De acordo com uma reportagem do The Verge, o CEO do Telegram, o russo Pavel Durov estaria novamente articulando uma rodada de pré-venda secreta da criptomoeda que ele pretende lançar com base no mensageiro. Ainda há pouco detalhamento técnico de como deve funcionar essa moeda, mas, pelo que parece, ela será bem parecida com o projeto do Ethereum, que funciona também como uma plataforma para outras finalidades além de transferência de dinheiro.

Aumentando o total arrecado para algo em torno de US$ 1,6 bilhão antes mesmo do lançamento público

A primeira pré-venda secreta feita pelo Telegram dessas criptomoedas teria arrecadado quase US$ 850 milhões. A intenção de Durov, segundo fontes anônimas do The Verge, seria conseguir a mesma façanha nessa segunda rodada, aumentando o total arrecado para algo em torno de US$ 1,6 bilhão antes mesmo do lançamento público, que supostamente aconteceria em março.

Desconfiança

Apesar de o CEO do Telegram estar conseguindo trazer grandes fundos de investimento norte-americanos para o projeto e arrecadando uma verdadeira fortuna, muitos especialistas no assunto estão desconfiados. Eles acreditam que a criptomoeda do Telegram estaria com o valor inflado por conta do hype e que falta detalhamento da tecnologia que a empresa pretende usar.

Essa moeda estaria sendo desenvolvida com base na tecnologia de blockchain, mas o artigo de apresentação técnico não estaria trazendo informações sobre como a empresa pretende alcançar os objetivos que ela firmou para si mesma com a criptomoeda.

No caso do Telegram há muitas promessas e pouca transparência em como isso tudo seria entregue

“Nós até documentamos em nossa pesquisa que houve uma grande transição de artigos de apresentação mais técnicos para os artigos que se parecem muito mais com propostas de venda”, disse ao The Verge Christian Catalini, professor e fundador do laboratório de “criptoeconomia” no MIT. “Tem havido menos foco nos detalhes técnicos com o passar do tempo e, para alguns, muito mais discurso para vender a visão do projeto. No caso do Telegram há muitas promessas e pouca transparência em como isso tudo seria entregue”, completou.

Outra pessoa que falou abertamente sobre o caso foi Carlos Mosquera, do fundo Solidus Capital. Ele afirmou que sua empresa foi convidada para a primeira pré-venda, mas recebeu três propostas distintas de agentes diferentes com descontos no valor da criptomoeda variando de 30% a 80% em cima do valor que seria cobrado do público no momento do lançamento. Por conta disso, a companhia resolveu não investir.

Apesar da previsão de lançamento público (ICO) da criptomoeda do Telegram estar sendo divulgada como para março, não há nenhuma confirmação oficial a esse respeito no momento.