A LG resolveu lançar no mercado global uma série de smartphones intermediários, e cada um deles tem uma “especialidade”, uma característica que deveria se destacar.

Clientes que querem uma boa câmera acima de tudo

A ideia é atrair aqueles clientes que querem uma boa câmera acima de tudo, ou uma tela mais interessante, um design mais estiloso, e por aí vai. O LG X Cam é a aposta da marca para encantar quem curte muito fazer fotos com o celular e gosta de ficar brincando com os recursos de imagem.

Para isso, a fabricante embarcou um sistema de câmera duplo na traseira do dispositivo, o que possibilitou incluir uma série de truques interessantes no app de captura. Mas será que o LG X Cam consegue mesmo fazer boas fotos?

Câmera

Como o foco do X Cam são as suas capacidades fotográficas, vamos começar a analisá-lo por esse ponto. O smartphone tem um sistema duplo de câmeras na parte traseira que possibilita usar alguns recursos diferentes e que podem ser bem interessantes. Contudo, a qualidade das imagens de forma alguma é afetada por isso. Nem para melhor, nem para pior.

Uma das câmeras possui uma lente com campo de 78° de visão, enquanto a outra possui 120°. Isso quer dizer que a segunda câmera consegue cobrir quase o dobro da área de visão da primeira. Dessa forma, dá para colocar mais pessoas no mesmo quadro ou capturar uma fotografia com mais informação de uma bela paisagem, por exemplo.

No modo “Pop Up”, você consegue criar uma espécie de bolha no meio da imagem para destacar algum elemento. É possível aplicar efeitos de forma separada, dentro e fora da bolha, dar zoom digital individualmente, e assim por diante. Afinal, são duas câmeras. Mais uma vez, nada disso influencia na qualidade das fotos, mas apenas oferece recursos extras.

Consegue criar uma espécie de bolha no meio da imagem para destacar algum elemento

Falando em qualidade das imagens, não ficamos muito impressionados com elas. Como se trata de um aparelho focado em câmera, esperávamos mais do que vimos. As capturas feitas com o X Cam são bem medianas e não ultrapassam a qualidade das do Moto G4, por exemplo, muito menos das do Galaxy A5 (2016).

O alcance dinâmico não é muito bom, e capturas que mostram o céu sempre ficam estouradas. Se você fotografar ou filmar algum ambiente interno que tenha uma janela, é possível que a qualidade fique comprometida por conta da luz exterior também. A reprodução das cores é bem mediana para a categoria, com imagens pouco saturadas, onde tudo parece meio sem graça, com cores lavadas.

Em nossos testes, o foco foi bem problemático. Ele é lento, como em praticamente todo intermediário, e requer muito esforço do usuário para ficar bom e conseguir nitidez. Na maioria das vezes, é possível ver muita granulação assim que você coloca zoom da imagem.

Tirar fotos em ambientes escuros é bem difícil, mas, com algum esforço, você até consegue algumas capturas utilizáveis, como as que você vê na galeria. A câmera frontal, por sua vez, é bem mediana e não se destaca em absolutamente nada. Você até consegue fazer imagens ok quando há boa luz (luz do sol), mas, em outras situações, é melhor deixá-la de lado.

Desempenho

Esse celular não é para jogar. O desempenho dele é ok para games básicos e até intermediários, como Candy Crush e Horizon Chase, mas ele não vai conseguir entregar uma boa experiência em títulos mais exigentes. Games como Modern Combat 5, NFS Most Wanted, FIFA17 e outros do tipo não funcionam bem ou sequer funcionam no X Cam.

Claro que esse smartphone não é para jogos, mas ele realiza a maioria das tarefas cotidianas sem maiores problemas. Você consegue navegar na internet, mandar mensagens e usar apps de redes sociais e de notícias tranquilamente. Só tenha em mente que a experiência vai ser um pouco lenta e, em alguns casos, meio travada na rolagem de página.

O smartphone não esquenta quando você o força ao extremo, mas, quando ele está atualizado os app pela Google Play, é praticamente impossível utilizá-lo. Há tanto lag que é melhor deixá-lo de lado até conseguir completar a tarefa. Confira agora os benchmarks.

