxe estabilizador de imagem e leitor biométrico, para brigar com o iPhone, mas foi criticado pela ausência do NFC. Foram 30 mil unidades comercializadas em 64 segundos na China.

Um celular.

E a empresa ainda apresentou uma variante intermediária e menor naquele mesmo ano, seguindo uma tendência de mercado. O OnePlus X tinha tela de 5 polegadas AMOLED e especificações mais parecidas com as da primeira geração — aparentemente, não deu certo, porque ela nunca mais repetiu essa estratégia.

A terceira geração em dobro

Em junho de 2016, mais um aparelho. Dessa vez, foi o OnePlus 3, o primeiro com corpo inteiro de metal. Ele chegou com incríveis 6 GB de RAM para a época, chip top de linha da Qualcomm e carregamento rápido Dash. O sistema era novamente o Oxygen OS, a versão customizadada do Android feita pela OnePlus. E aquele ritmo de startup foi finalmente deixado de lado: o sistema de convites foi removido, e algumas operadoras ao redor do mundo começaram a vender o aparelho nos Estados Unidos e em partes da Europa.

Dois celulares.

E aí a OnePlus tomou uma decisão que muita gente considerou meio controversa. Ela descontinuou as vendas do OnePlus 3 em apenas 5 meses, para lançar o sucessor, que é o OnePlus 3T, de novembro. O aparelho é incrível, mas a mudança em relação ao anterior é sutil. Ele ganhou Snapdragon 821, câmera de 16 megapixels e bateria com capacidade um pouco maior.

Um smartphone.

O preço também subiu um pouco, mas não fez o público reclamar, porque ainda era mais barato que vários concorrentes. O 3T entrou na nossa lista feita na época com os 10 melhores smartphones para você importar e foi superelogiado no review aqui do TecMundo.

Pulou um?

No ano seguinte, mais um aparelho top de linha pro catálogo. E é o OnePlus 4? Nada disso! A fabricante pulou uma geração e apresentou, em junho de 2017, o OnePlus 5. O motivo é bem simples: na China, o número 4 é considerado de azar, pois a palavra no idioma é muito próxima da usada para “morte”.

E o smartphone respeitou a boa fase da marca com os top de linha, mantendo fatores elogiados, como a traseira metalizada, e melhorando outros que foram criticados no passado. É o caso do sensor traseiro duplo na câmera, com 16 MP e 20 MP, além de um sensor de 16 MP para selfies. O aparelho ganhou uma versão Soft Gold, assim como a terceira geração.

Dois celulares.

Só que ele recebeu algumas críticas inéditas por causa de problemas de funcionamento. Para começar, a empresa foi acusada de trapacear em benchmarks e melhorar o próprio desempenho, inclusive na hora de iniciar jogos pesados. Isso não chega a ser ilegal, mas o ruim foi não avisar ninguém desse truque.

Ele ainda teve problemas de reinicialização se você discava para emergência nos Estados Unidos, o 911, falhas na captação de áudio em filmagens e o efeito geleia ou gelatina, um movimento bizarro e ondulado do display causado pela montagem do hardware. Ah, e um dos lotes perdeu até 25% de bateria depois de um update. Tudo isso foi corrigido posteriormente em atualizações, mas deu dor de cabeça para a OnePlus.

A OnePlus hoje

E o sucessor de novo veio em novembro do mesmo ano. O OnePlus 5T repetiu o chip Snapdragon 835 e as opções de armazenamento, mas aumentou a tela para 6 polegadas e inseriu um desbloqueio por rosto. E ele já era bonito, mas ganhou ainda duas versões bem especiais: a chamada Lava Red e uma pra fãs de Star Wars.

Uma propaganda.

O mais recente aparelho da marca é o OnePlus 6, cujo lema é “a velocidade que você precisa”. A tela ganhou aspecto 19:9 com bordas mais finas e um polêmico notch no topo. Ele é resistente a água, mas o recurso Always on, que deixa informações quase sempre disponíveis na tela, foi removido por questões de energia.

Três celulares.

As edições especiais da vez foram dos Vingadores e a Silk White. Ah, e tudo indica que a marca abandonou a linha de intermediários. No lugar, ela preferiu lançar neste ano os fones de ouvido sem fio Bullets.

Criatividade não falta

A fabricante ainda se notabilizou por uma publicidade bem peculiar, mas que dá supercerto. Ela tem comerciais em vídeo tradicionais de telefones, mas também já fez um baseado em filme de terror e um teste de qualidade com um homem vestido com uma roupa de carne.

Um comercial.

E isso vem de longe, porque no primeiro OnePlus ela lançou um concurso para que cem consumidores destruíssem os aparelhos atuais para poderem comprar um OnePlus One por só 1 dólar. A iniciativa era divertida e gerou cenas incríveis, mas também foi criticada por questões econômicas, ambientais e, simplesmente, porque resultava em um aparelho destruído.

Pedras no caminho

Só que nem tudo são flores na vida da OnePlus nos últimos 2 anos. Além dos defeitos do OnePlus 5, a empresa confessou e se desculpou depois de uma denúncia por coletar dados em excesso dos usuários, incluindo informações sobre apps usados, conexão WiFi e IMEI do telefone. Além disso, no comecinho de 2018, o site oficial da OnePlus foi hackeado, e dados de cartões de crédito de consumidores podem ter sido roubados.

A marca também se envolveu em uma treta por causa do cabo e adaptador USB-C lançado em 2015. Depois de uma denúncia de um engenheiro da Google, a empresa confirmou que os produtos podiam danificar aparelhos de outras marcas, em virtude do uso de resistores diferentes dos especificados para esse padrão.

Um cabo.

Apesar das polêmicas, a OnePlus mantém uma reputação excelente e continua expandindo para novos mercados ou ganhando com importações. E junto com outras marcas já citadas, ela ajuda a BBK a ser atualmente a terceira maior fabricante de celulares do mundo, atrás somente de Apple e Samsung. Nada mal para quem começou tão pequeno e há tão pouco tempo.

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E essa é a história da OnePlus, uma empresa superjovem, mas já bem querida pelo público e um exemplo de marca que veio mais ou menos do nada, mas mostrou que é possível, sim, fazer um aparelho diferente e peitar as gigantes. Se você tiver uma indicação de empresa, produto ou serviço para ter a trajetória contada por aqui, é só deixar a sua sugestão nos comentários.