A discussão é antiga e, no final das contas, pode não levar a lugar algum: por que a Apple não coloca mais do que 1 GB de RAM em seus smartphones? Esse questionamento, na realidade, poderia ser colocado de outra maneira de forma a não perder o sentido da pergunta: por que os aparelhos equipados com Android precisam de 2 GB ou 3 GB de memória para rodar com a mesma fluidez que os iPhones?

Essa “inversão” na pergunta é possível e necessária exatamente por causa da explicação. Na verdade, gostando ou não da resposta, são os dispositivos equipados com o sistema operacional da Google que exigem essa quantidade de RAM por causa de um mecanismo presente na linguagem de programação sobre a qual suas aplicações são escritas. Ou seja, até o presente momento, o iOS dispensa o uso de mais memória para entregar a mesma fluidez que um aparelho Android.

Entendendo a discussão

Quando a Apple anunciou os novos iPhones, pessoas de todo mundo criticaram a empresa por causa do uso de apenas 1 GB de memória RAM. O argumento contra essa medida é simples: enquanto alguns aparelhos equipados com Android utilizam 2 GB ou até 3 GB, a Gigante da Maçã resolveu optar por manter a mesma quantidade, o que quase configurou um “roubo” aos bolsos na visão de alguns consumidores.

No entanto, os indivíduos que tecem esse argumento se esquecem de um detalhe muito importante: as duas plataformas, o iOS e o Android, são completamente diferentes e lidam com a memória RAM de formas também distintas. Portanto, não podemos usar os mesmos “pesos e medidas” para comparar cada uma dessas alternativas de sistemas operacionais.

Então, quem é o “culpado”?

O motivo pelo qual o Android precisa de mais memória RAM para funcionar com qualidade é a existência de um mecanismo chamado “garbage collector” (em tradução livre, “coletor de lixo”) dentro do Java. Para os que não sabem, Java é a linguagem sobre a qual todos os aplicativos do SO da Google são escritos.

Esse mecanismo funciona exatamente como a tradução sugere: atuando como um reciclador de memória, o “garbage collector” faz uma coleta de lixo quando um aplicativo é fechado para liberar mais espaço. Na realidade, de acordo com a própria documentação do Java, esse mecanismo não tem momento para funcionar, podendo ser invocado pelo programador, mas atuando apenas quando necessário.

Para que essa ação de limpeza seja concluída, é necessário de, pelo menos, quatro vezes mais memória do que o que foi utilizado pelo aplicativo enquanto ele estava aberto. Isso explica o motivo pelo qual a quantidade de RAM é crescente em dispositivos equipados com Android.

Já que o iOS não possui um mecanismo como o “garbage collector”, não há a necessidade de um aumento efetivo na quantidade de memória RAM. Portanto, a Apple consegue entregar um desempenho similar (às vezes melhor, às vezes pior) do que aparelhos com o SO da Google.

Conclusão

Podemos tirar duas conclusões muito importantes sobre toda essa discussão: a primeira delas, e mais importante, é sobre a diferença de arquitetura existente entre o iOS e a Android. O fato de a Apple conseguir entregar uma boa performance com apenas 1 GB não significa que ela (e seus dispositivos) sejam melhor do que o Android (e seus aparelhos). São dois “universos” completamente distintos e uma comparação simples e pura de especificações técnicas não faz o menor sentido.

A segunda lição diz respeito às criticas que foram endereçadas a Apple quando ela anunciou os iPhones: com uma arquitetura que permite fazer isso, a companhia investe pesado no desempenho de seu software em vez de se preocupar muito com a evolução de hardware (não que ela não o faça). Por conta disso, não adianta observar apenas as melhorias das especificações técnicas, mas sim aquelas que aconteceram no próprio iOS.

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Por isso, não adianta brigar. As duas companhias entregam o que há de melhor aos seus consumidores, cada uma com suas limitações, mas sempre trazendo produtos que nos encantam e atendem a todas as nossas necessidades.

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