Benchmarks

Para a realização desta análise, submetemos o LG X Cam a cinco aplicativos de benchmark. São eles: 3D Mark (Ice Storm Unlimited), AnTuTu Benchmark 6, Basemark X, GFX Bench (T-Rex HD Off Screen e T-Rex HD On Screen) e Vellamo Mobile Benchmark (HTML 5 e Metal).

O teste Ice Storm Unlimited, do 3D Mark, é utilizado para fazer comparações diretas entre processadores e GPUs. Fatores como resolução do display podem afetar o resultado final. Quanto maior a pontuação, melhor é o desempenho.

Um dos aplicativos de benchmark mais conceituados em sua categoria, o AnTuTu Benchmark 6 faz testes de interface, CPU, GPU e memória RAM. Os resultados são somados e geram uma pontuação final. Quanto maior a pontuação, melhor é o desempenho.

O Basemark X tem como foco principal mensurar a qualidade gráfica dos dispositivos. Baseado na engine Unity 4, o app aplica testes de alta densidade, mostrando qual dos aparelhos se sai melhor na execução de jogos. Quanto maior a pontuação, melhor é o desempenho.

O GFX Bench é voltado para mensurar a qualidade gráfica. Isso inclui itens como estabilidade de desempenho, qualidade de renderização e consumo de energia. Os resultados são revelados em média de frames por segundo (fps). Quanto maior a pontuação, melhor é o desempenho.

O Vellamo Mobile Benchmark aplica dois testes ao aparelho: HTML5 e Metal. No primeiro deles é avaliado o desempenho do celular no acesso direto à internet via browser. Já no teste Metal, o número final indica a performance do processador. Quanto maior a pontuação, melhor é o desempenho.

Design

O foco desse modelo seria a sua qualidade de câmera, mas, como foi possível perceber, ele não é lá grande coisa nesse departamento. No design, entretanto, a LG acertou. Trata-se de um smartphone bonito e bem elaborado. Apesar de ele ser feito todo em plástico e vidro, seu visual lembra muito aparelhos de metal. A moldura frontal e alguns detalhes parecem feitos de aço escovado. As bordas acima e abaixo da tela são curvadas, o que deixa o dispositivo com um visual bem único e chamativo.

Seu visual lembra muito aparelhos de metal

Ele também é muito fino, medindo apenas 6,9 mm de espessura e surpreendentemente leve, 118 g. Quando você o pega nas mãos, é até uma surpresa. Ainda assim, a bateria não é tão pequena (apesar de não ser realmente satisfatória).

Contudo, ele não passa uma sensação de durabilidade. As laterais têm um acabamento cromado, e existe a possibilidade de isso descascar com o tempo. A tampa traseira, com pintura fosca, também pode riscar e desgastar-se com certa facilidade.

Em resumo, apesar de bonito e compacto, ele não tem uma boa qualidade de acabamento. Vale destacar também o fato de ele possuir uma bandeja dual-SIM compartilhada com cartão micro SD. Isso quer dizer que é possível usar dois chips de operadora ao mesmo tempo o X Cam, mas não quando você deseja ter um cartão de memória lá dentro. Uma prática condenável que a empresa adquiriu da Samsung.

Tela

A tela do LG X Cam é de boa qualidade. Sua resolução é Full HD, mais do que suficiente para um display que mede 5,2’’ na diagonal. Isso gera uma densidade de pixels bem além do mínio necessário para o olho humano deixar de enxergar os pontilhados.

A tela oferece amplos ângulos de visão e um bom nível máximo de brilho

Fora essa questão técnica, a tela oferece amplos ângulos de visão e um bom nível máximo de brilho. Dessa forma, você vai conseguir enxergar bem tudo o que aparece no visor em qualquer condição, mesmo com ele meio de lado ou sob sol forte.

A reprodução das cores, por sua vez, não é das melhores, mas está em par com o que é oferecido por outros dispositivos da categoria, porém bem abaixo do que é possível ver no Galaxy A5 (2016), que tem um display Super AMOLED. As cores no X Cam ficam sempre meio lavadas, e a impressão que dá é que a iluminação do LCD interfere muito nisso.

