Infelizmente, o câncer é uma doença cujo o número de casos está crescendo em todo mundo, sobretudo por causa do aumento da longevidade das pessoas. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), é de mais de 576 mil casos em 2014, um aumento de 11% em relação aos estimados para os anos de 2012 e 2013.

Nos últimos anos, o tratamento da doença também avançou, inclusive no âmbito tecnológico. Quem diria que hoje estaríamos usando GPUs encontradas em computadores e video games para melhorar o processamento de imagens de exames oncológicos? Nos Estados Unidos, um grupo de médicos descobriu como utilizar o recurso para melhorar o tempo de análises de tumores.

Além disso, o seu smartphone pode ajudar em pesquisas da doença, fazendo parte de um supercomputador. O melhor de tudo é que isso não afeta o seu uso diário, já que basta usar um app durante a madrugada.

GPUs ajudam em exames oncológicos

O poder de processamento gráfico dos consoles e computadores, o mesmo que deixa os jogadores por horas e horas em frente à televisão, agora também pode ser usado para tratar o câncer. No começo deste mês, médicos da Universidade de Texas e do Centro Médico de Dallas anunciaram a implementação de uma tecnologia de processamento encontrada nos video games em radioterapias para pacientes com câncer com o objetivo ajudá-los na recuperação.

“A equipe usou GPUs para acelerar os cálculos e analisar imagens de tumores na radioterapia do câncer”, afirmou Steve Jiang, professor e diretor da Divisão Física Médica e Engenharia e também vice-presidente do Departamento de Radiação Oncológica da Universidade do Texas. As placas de vídeo usadas nos laboratórios são as mesmas encontradas em computadores pessoais, podendo ser adquiridas em qualquer loja de informática. O estudo começou há alguns anos, em 2009. Naquela época, as GPUs ainda não eram usadas comumente em computação científica.

Como funciona

Quando os pacientes com câncer são submetidos ao tratamento de radioterapia, uma tomografia é realizada para fornecer aos médicos um visual do tecido doente e do tumor. Assim, os médicos desenvolvem um plano de tratamento personalizado para cada paciente, que vai receber a radioterapia diariamente durante várias semanas. No entanto, todos os pacientes que realizam o tratamento têm o tumor e o tecido doente modificado”, explica Jiang. "Assim, novas imagens devem ser realizadas", completa.

Steve Jiang

Atualmente, os escaneadores comuns usam unidades de processamento central, nas quais são necessárias 70 horas para se criar uma imagem — o que é clinicamente impraticável. Com o uso de GPUs, esse o tempo do procedimento cai para apena 10 segundos!

“Um tumor pode encolher em reposta à radioterapia e os órgãos podem mudar”, disse Jiang. "Desde que possamos realizar um cálculo rápido (com GPUs), também é possível desenvolver um novo plano com base na anatomia atual. Nós fazemos isso não apenas para nos divertir ou para publicar artigos, mas também porque queremos ajudar os nossos pacientes”.

Segundo Jiang, o sucesso da implementação de GPUs em radioterapia se dá ao desejo dos jogadores por uma melhor qualidade de gráficos. Para melhorar essa tecnologia, os engenheiros precisam usar processadores que geram mais pixels de imagem de maneira simultânea.

As GPUs executam várias tarefas paralelamente, significando que não é necessário terminar um trabalho antes de se iniciar o outro", afirma Hector Marinez, diretor de comunicação da NVIDIA. Ele ainda completa: “Nos últimos anos, vimos diferentes usos para uma GPU. E, com tantas informações, são necessárias ferramentas que podem processá-las mais rapidamente”. 

Jiang diz que este recurso é barato e poderoso, mas que há alguma resistência por parte das pessoas mais velhas. No entanto, ele acredita que em breve isso vai mudar.

Smartphone na pesquisa contra o câncer

Se o uso de GPUs fica restrito a médicos e cientistas que estudam a respeito de novas tecnologias para o tratamento e combate ao câncer, um smartphone também pode ser o aliado em pesquisas da doença por qualquer pessoa.

A possibilidade se dá a partir de um app chamado Power Sleep. Essa ferramenta utiliza o hardware do seu dispositivo enquanto você está dormindo durante a madrugada. O aplicativo foi desenvolvido pela Samsung em conjunto com a universidade de Viena, tornando o seu smartphone parte de um supercomputador colaborativo.

À primeira vista, o aplicativo é semelhante a um alarme que pode ser configurado antes de você ir dormir. No entanto, durante a madrugada, o aplicativo vai usar o processador do seu smartphone para rodar dados e enviá-los para o servidor da universidade.

Segundo os desenvolvedores, o aplicativo funciona quando a bateria está carregada totalmente. Assim, ele deve estar conectado na tomada durante todo esse tempo. O dispositivo funciona normalmente durante o período. Para finalizar, como o recurso envia informações para um servidor, você deve ligar o WiFi para não gastar o seu plano de dados.

App contra o câncer de pele

Recentemente, também foi disponibilizado outro app que ajuda no combate ao câncer, mas este atua de forma diferente. Batizado de FotoSkin, a ferramenta usa fotos de pintas e manchas do seu corpo para lhe informar a respeito de um possível câncer de pele.

De acordo o Ministério da Saúde, anualmente são mais de 120 mil casos de câncer de pele registrados no Brasil. O uso de protetor solar e também evitar horários nos quais o sol está mais “forte” são algumas das recomendações para se impedir a doença.

O FotoSkin é um app para dispositivos iOS e Android que pode ser usado para educá-lo a se prevenir do câncer de pele, bem como criar um histórico para diagnosticar um possível caso da doença. O app é baseado nos conhecimentos de uma clínica dermatológica espanhola. Além disso, ele conta com três sessões principais: "Mi piel" (Minha pele), "Mi control" (Meu controle) e "Mi entorno" (Meu entorno).

O primeiro, “Mi piel”, conta com três testes que devem ser completados. Eles mostram qual é o fototipo da sua pele, o risco de melanoma e o dano solar que a sua pele já recebeu.

Enquanto isso, o Mi control pode ser usado para manter o controle das mudanças na pele, o que é importante para diagnosticar algum mal. Nessa área, você deve salvar as fotos de partes do seu corpo. Depois, basta selecionar um intervalo para que o aplicativo lhe avise para realizar um novo registro para a comparação, fazendo com que seja possível perceber rapidamente o que acontece na sua pele.

A ferramenta “Mi entorno” é mais simples. Como o aplicativo usa a sua localização, ele também mostra o clima local junto com a incidência do sol na região, alertando para a necessidade de se usar protetor solar. Também há uma seção no FotoSkin que exibe conselhos, dicas e fotos a respeito do câncer de pele.

Importante: O FotoSkin não deve ser usado para substituir os cuidados médicos, por isso, mesmo utilizando a ferramenta, visite um dermatologista regularmente.

E vocês, caros leitores do TecMundo, já ouviram falar de pesquisas parecidas com essas ou já contribuíram para elas? Contem para nós nos comentários.

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