US$ 10 bilhões

É este o valor que está em jogo no board do Uber enquanto uma disputa entre o ex-CEO da companhia (sim, Travis Kalanick ainda vive) e um de seus maiores investidores, a Benchmark, se desenrola. Feito uma mãe que exige que seus filhos se acertem sozinhos antes de entrar em cena, o fundo do banco japonês SoftBank quer ver a briga acabar antes de fazer o aporte bilionário na empresa de tecnologia.

O Financial Times conta que o conselho ficou reunido por onze horas na quinta, na expectativa de que os dois lados fizessem as pazes - quem sabe um abraço não seria pedir demais? É que faz meses que o investimento do SoftBank está sendo negociado e, ao que tudo indica, falta apenas um aperto de mãos entre Kalanick e Benchmark para o aporte, de fato, acontecer.
 

#FlashbackFriday

Só que briga antiga demora a acabar. Mais cedo este ano, a Benchmark processou o fundador do Uber por acreditar que ele estava fazendo manobras para reter parte do controle da empresa. Antes de ter de se levantar da cadeira do CEO e dar lugar ao iraniano Dara Khosrowshahi, Kalanick conseguiu convencer investidores a criarem três novos assentos no board. Para um deles, indicou a si mesmo. Os outros dois foram apontados por ele também, logo depois de o conselho anunciar que votaria uma medida para reduzir os poderes nas mãos de TK. A ex-CEO da Xerox e um antigo C-level do Merrill Lynch se tornaram, assim, parte da história. Com mais parceiros no board, TK tem mais poder sobre as decisões da empresa.

A indicação deixou o mercado e o Uber boquiabertos, inclusive o novo chefão DK, que até fez textão sobre o assunto.

De volta ao presente

O acordo com o SoftBank é essencial para que o Uber consiga, de fato, virar a página. É que, enquanto as concorrentes travam brigas fora de casa para conquistar fatias maiores do mercado de aplicativo de caronas, a companhia americana ainda está lavando a roupa suja do começo do ano. Fora isso, vale lembrar que o SoftBank é investidor de algumas das maiores rivais do Uber (como a brasileira 99 e a chinesa Didi Chuxing).

Por enquanto, a briga segue num impasse. Kalanick concordou em buscar aprovação do board da próxima vez que for fazer qualquer indicação, com a condição de que a Benchmark desista do processo contra ele. A investidora disse que pode até concordar, mas não está disposta a fazer a promessa por escrito. Enquanto nem um, nem outro parece ceder, o SoftBank e seus bilhões ficam em stand by.

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