Software

Não há nada de especial no software do X Cam além do app de câmera, que possui uma série de pequenas funções para mexer com as imagens. A personalização que a LG colocou por cima do Android Marshmallow 6.0 deste aparelho não é das piores, mas certamente poderia melhorar. O visual é meio elaborado demais, muito brilhoso e cheio de efeitos que a LG já tinha eliminado em outras implementações do Robô em seus celulares.

A empresa deixou o Material Design e o minimalismo totalmente de lado e apostou em uma interface que parece aquelas de marcas como a Meizu: muito contraste, ícones elaborados demais e efeitos meio bregas (especialmente o de desbloqueio).

A LG eliminou também a gaveta de apps, fazendo com que todos os ícones agora tenham que ficar jogados na sua tela inicial. Você pode organizar tudo a seu gosto em pastas, mas quem é que tem tempo ou vontade para fazer isso? No final, a interface pode virar uma bagunça. Recomendamos instalar um launcher alternativo.

Bateria

Nós conseguimos esgotar toda a bateria do LG X Cam em cinco horas, executando vídeo no YouTube de forma contínua, com brilho da tela no máximo e WiFi ligado. Essa é uma marca ok para a categoria, mas não para um smartphone focado em fotografia. Tirar muitas fotos gasta bateria mais do que você pode esperar, e esse smartphone não vai dar conta de um dia inteiro longe das tomadas em um passeio com muitas capturas.

Na verdade, ele mal consegue passar um dia normal com sua carga completa. Se você apenas mandar mensagens, navegar na web e tirar algumas poucas fotos, a bateria já estará com 30% ou menos no início da noite/fim da tarde. Mas isso não é exatamente ruim para a categoria dos intermediários, que normalmente têm autonomia fraca.

Vale a pena?

A posposta da LG com o X Cam é atrair os usuários que gostam de fazer muitas fotografias. O celular tem um sistema duplo de câmeras na parte de traz e uma série de pequenos recursos nesse sentido. Contudo, ele não consegue fazer capturas melhores que as dos concorrentes da mesma faixa de preço.

Ele não consegue fazer capturas melhores que as dos concorrentes da mesma faixa de preço

Basicamente, as duas câmeras na parte traseira não influenciam na qualidade de imagem, uma vez que não trabalham juntas. Elas são mais um recurso curioso do que realmente uma utilidade. Para fazer um aparelho focado em câmera, a LG deveria ter colocado nesse modelo um sensor só, mas de qualidade, em vez de dois que não são bons.

Smartphones como o Moto G4 e o Galaxy A5 (2016) tiram fotos melhores ou iguais às do X Cam e ainda possuem desempenho geral melhor. Ou seja, não existe razão para comprar o smartphone da LG se o seu foco é realmente a câmera. Apesar disso, ele não é um dispositivo terrível, só está posicionado acima da faixa de preço que pode ser considerada justa. Hoje, você pode comprá-lo por algo em torno de R$ 1.200.

O que mais chama atenção no X Cam é o seu design curioso, leveza e espessura reduzida. Mas até nisso, seus concorrentes podem vencê-lo com facilidade. O A5 é mais bonito e durável, e o G4 vence o X Cam em todos os benchmarks que utilizamos para testes. Portanto, enquanto o smartphone da LG custar mais de R$ 900, não vale a pena comprá-lo.

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Perguntas dos leitores

1. O aparelho é de metal ou só possui o efeito metalizado?

Ele não é de metal. Ele é todo construído em plástico, com efeito metalizado na parte da frente, em volta da tela e em toda a traseira. O acabamento não parece muito durável.

2. A bateria dura?

Para um dia de uso bem simples, até dura. Mas para fazer muitas fotos, como a LG quer que você use o X Cam, ele não é muito interessante.

3. A câmera perde muita qualidade a noite?

Perde sim. As fotos ficam bem ruins com pouca luz. Se você tiver uma cena boa e paciência com o foco, entretanto, pode conseguir boas imagens.

4. A câmera frontal é 5 ou 8 MP?

É de 8 MP! Houve uma confusão ao falarmos das especificações no vídeo de primeiras impressões. O correto é 13 + 5 MP na traseira e 8 MP na frente. Desculpem o inconveniente.

5. Ele consegue ser um bom concorrente para o Galaxy A5 (2016) e o Moto G4 Plus?

Não. Ambos os concorrentes são bem melhores que o modelo da LG em quase todos os aspectos.

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