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Dona do ChatGPT é processada na Flórida por permitir vício e violência

Plataforma e Sam Altman serão julgados por priorizar os lucros em vez da segurança de usuários, inclusive menores; empresa se defende das acusações em nota.

Avatar do(a) autor(a): Nilton Cesar Monastier Kleina

schedule02/06/2026, às 11:30

A OpenAI, dona do ChatGPT, foi processada nos Estados Unidos pelo Procurador-geral da Flórida. A empresa de inteligência artificial (IA) é acusada de fornecer um produto que coloca a segurança dos usuários em risco enquanto ela busca somente o lucro.

O responsável pela denúncia, James Uthmeier, alega que a companhia obteve sucesso ao prejudicar usuários em várias esferas, além de ser negligente contra riscos do chatbot à segurança da comunidade. No texto, ele sugere que o serviço representa um "grande perigo de dependência" e declínio cognitivo, além de auxílio em ações violentas.

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"Atiradores em massa foram auxiliados e instigados em seus ataques mortais, pessoas vulneráveis ​​foram levadas ao suicídio, profissionais sofreram humilhação pública, usuários perderam a capacidade de pensar criticamente e menores se tornaram viciados em uma ferramenta que finge compaixão humana para coletar seus dados sem supervisão dos pais", diz o documento do processo.

O processo não faz acusações criminais, mas busca penas e uma ordem judicial contra o ChatGPT e o CEO da empresa, Sam Altman. O executivo, de acordo com o texto, tinha ciência dos perigos da plataforma, mas resolveu ignorá-los por uma decisão de mercado.

Ele é baseado em uma investigação que começou em abril, depois de um incidente na Florida State University. No caso, que terminou com duas pessoas mortas e vários feridos, um atirador teria utilizado o ChatGPT para planejar o ataque e obter informações sobre armas e até o melhor horário para realizar o ataque.

Esse não é o primeiro processo encarado pela OpenAI por críticas ao modo de funcionamento da plataforma. As ações envolvem a falta de ação da plataforma, que não teria alertado autoridades ou os responsáveis por esse e vários casos de violência decorrentes de interações com o chatbot.

  • Recentemente, ela foi processada pela família de um jovem que morreu de overdose por "conselhos arriscados" e não reportar comportamentos perigosos da vítima;
  • Em 2025, os pais de um adolescente que tirou a própria vida após passar meses interagindo com o ChatGPT também acionaram a companhia judicialmente. Outros casos similares também resultaram em disputas jurídicas ainda em andamento;
  • Também no ano passado, a IA foi processada por "alucinar" em uma resposta e inventar que um homem teria cometido crimes graves contra os próprios filhos;
  • A companhia dona de uma enciclopédia, por outro lado, abriu uma ação por roubo de conteúdos.

O que diz a OpenAI

Em nota enviada ao site NBC News, a OpenAI reforça que constrói mecanismos de segurança para uso do chatbot por menores, incluindo predição de idade e ferramentas de controle parental.

"Perder um filho é a tragédia mais devastadora que pode acontecer a uma família e sabemos que nenhuma palavra consegue expressar a dor de tal perda. A IA é uma tecnologia nova e poderosa, e acreditamos que os menores precisam de proteção significativa, razão pela qual implementamos proteções e políticas líderes do setor", diz o comunicado.

No caso do tiroteio na universidade, a empresa na época justificou que o incidente "foi uma tragédia, mas o ChatGPT não é responsável por esse crime terrível".

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