Embora o serviço tenha começado como uma espécie de clone do WhatsApp, bastou que a população chinesa adotasse o WeChat para que ele ganhasse seu lugar ao sol. Hoje, o app mistura elementos de rede social, mensageiros instantâneos e mural de recados – entre outros recursos – e é o comunicador preferido tanto dos internautas quanto das empresas do país. Claro que, diante de uma ferramenta tão poderosa de comunicação, o governo chinês resolveu tomar algumas medidas para controlar a troca de informações na plataforma.

A descoberta foi feita por um grupo de pesquisadores da Universidade de Toronto, no Canadá, que, mediante uma série de testes, constataram que a China aplica uma espécie de censura silenciosa nas conversas através do aplicativo. O processo de repressão de alguns termos e frases é tão natural e discreto que, na maioria dos casos, nem o destinatário nem o remetente das mensagens sabe que partes do bate-papo estão sendo suprimidas em tempo real.

WeChat é mais um mensageiro cheio de recursos para as plataformas mobile

De olho na galera

De acordo com o The Citizen Lab, muito dessa “furtividade” do sistema censor vem do fato de ele ser aplicado mais firmemente em chats em grupo do que em conversas diretas entre duas pessoas – embora isso não signifique que esses casos estejam livres do olhar do governo. Para conferir exatamente o que passa ou fica retido no filtro chinês, o time engatou um processo intensivo de testes em junho deste ano, simulando tanto uma conversa entre um usuário chinês e um canadense por meio do WeChat quanto uma interação em grupo no mesmo sistema.

Nessa etapa, a equipe testou um catálogo com 26.821 palavras-chave reconhecidamente sensíveis para o “Grande Irmão” chinês, a maioria delas com um histórico de censura em outros serviços online locais – como o Tom-Skype, versão customizada do Skype para a China, e o YY, um app para transmissão de vídeos ao vivo. No caso do papo um a um, apenas um dos itens enviados pelo “internauta chinês” – um dos pesquisadores usando um serviço de proxy – foi removido do chat do receptor canadense.

Das cinco mensagens enviadas, apenas três chegaram ao seu destino

Porém, quando a conversa passou para uma sala com mais integrantes, os bloqueios se multiplicaram rapidamente. As palavras que parecem se destacar mais entre as banidas são aquelas que fazem referência a protestos históricos no país ou que possivelmente dão a entender qualquer tipo de insatisfação com as políticas do governo. Isso pode explicar o motivo de os grupos serem bem mais censurados do que os indivíduos, já que nos chats entre múltiplas pessoas crescem as chances de organização de atos civis.

As ferramentas de censura só são ativadas para perfis com um número de telefone chinês

“O fato de que você pode alcançar mais do que apenas uma pessoa aumenta o risco de que isso possa se tornar viral ou causar protestos nas ruas”, acredita Jason Q. Ng, um dos pesquisadores do The Citizen Lab. Outra descoberta dele e de seus colegas foi que as ferramentas de censura só são ativadas para quem cria uma conta no app associando seu perfil a um número de telefone chinês. Nesse caso, mesmo se você for morar em outro país, os termos bloqueados se mantêm, assim como o monitoramento dos bate-papos.

E em terras tupiniquins?

Com base nesse estudo, dá para especular que, muito provavelmente, os usuários brasileiros não são afetados por esse “recurso escondido” do programa. No entanto, como há uma porta feita exatamente para esse tipo de interação maliciosa, pode ser uma boa ideia não passar informações sensíveis ou sigilosas através do serviço. Vale lembrar que, aqui no Brasil, o WeChat já recebeu uma campanha para tentar conquistar os internautas locais. A estratégia nacional contou até com a presença de Neymar como garoto-propaganda.

E aí, você costuma dar uma chance para o programa chinês ou fica apenas dividindo o seu tempo entre WhatsApp e Telegram? Deixe o seu comentário mais abaixo.

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