Logo histórica desenvolvida por Robert Cailliau (Fonte da imagem: Reprodução/Wikimedia Commons)

Em 12 de março de 1989, Sir Tim Berners-Lee lançava o que seria posteriormente conhecido como o marco zero da internet moderna. Como resultado, após 25 anos a iniciativa da World Wide Web — a princípio vista com desconfiança pela comunidade científica — se tornou uma malha de intercomunicações globalizada, cuja dimensão quase escapa da compreensão do usuário típico.

Entretanto, a despeito de balões, chapeuzinhos de aniversário e um bolo com uma porção de velas virtuais, Berners-Lee aproveitou a ocasião para chamar a atenção: é preciso que nós “retomemos as rédeas da internet”.

Para ele, a crescente influência de corporações e governos sobre o formato da grande rede tem ameaçado o fluxo de informações, a privacidade e, sobretudo, o caráter de instituição democrática que deveria ser a principal bandeira do ambiente virtual compartilhado. Algo precisa ser feito, portanto.

Uma constituição da internet

A proposta de Berners-Lee é tão simples quanto coerente: a internet precisa se manter aberta e acessível. “O acesso à internet deveria integrar os Direitos Humanos, como representação basilar da democracia”, disse o criador em carta aberta, por ocasião dos 25 anos da web.

Tim Berners-Lee: "O acesso à internet deveria integrar os Direitos Humanos" (Fonte da imagem: Reprodução/The Guardian)

Ele também aproveitou uma entrevista ao The Guardian para conclamar usuários da rede mundo afora a tomar parte de um movimento organizado:

“Nossos direitos estão sendo violados mais e mais por todos os lados, e o perigo é que nos acostumemos com isso. Então, quero usar o aniversário de 25 anos para que todos façamos isso; para que tomemos de volta as rédeas da web e definamos o que queremos para os próximos 25 anos.”

Para o criador, todo usuário da rede deveria “tomar a frente das decisões sobre a governança e sobre o futuro da internet”. A fim de dar corpo à iniciativa, Berners-Lee lançou uma campanha: utilizando a hashtag #web25, luminares da internet devem disparar mensagens cujo foco deve se concentrar na bandeira “A internet que nós queremos” — ou seja, livre e globalmente acessível.

Abaixo as censuras estatais

Entre os principais alvos da campanha “A internet que nós queremos”, sem dúvida encontra-se o controle estatal crescente sobre a grande rede. De fato, Tim Berners-Lee sempre foi um crítico escancarado tanto da censura exercida por instituições como a NSA e a GCHQ quanto da forma insidiosa com que a espionagem do usuário comum da internet às vezes é ensaiada — e mesmo levada a cabo.

Opte Project dos roteamentos em uma porção da internet (Fonte da imagem: Reprodução/Wikimedia Commons)

Naturalmente, Berners-Lee não se encontra sozinho em sua tentativa de “baldeação” do terreno originalmente livre da internet. Dois nomes de peso da Google, Eric Schmidt e Jared Cohen — coautores do livro “A Nova Era Digital” (em tradução livre do inglês) — também chamaram a atenção para a influência excessiva de governos em países como a Rússia e o Irã.

“Consideradas as energias e as oportunidades que há por aí, seria possível acabar com a censura repressiva da internet dentro de uma década”, atestou Schmidt em entrevista ao  jornal The New York Times.

Uma internet neutra e globalizada

De acordo com Tim Berners-Lee, “a menos que nós possuamos uma internet aberta e neutra, não será possível confiar sem ter medo do que pode estar olhando na surdina.” Ele continua: “Seria impossível ter um governo aberto, boa democracia, bom sistema de saúde, comunidades interconectadas e diversidade cultural”.

"A internet precisa ser aberta e neutra" (Fonte da imagem: Reprodução/Wikimedia Commons)

Por fim, o criador da Web também chama a atenção para a relativa limitação da rede atualmente — em que apenas 40% dos indivíduos no planeta tem alguma forma de acesso à internet —, ressaltando que questões infraestruturais também podem limitar grandemente o caráter democrático do ambiente virtual. “Não é ingênuo acreditar que nós podemos ter tudo isso, mas é ingênuo achar que algo vai acontecer se nós continuarmos sentados.”

Nascimentos, desaparecimentos e evoluções em 25 anos

Em duas décadas e meia de existência, a internet certamente acumulou fatos significativos tanto para o próprio desenvolvimento quanto em nível global — que o diga quem tentou acessar o site da Casa Branca há alguns anos, o que poderia terminar em uma curiosa surpresa. O site G1 organizou 13 acontecimentos principais ao longo dos 25 anos da web.

Mosaic: navegador que serviu de base para o famoso Netscape (Fonte da imagem: Reprodução/Wikimedia Commons)

Confira:

  • 12 de março de 1989: Tim Berners-Lee propõe a nova ideia sobre “gestão da informação” dentro da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN), lançando as bases para a internet em nível global;
  • 1993: o navegador Mosaic é lançado por uma equipe liderada por Marc Andreessen. O software serviria de base para o famoso Netscape, lançado no ano seguinte;
  • 1994: surge a livraria online Amazon.com e a China entra na dança online — embora com filtragem extensiva de conteúdos. Fato curioso: quem tentava acessar o site oficial da Casa Branca, erroneamente colocando “.com” em vez de “.gov” acabava em um site pornográfico;
  • 1995: a África ganha sua primeira conexão com a internet, enquanto a Microsoft entra na guerra dos navegadores ao lançar o seu Internet Explorer — que acaba destronando o Netscape. Também o eBay faz suas primeiras vendas online, enquanto globalmente 16 milhões de internautas (0,4% da população mundial) passam a acessar a rede;
  • 1996: o primeiro celular com conexão à internet é colocado no mercado pela Nokia;
  • 1998: os EUA relegam a responsabilidade pelo controle dos domínios na web à instituição ICANN. No mesmo ano, o Google dá seus primeiros passos como site de buscas na internet;
  • 2000: o vírus ILOVEYOU gera danos de bilhões de dólares mundo afora, tornando incontornáveis questões relacionadas à segurança da rede. É também o ano em que se inicia a famigerada bolha da internet, ocasionada pelo impacto de inúmeras startups na bolsa americana Nasdaq — cuja “explosão” ocorreu em 2002;
  • 2001: a justiça dos EUA fecha o Napster, serviço popular de compartilhamento de músicas online à época. A ocasião lança debates sobre direitos autorais na internet;
  • 2005: a internet passa a alcançar bilhões de usuários pelo mundo;
  • 2007: a primeira eleição legislativa online é levada a cabo na Estônia;
  • 2012: o Facebook ultrapassa 1 bilhão de usuários, enquanto o robô Curiosity, da NASA, se registra no aplicativo de localização Foursquare em Marte. A França dá fim à rede telemática Minitel;
  • 2012: a ONU adota um tratado sobre regulamentação das telecomunicações, contando com a adesão de 89 estados e sendo recusado por 55 outros, incluindo os EUA — em nome da liberdade na internet. Algumas críticas são despertadas pela influência excessiva dos EUA na internet;
  • 2013: a grande rede alcança 40% da população mundial — aproximadamente 2,7 bilhões de pessoas —, enquanto o chinês passa a ocupar o lugar de língua dominante em ambiente online.

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