A web pode parar?

A internet como você conhece está próxima do fim. Calma, não é preciso entrar em pânico ou correr para baixar tudo aquilo que você deseja antes que alguma espécie de apocalipse aconteça. A solução para o fim da internet já foi encontrada e atende pelo nome de IPv6.

Já em funcionamento em alguns sites, como o YouTube, o novo protocolo permitirá ampliar as possibilidades de acesso à rede de uma maneira sem precedentes. Entenda exatamente o que está acontecendo e como essa sigla permitirá que você navegue pela rede nas próximas décadas.

A estrutura da internet: você é um número

Você pode não gostar muito da ideia, mas para a grande rede de computadores seu computador é apenas um número. A sigla IP significa Internet Protocol, ou Protocolo de Internet. Esse protocolo determina um conjunto de regras para que os computadores possam se comunicar uns com os outros na internet.

Você é apenas mais um na web, mas alguém especial

Para que essa identificação seja facilitada, cada máquina é identificada por um número único. Esse número IP ou endereço IP é a garantia de que você é único na rede e que não haverá nenhuma dúvida quando outra máquina tentar localizar a sua.

Desde a década de 80, a internet utiliza como padrão para esses endereços o IPv4 (Protocolo Internet versão 4). Esse protocolo é composto por endereços de 32 bits, o que possibilita um total de 4.294.967.296 endereços distintos. O número pode parecer grandioso, mas ele está se tornando pequeno e seu limite deve ser alcançado ainda em 2011.

Sim, isso significa que podemos ter em alguns momentos mais de 4.294.967.296 aparelhos conectados simultaneamente na rede. Basta um a mais para que alguém fique de fora e é justamente aí que começaria o apocalipse dos IPs.

IPcalipse: o dia que a internet vai parar

Cuidado, o fim está próximo!

Se as previsões dos especialistas estiverem corretas, o esgotamento dos endereços IPv4 deve acontecer em algum dia no mês de fevereiro deste ano. De acordo com o perfil do Twitter ARPAgeddon o número de IPs disponíveis hoje está em menos de 25 milhões.

Se levarmos em consideração que, atualmente, em cerca de 7 a 10 horas mais de 1 milhão de novos endereços são utilizados, podemos prever com facilidade o caos para algum dia do início do mês de fevereiro. O que exatamente aconteceria? Simples: você tentaria se conectar à web e, sem um número disponível, não conseguiria.

Isso, contudo, não impediria o funcionamento da rede. Como esse número é dinâmico, você poderia revezá-lo com outros usuários, mas o crescimento da rede estaria ameaçado. Pense em novos portáteis e computadores disponíveis, em número cada vez maior, e com menos possibilidades de acesso à rede.

IPv6: a solução para os problemas da rede?

IPv6 pode resolver os problemas da web?

Sabendo que as possibilidades do IPv4 um dia se esgotariam, desde a década de 90 os comitês gestores do serviço de internet em todo o mundo iniciaram suas pesquisas e começaram a trabalhar em novas versões de protocolos. Os esforços resultaram no IPv6 (Internet Protocol versão 6). 

As duas novidades mais significativas dos IPv6 ficam por conta da reestruturação da maneira como os IPs são distribuídos e, principalmente, pela quantidade de endereços disponíveis a partir de agora na rede. 

Os protocolos IPv6, diferente do IPv4, operam com números em 128 bits em vez de 32 bits. Isso significa, na prática, que o número de endereços disponíveis salta dos 4.294.967.296 para impressionantes 340.282.366.920.938.463.463.374.607.431.768.211.456. O número equivale a cerca de 5,6 x 1028  endereços por pessoa.

Novos dispositivos também poderão ter seu próprio endereço

Com isso, ampliam-se consideravelmente as possibilidades de crescimento da rede. Além dos computadores e celulares, outros dispositivos que atualmente não necessitam, necessariamente, conexão com a internet podem ter seu espaço garantido no futuro.

Geladeiras, relógios, porta-retratos digitais e uma série de outros gadgets poderão se transformar em um endereço de IP na rede sem que, para isso, computadores e celulares estejam ameaçados de não encontrar um espaço disponível.

O que você precisa fazer para não ficar de fora dessa mudança?

Para quem utiliza as versões mais recentes dos sistemas operacionais ou dispõe de computadores e dispositivos mais recentes a transição, do ponto de vista do usuário, será extremamente simples. A maioria deles já conta com suporte para o IPv6.

Se você utiliza Windows e quer checar isso, basta digitar o comando “cmd” no campo de pesquisa do menu Iniciar. Na tela de comando que será aberta digite “ipconfig”. Entre os números listados, um deles será o do IPv6. 

Uma rede com, agora sim, infinitas possibilidades?

O maior trabalho, contudo, ficará a cargo dos provedores e serviços de hospedagem. São eles que terão que reescrever as linhas de código para que, quando o usuário tente se comunicar pela rede, utilize automaticamente o endereço IPv6 em vez do IPv4.

No Brasil, as maiores operadoras como GVT, Telefonica e Oi, já estão com processos adiantados para essa transição de forma que é apenas uma questão de tempo para que ela seja definitivamente implantada. Além disso, durante pelo menos os próximos dois anos, as duas versões coexistirão na rede até que, gradativamente, o IPv4 caia em desuso. 

Além disso, quais outros diferenciais do IPv6?

A implantação do IPv6 é inevitável, portanto nada melhor do que saber mais sobre ele e conhecer quais são as novidades que o novo protocolo traz consigo além de vasta ampliação no número de endereços.

O IPv6 não requer o uso de NAT  (Network Address Translation), ou seja, a solução paliativa encontrada para melhorar as configurações de segurança, mas devido a muitas dificuldades que trouxe para a rede, foi completamente abandonada.

O suporte ao IPSEC passa a ser obrigatório, garantindo a autenticidade das informações na rede e melhorando as questões de segurança na transmissão de dados. A configuração agora pode ser automática e não apenas manual ou via DHCP.

Há limites para o IPv6

Para facilitar a configuração automática o IPv6 determina um tamanho mínimo /64 para as redes locais, permitindo a ligação de muitos dispositivos diferentes. No IPv4 não havia um tamanho mínimo para uma rede local, o que as tornava mais limitadas.

Para esclarecer toda e qualquer dúvida que possa ter restado sobre o IPv6, o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.BR) preparou uma página especial sobre o tema, com explicações detalhadas sobre a novidade e suporte para possíveis duvidas surgidas na transição entre um protocolo e outro.

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O que você achou das novidades trazidas pelo IPv6? Acredita que a disponibilidade de endereços será suficiente para suprir as demandas das próximas décadas? Participe deixando o seu comentário sobre o assunto.

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