O mundo inteiro ficou impressionado com o funcionamento do Amazon Go, aquele sistema de mercearia automatizada em que você nem precisa pagar, só retirar o produto. Calma, não teremos algo do tipo tão cedo aqui no Brasil, mas a Bematech, empresa pertencente ao grupo TOTVS, está dando longos primeiros passos na direção dessa conectividade entre cliente e estabelecimento.

O TecMundo foi convidado a visitar a nova fábrica da Bematech, localizada na região metropolitana de Curitiba, e aproveitou para conhecer as primeiras iniciativas da companhia em Internet das Coisas (IoT).

A conectividade de dispositivos entre si e com terminais inteligentes é o segredo da marca para garantir um atendimento mais personalizado - sem que ele seja caro ou pouco acessível para comerciantes e lojistas de todos os segmentos e rendas, talvez hoje o principal obstáculo da IoT no Brasil.

Os novos membros da família

A primeira novidade é a plataforma bema, lançada oficialmente em fevereiro, mas ainda recebendo implementações. Esse conjunto de APIs é o responsável por guardar e manipular os dados coletados e enviados pelos terminais de venda e sensores da empresa ou parcerias comerciais.

O carro-chefe do sistema é o bemaGo, um pacote que inclui sensores e um gateway de gerenciamento de conexões. Pense nele como um Google Home ou Amazon Echo, mas com uso direcionado para comércio. Os outros itens inclusos são sensores capazes de medir uma série de dados. Um exemplo é uma loja de roupas que deseje saber quantas pessoas circulam no local, o gênero e até a idade média do público, para aprender mais e melhorar a estratégia de vendas. Já os clientes ganham qualificação e atendimento direcionado e otimizado.

Um dos produtos.

Outro novo produto é o posGo, um terminal de vendas móvel com tela sensível ao toque, leitor de cartão ou código de barras e suporte a sistemas como Apple Pay e Android Pay. Os primeiros pilotos dos dois produtos começaram em abril deste ano e movimentaram R$ 9 milhões em investimento.

Outro produto da TOTVS.

Já o Bemacash Smart é um ponto de venda que faz todo o controle de caixa, estoque e venda em um só sistema para pequenos e microempresários, ou seja, com baixo valor de adesão.

Olhando lá para frente

Pensando no futuro, conhecemos também um totem de publicidade que direciona o anúncio após analisar a sua aparência -  uma mulher de óculos, por exemplo, pode ver na hora um banner de um novo par de óculos feminino.

Um homem em frente a um painelUma demonstração do totem com publicidade direcionada.

O próprio gateway tem possibilidades mais avançadas, como utilizar sensores em produtos de gôndolas de mercados e indicar em uma tela próxima mais informações sobre um item que você pegou com a mão para ver melhor, por exemplo.

E a privacidade disso tudo?

Ter tudo conectado e personalizado é bom, certo? Só que não tem como pensar nisso e também não levar em conta a privacidade e a segurança, temas cada vez mais delicados.

O CEO da Bematech, Eros Jantsch, contou ao TecMundo que a plataforma opera a partir de uma rede de sensores isolada, o que significa que invasores não conseguiriam acesso ao sistema central.

Todas as informações trocadas entre os equipamentos são criptografadas, para que não sejam acessadas de fora.

Já a privacidade é um assunto mais delicado. O executivo comenta que você acaba entregando alguns dados, claro, mas em troca recebe privilégios. "Eu gostaria que os negócios que visito sempre já me conhecessem, soubessem qual o meu perfil", explica, adicionando que a pessoa pode concordar ou não em ter informações coletadas.

Um homem falando.Eros acredita no potencial da IoT e não vê problemas em atendimentos personalizados.

Porém, uma vez no sistema, os clientes cadastrados podem no futuro até serem alterados pelo estabelecimento caso passem próximo a ele e tenham a localização registrada, mesmo sem um aplicativo instalado ou o WiFi conectado.

O espaço da Bematech

A nova planta da Bematech em São José dos Pinhais tem 3 mil m2 e espaço para 250 colaboradores, integrando todas as áreas em um espaço.

A divisão é por células autogerenciáveis de produção que montam até 35 mil produtos ao ano, entre impressoras, computadores e pontos de venda.