Pode parecer que foi ontem, mas 2007 já está bem distante da gente. Dez anos mais distante, para sermos mais exatos. Se na nossa vidinha cotidiana isso já representa uma bela passagem de tempo, no mundo da tecnologia uma década é tempo mais do que suficiente para que marcas e produtos surjam, conquistem o mercado e desapareçam como em um passe de mágica. Até os grandes figurões da área costumam mudar nesse tempo, e é exatamente disso que vamos falar hoje.

Se olharmos dez anos para trás, vemos uma indústria tecnológica extremamente polarizada e centrada em dois executivos que, ao longo de uma carreira histórica, provaram que são gênios e visionários, cada um ao seu próprio modo. Sim, estamos introduzindo nomes que, bem, dispensam qualquer introdução: Bill Gates e Steve Jobs. Enquanto o criador dos Macs galgava uma crescente impressionante desde sua volta à Apple, o fundador da Microsoft tinha dado os primeiros passos para se afastar de vez do dia a dia da empresa – tocada por Steve Ballmer.

Ambos foram amigos por um tempo. Depois, se tornaram inimigos. Por volta de 2007? Bem, nessa época eram concorrentes ferozes, mas que, pouco a pouco, começavam a se acertar e reconhecer as forças um do outro. E foi exatamente nesse cenário e nesse ano que a dupla fez uma aparição pública história, durante uma entrevista feita na conferência All Things Digital. Não foi a primeira vez que os dois foram vistos juntos em um palco, mas, com toda a certeza, foi a mais marcante e icônica.

steve jobs bill gates

O papo mediado por Walt Mossberg e Kara Swisher trouxe discussões importantes sobre mercado, produtos, serviços e como personalidades fortes eram praticamente essenciais para carregar suas marcas adiante. Mais do que isso, no entanto, o painel simbolizava o encontro de duas forças gigantescas e que traziam para si o peso de toda uma indústria. Hoje em dia, em pleno 2017, com um setor de tecnologia bem mais abrangente e repleto de players de renome, será que conseguiríamos reproduzir o impacto da foto acima? Quem estaria sentado nessas cadeiras? Vamos aos candidatos.

  • Nota: é impossível não começar a lista com os substitutos diretos (ou quase isso) de Gates e Jobs, certo? Certo. Então vamos lá.

1) Tim Cook

tim cook

Cook é um cara “nascido e criado” dentro da Apple. Entrou lá em 1998 e se tornou o grande nome de logística e vendas dentro da companhia – setores especialmente importantes para os negócios da empresa. Subiu ao posto de CEO depois da morte de Steve Jobs, em 2011, e precisou provar que era um substituto à altura de seu antecessor – uma missão difícil para qualquer um.

Apesar de parte do público criticar a possível falta de criatividade de Cook, o executivo respondeu a tudo com ações e números. Principalmente números. Afinal, sob o comando dele, a Apple se aproxima cada vez de ser a primeira empresa a atingir US$ 1 trilhão em valor de mercado. De quebra, foi o primeiro CEO de uma grande empresa a assumir publicamente a sua homossexualidade.  

2) Satya Nadella

satya nadella

Tomando a cadeira que um dia foi de Bill Gates e apontado para o cargo de CEO pelo próprio executivo, Nadella também abraçou uma tarefa titânica: manter as engrenagens da Microsoft funcionando ao mesmo tempo em que preparava a empresa para o futuro. Fácil, né? Com um estilo mais amigável que o do diretor padrão da indústria e foco completo na prestação de serviços, o indiano parece estar acertando a mão na nova fase da MS.

Seu longo histórico de trabalho com plataformas cloud, por exemplo, ajudou a pavimentar a busca da companhia por novas formas de renda recorrente, como foco para os produtos da família Azure e Microsoft 365. O CEO também abraçou antigos inimigos e concorrentes – incluindo o Linux – e fez algumas aquisições de cair o queixo para reforçar o portfólio da casa. As mais importantes? A rede social corporativa LinkedIn e o estúdio sueco Mojang, criado de nada menos que Minecraft.

3) Elon Musk

elon musk

Quando as pessoas começam a se referir a alguém como “o Tony Stark da vida real”, é melhor você começar a prestar atenção no sujeito. E, convenhamos, ele faz por merecer elogios, já que o sul-africano parece ter uma vida dedicada a resolver as mazelas e chateações da vida ou criar projetos que levem a sociedade a um novo patamar. Tudo isso com um belo modelo de negócios por trás, claro.

Para começar, Musk resolveu criar a Tesla para oferecer ao público carros elétricos “acessíveis”, bonitos, potentes e prontos para o futuro autônomo. Achou pouco? Ele também fundou a SpaceX, uma empresa de exploração espacial que quer baratear as viagens para fora da Terra e que pretende levar a humanidade à Marte. Complete esse currículo com telhas solares, baterias domiciliares e um sistema de vias expressas subterrâneas que querem acabar com o trânsito e dá para ter uma ideia do que o carinha é capaz.

