Há poucas semanas de finalmente disponibilizar seu poderoso chip Helio X20 às fabricantes de todo o mundo, a MediaTek realizou na manhã desta quinta-feira (19), em São Paulo, um evento focado em sua maior especialidade: semicondutores para smartphones e tablets. O encontro voltado para jornalistas permitiu que executivos da empresa taiwanesa pudessem se aprofundar mais no segmento e explicar como as atuais soluções da casa prometem mudar o cenário mobile – trazendo performance a um custo consideravelmente mais suave de energia.

Apelidado de Techdive pela companhia, o bate-papo realmente serviu para dar um mergulho em todo o histórico e a evolução da tecnologia. Quem deu início à conversa e teve a tarefa de falar sobre o complexo processo de criação dos SoC foi Hernan Descalzi, gerente de vendas e marketing da MediaTek na América Latina. De maneira simplificada, o executivo falou sobre como a invenção e a evolução rápida dos transistores permitiram que os computadores e dispositivos em geral se tornassem cada vez mais velozes, menores e eficientes.

Produção de ponta

Para dar uma escala do quanto esse mercado se desenvolveu em pouco tempo, ele citou o simples fato de que um processador atual comum para celulares, com cerca de 2,5 bilhões de transistores, ocupa cerca de 20 nanômetros de espaço. Se isso fosse convertido para os anos 1970, por exemplo, o brinquedinho ocuparia um apartamento de 36 metros quadrados. Uma bela mudança, não é? Apesar da brincadeira, Descalzi voltou a falar sério para dizer que, mesmo com as constantes reduções de custos, a produção de chips ainda é dispendiosa.

“É preciso fabricar em alta quantidade para suavizar os gastos, já que todo o processo de criação dessas peças é bem caro”, lembrou, mostrando que os custos de desenvolvimento inicial – que envolvem o projeto do hardware – e da fabricação em si podem chegar na casa das dezenas bilhões de dólares. Para compensar, a integração de cada vez mais recursos ao SoC – como GPS, WiFi e outras funções –, ainda que torne a produção mais complexa, ajuda a melhorar ainda mais a eficiência do equipamento.

Claro que, para eliminar qualquer chance de um projeto não tão otimizado passar para a linha de produção bilionária da empresa, cada versão prévia dos produtos é testada virtualmente à exaustão. O sistema criado pela companhia envolve uma combinação poderosa de simulações de usos de todo o tipo, utilizando tanto soluções de hardware quanto de software para garantir que tudo esteja dentro dos conformes. Assim, fica mais fácil prever o poder de futuros chips e até apontar qual a temperatura esperada para o item com aplicativos pesados.

Complexidade e eficiência

Em seguida, foi a vez de Samir Vani, gerente sênior de vendas corporativas da MediaTek na América Latina, falar um pouquinho sobre o atual flagship da marca, o Helio X20 e o que levou a empresa a apostar em um chip com o número nada modesto de dez núcleos. “O público quer um dispositivo que possa ser usado durante o dia todo. Dependemos cada vez mais dos celulares e, muitas vezes, eles não aguentam nossa rotina diária”, analisou o executivo. Apesar disso, é comum que não queiramos abrir mão de desempenho para que o aparelho dure mais.

Para os taiwaneses, a solução foi investir em um equilíbrio fino entre performance e eficiência com a introdução da arquitetura Tri-Cluster com o auxílio do recurso Corepilot 3.0. À grosso modo, essa seção extra dentro do chip analisa as tarefas realizadas no smartphone ou tablet, administra as requisições e, por fim, decide a prioridade dos clusters internos de processamento nessa brincadeira. No entanto, teoricamente, o processo só funciona em alto nível por conta de o novo SoC conter três unidades distintas de cálculos.

Enquanto em geral os chipsets mais tradicionais jogam apenas os programas que exigem pouca performance para o conjunto de CPUs mais básico e as atividades medianas e avançadas para a unidade integrada rodando a todo o vapor, o Helio X20 adiciona um estágio intermediário a esse esquema. Desse modo, apps e usos rotineiros do usuário podem ser direcionados para esse bloco extra e que fica no meio do caminho em questão de potência – suavizando a curva de desempenho e consumo de energia do equipamento.

Esse trio permite que a MediaTek possa se concentrar em outra grande preocupação tanto para os clientes como para a própria companhia, a temperatura. Sem querer tocar o dedo na ferida de alguns de seus concorrentes, mas fazendo isso mesmo assim, Vani comentou que a estratégia da empresa é simples: “Melhor do que resfriar o SoC, é não deixá-lo esquentar”. Para isso, o hardware conta com um sistema que não apenas diminui o clock do processador quando ele chega a um certo limite, mas volta a subi-lo através de pequenos ajustes.

Para demonstrar a eficiência da medida, foi exibido um vídeo em que um celular com o chipset da companhia e outro com uma solução de terceiros são testados apoiados em tabletes de chocolate. Com o tempo e o uso intenso, o segundo aparelho logo começa a derreter o alimento – para tristeza dos chocólatras. No final da apresentação, o executivo também falou da importância de mesclar softwares de benchmark para que se tenha uma visão mais completa da performance do produto e de como a nova versão do AnTuTu – com testes aperfeiçoados para CPU e interface – devem ajudar ainda mais nesse aspecto.

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