Uma informação obtida pela equipe da IstoÉ Dinheiro pode soar como algo bastante negativo não apenas para o mercado nacional, mas também para os fãs da Apple. De acordo com a publicação, a Foxconn, empresa chinesa responsável pela fabricação dos produtos da Maçã em solo nacional, vai encerrar essa atividade por aqui e focar em outros negócios menores.

Segundo relatos ouvidos pela equipe, a empresa começou a demitir funcionários das fábricas de Manaus (AM), Santa Rita do Sapucaí (MG) e Jundiaí em abril deste ano, e a ideia é que suas instalações deixem de funcionar até dezembro.

E o que deu errado?

Se a essa altura a pergunta acima passou pela sua cabeça, há algumas explicações para isso. Uma delas é a falta de rentabilidade do investimento, já que produzir os aparelhos da Apple por aqui é muito mais caro do que realizar o mesmo procedimento na China. Para efeito de comparação, estima-se que fabricar um iPhone 7 em solo nacional custe quase R$ 1 mil (sem considerar impostos), enquanto na Ásia esse valor é de US$ 224 (cerca de R$ 740).

Fábrica da Foxconn

Além disso, também devemos destacar aqui o fato de que a Lei de Informática, que seria capaz de reduzir até 95% do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) dependendo da região, vem sendo contestada na Organização Mundial do Comércio (OMC), bem como o fato de que o presidente norte-americano Donald Trump tem pressionado a Apple para que seus produtos sejam fabricados na terra do Tio Sam.

Somente esse último ponto fez com que a Foxconn reservasse um montante considerável para investir nos Estados Unidos, e isso certamente se chocou contra os interesses da empresa de continuar se mantendo por aqui. Estima-se que a fabricante esteja estudando injetar aproximadamente US$ 10 bilhões nos Estados Unidos na tentativa de manter seus produtos no radar do público norte-americano.

Por fim, também é válido mencionar o espaço que a Apple vinha perdendo no mercado brasileiro. Em 2016, por exemplo, o setor de tablets viu o seu segundo ano de queda consecutiva, diminuindo em 32%. Já no que diz respeito ao iPhone, o aparelho da Maçã teve sua participação diminuída pela metade entre março de 2016 e o mesmo mês deste ano.

Já no que diz respeito ao iPhone, o aparelho da Maçã teve sua participação diminuída pela metade entre março de 2016 e o mesmo mês deste ano

E os funcionários? E o mercado?

Caso esteja curioso para saber este dado, foi revelado que a força de trabalho na Foxconn nunca passou de 10 mil empregados, sendo que apenas na fábrica de Jundiaí esse montante era de aproximadamente quatro mil pessoas.

Quanto ao investimento, inicialmente a Foxconn havia prometido injetar US$ 12 bilhões no mercado nacional, mas a IstoÉ Dinheiro acredita que esse valor nunca tenha sido alcançado ao longo dos anos em que a companhia esteve por aqui.

Um detalhe importante nessa história toda é o fato de que os produtos da Apple certamente vão ficar mais caros por aqui. Aliás, um motivo para tudo isso ter acontecido talvez tenha sido o fato de que o governo brasileiro quer que as empresas invistam no país para gerar emprego em vez de vender seus produtos, o que acaba encarecendo esses aparelhos caso não sejam fabricados por aqui. E, pelo andar da carruagem, é bem provável que esse cenário de encarecimento se torne real em um futuro próximo.

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