É verdade que o que hoje conhecemos como internet começou a operar um pouco antes da década de 1960, sendo que os computadores nasceram quase duas décadas antes disso. Mas a História volta e meia apresenta algumas surpresas, como visionários desconhecidos que, se tivessem meios, poderiam mudar a trajetória da tecnologia. É o caso de Paul Otlet, um empresário belga que pensava em buscadores, hipertexto e uma rede de máquinas muito antes de isso pensar em ser verdade.

Em 1895, Otlet e seu colega, Henri La Fointaine, começaram um projeto que envolvia a criação de várias "cartas índice", que serviam para catalogar fatos, documentos e informações. O Repertoire Bibliographique Universel (RBU) chegou a 15 milhões de unidades e, para receber uma resposta desse Google jurássico, era preciso enviar uma solicitação com o objeto a ser consultado e receber uma carta contendo a cópia do conteúdo.

A dupla ainda montou um sistema de catalogação que é usado até hoje por serviços bibliográficos — um sistema de entrada que leva você a um conteúdo maior, o que no mundo virtual virou o hipertexto.

Ainda mais ambicioso

Décadas depois, por volta de 1930, ele publicou um plano de "telescópios elétricos" que permitiriam a qualquer pessoa do mundo acessar remotamente uma vasta biblioteca de livros, artigos, fotografias, gravações em áudio e filmes.

A ideia chamava-se Mundaneum: uma "biblioteca" ou "cidade do conhecimento" que tivesse um centro, como um servidor dos dias de hoje, conectado por camadas de dados às unidades externas, equivalentes aos computadores. Por problemas de financiamento e a invasão da Alemanha à Bélgica, na Segunda Guerra Mundial, o projeto não chegou à magnitude imaginada por Otlet — mas suas previsões foram, mesmo décadas depois e sem devidas homenagens, assustadoramente precisas e convertidas em realidade.

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