4) Mark Zuckerberg

mark zuckerberg

Simplesmente o cara que colocou as redes sociais no mapa – sorry, Orkut – e que mostrou que esse é um negócio que pode dar muito, muito dinheiro. Só com seu carro-chefe, o Facebook, o ex-aluno de Harvard coleciona 2 bilhões de usuários ao redor do globo e um número obsceno de dados sobre cada um dele. Sim, a plataforma sabe quem você é, do que você gosta, quais são as suas inclinações políticas, que tipo de notícia o agrada e mais uma infinidade de informações que nem você mesmo sabe.

Como se isso não fosse o bastante, o tio Zuck ainda tem uma postura feroz na hora de fazer negócios: venha a mim ou seja aniquilado. Esse modus operandi rendeu ao seu império uma trinca de produtos de peso (WhatsAppInstagram e Oculus) e que faz a companhia ir muito além do arroz com feijão oferecido pelo próprio Facebook. O futuro de Zuckerberg envolve investimentos em vídeo, aposta na produção de conteúdo próprio e oferta de acesso à internet em escala global. Afinal, há mais 5,2 bilhões clientes em potencial dando sopa por aí, certo?

5) Jeff Bezos

jeff bezos

Ok, talvez Mark Zuckerberg não seja tão impiedoso como imaginávamos. Esse posto, porém, pode ser entregue sem muitos problemas a Bezos. Criador, CEO e mente criativa por trás da Amazon, o executivo norte-americano é uma verdadeira máquina. Dorme pouco, trabalha muito e faz – literalmente – bilhões todos os anos. Recentemente, sua fortuna pessoal passou dos US$ 100 bilhões, fazendo com que ele se tornasse a pessoa mais rica do mundo. No entanto, ele não joga só para si.

Sua Loja de Tudo revolucionou o comércio eletrônico e criou um modelo de operação logística que é um verdadeiro balé em escala continental. Bezos também aproveitou o sucesso da Amazon para agregar mais recursos ao portal e capturar de vez o consumidor – que vê cada vez menos necessidade de ir buscar produtos, serviços e até conteúdo fora do site. Além disso, o executivo tem mirado outras indústrias (como a de alimentos e de saúde) para continuar crescendo e, assim como Musk, também aposta no espaço com a sua Blue Origin.

6) Jack Ma

jack ma

Ou “o Jeff Bezos chinês”. O fundador da Alibaba tem uma história de vida que parece um filme, é uma das pessoas mais ricas da China e quer mudar a forma como o mundo vê seu país. Sim, alguns de seus produtos e negócios ainda parecem ser inspirados diretamente pela Amazon ou por outras marcas ocidentais, mas todos eles se provaram um sucesso absoluto e foram colocados à prova em um mercado altamente disputado como o chinês.

Agora, com soluções de e-commerce, nuvem e até de pagamento que atendem centenas de milhões de pessoas na Ásia, Ma começa a mirar seus esforços para o resto do mundo. Se considerarmos o sucesso que os sites criados pelo executivo já fazem com os internautas estrangeiros e os números surreais que a operação cloud da empresa consegue em cima de nomes como Microsoft, Google e Amazon, não fica difícil entender que a China, capitaneada por Ma, é a próxima grande potencial da tecnologia.

7) Sundar Pichai

sundar pichai

Por último, mas não menos importante, temos o atual chefão da Google. Quando houve a grande reformulação dentro da empresa, que acabou resultando na formação da Alphabet, tanto Larry Page quanto Sergey Brin foram cuidar dos negócios da holding. Assim, Pichai precisou assumir a bronca e mostrar que a Gigante das Buscas funcionava mesmo sem os seus fundados envolvidos diretamente na operação da marca.

Ele ainda não trouxe para a Google os mesmos resultados que seu compatriota levou para a Microsoft. Porém, considerando o tamanho do negócio que ele gerencia e suas habilidades e histórico dentro da casa, é de se imaginar que tudo continue bem no horizonte da companhia. Além de ter um dedinho na criação de produtos como Google Chrome, Google Drive, Gmail e Google Maps, Pichai também faz parte do time de Satya Nadella no sentido de ser um líder amigável e mais aberto que os figurões inacessíveis de outros tempos.

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E aí, quem seria a sua dupla de 2017 que poderia reencenar o momento histórico entre Gates e Jobs em 2007 sem passar vergonha? Conte para a gente na seção de comentários quem serias os seus escolhidos ou, caso prefira, dê a sua sugestão sobre que outro executivo fantástico do mundo de tecnologia poderia assumir essa bronca.

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