Há quem diga que, eventualmente, a humanidade poderia deixar de praticar religião por conta do constante aumento de ateus e ateias em todo o mundo. Mas se as religiões tradicionais estão perdendo fiéis, novas estão surgindo para cooptar ovelhas para seu rebanho. A mais nova delas, aparentemente, é a “0xΩ” ou “Zero Ex Omega”, uma religião baseada no princípio da tecnologia de blockchain.

Mas não se preocupe, esse pessoal não adora Bitcoin ou Ethereum como se fossem deuses. Em vez disso, eles querem “criar uma consciência coletiva através do consenso” de seus fiéis. Em outras palavras, essas pessoas querem atingir um nível de conexão mental ou espiritual que as permita pensar como uma só mente e, dessa forma, se tornem mais fortes. Se você já assistiu alguma série ou filme da franquia Star Trek, essa história toda pode soar completamente assustadora. Estaria a 0xΩ tentando criar os Borg? — Deus nos dibre.

rainha borgA consciência coletiva quer você!

Matt Liston, um dos fundadores da religião em ex-CEO da Augur, uma empresa que se dedica a criptomoedas, explicou 0xΩ através do Twitter para um curioso. Mas, para falar a verdade, ele deve ter confundido ainda mais a cabeça do cidadão.

“Você pode me explicar o que é a 0xΩ?”, disse uma alma ainda não salva no Twitter. Liston então detalhou a coisa toda em dois tópicos: “1 – é uma rede de pessoas baseada em consenso para crença religiosa e ritualística”, disse Liston. “2 – é uma crença sinergética organizada a partir do consenso para formar uma consciência coletiva e acelerar a chegada até o ‘ponto ômega’”, completou.

Se você não entendeu bulhufas, assim como eu na primeira vez que li a respeito, fique tranquilo. Essa história do “Ponto Ômega” é realmente uma viagem, e o termo foi cunhado por Pierre Teilhard de Chardin — um padre e teólogo francês — para nomear o último e máximo nível de consciência humana.

Essa religião é baseada em blockchain basicamente porque tenta usar vários 'pares' para criar uma rede que, eventualmente, vai 'autenticar' alguma coisa e chegar a um consenso

No fim das contas, essa religião é baseada em blockchain basicamente porque tenta usar vários "pares" para criar uma rede que, eventualmente, vai "autenticar" alguma coisa e chegar a um consenso. É basicamente o “a vontade da maioria” elevado ao extremo. Liston também conversou com o Business Insider sobre o tema, tentando esclarecer a situação.

“Estamos incentivando o compartilhamento de mentes, e eventualmente o upload das nossas mentes para usar o consenso como uma forma de estrutura para uma consciência coletiva. Depois disso, vamos elevar uma interação individual com uma estrutura religiosa como um grupo, participando em uma consciência coletiva na qual a própria estrutura é deus”, disse.

Não sabemos quantas pessoas participam dessa religião, tampouco temos algum perfil desse pessoal para decidirmos se podemos ou não começar a nos preocupar com a possibilidade de sermos assimilados eventualmente. Só não digam que eu não avisei sobre isso quando todos começarem a escutar por aí “Resistance is futile”.