A ação militar dos Estados Unidos na Venezuela que resultou na deposição do presidente Nicolás Maduro na noite da última sexta-feira (02) alimentou uma teoria que já circula há algum tempo e antes mesmo da internet. Ela envolve operações especiais, os mapas da Google e pizza.
De acordo com várias fontes de décadas diferentes, há um método curioso e nada convencional de saber quando os EUA estão trabalhando em ofensivas e outras missões de alto risco em outros países.
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A teoria está longe de ser confirmada, mas alimenta debates nas redes sociais e até mesmo casas de apostas por ter um índice de acerto considerável.
O que é a teoria das pizzas do Pentágono?
Chamada de Pentagon Pizza Theory, a especulação diz que é possível saber quando os EUA preparam uma operação militar de grande escala pela movimentação fora do comum em certas pizzarias.
Como esse tipo de ataque costuma acontecer durante a noite ou em outros fusos horários, militares de todas as patentes podem virar a noite no serviço.
Por isso, seria natural que eles pedissem uma imensa quantidade de comida para o grupo — em especial pizza, um alimento rápido e de alta preferência, que pode ser consumido sem sair da frente da tela do PC.
Um pico nada convencional de tráfego em pizzarias próximas de prédios importantes do governo, como o Pentágono e a Colina do Capitólio na capital Washinton, seria um indício de que há um trabalho importante sendo feito e que o mundo ficará sabendo de algum acontecimento nas horas seguintes.
Atualmente, o Google Maps é a arma mais utilizada por quem fiscaliza essa relação. A plataforma de localização e navegação indica com dados de tráfego em tempo real a atual movimentação em ruas e estabelecimentos comerciais.
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Quando a barra de movimentação dispara na madrugada em pizzarias próximas ao Pentágono, incluindo unidades de franquias famosas como Domino's e Papa John's, esse seria um indício de que há algo em andamento.
Como a relação entre Pentágono e pizza começou
Apesar de ser mais conhecida do grande público por causa da disseminação nas redes sociais, a teoria do pico de delivery de pizza na capital dos EUA data de décadas antes dessas plataformas.
Desde a Guerra Fria, período de alta tensão militar em relação aos avanços da União Soviética, especula-se que existe uma relação direta entre pedidos massivos de pizza na madrugada do horário local com grandes acontecimentos geopolíticos.
Acredita-se que até mesmo a KGB, a polícia secreta e agência de espionagem soviética, teria uma unidade de monitoramento de pizzarias para se antecipar a eventuais surpresas: a Pizzint, ou pizza intelligence no termo original em inglês.
A primeira menção pública sobre o caso veio em 1991, durante a principal operação da Guerra do Golfo no Kuwait. Um empresário chamado Frank Meeks, dono de várias franquias da Domino's, teria revelado o segredo em uma entrevista.
"A mídia nem sempre sabe quando algo grande vai acontecer porque eles estão na cama, mas os nossos entregadores estão lá fora às duas horas da manhã", disse. Um correspondente da CNN no Pentágono confirmou que "sempre monitorar as pizzas" era uma estratégia importante.
Ao longo dos anos, alguns eventos militares dos EUA supostamente batem com a maior quantidade de entregas ou movimentação na região:
- a Operação Fúria Urgente na ilha caribenha de Granada para destituir o governo local;
- a invasão do Panamá em 1989 para capturar o presidente Manuel Noriega, em 1983;
- o processo de impeachment do presidente Bill Clinton em 1998;
- o bombardeio do Iraque na Operação Raposa do Deserto no mesmo ano;
- o envio de drones pelo Irã contra Israel em abril de 2024 e o bombardeio de Israel contra o Irã um ano depois;
- o anúncio da invasão dos EUA contra a Venezuela para capturar Maduro e a esposa, Cilia Flores, em janeiro de 2026;
A fixação no assunto chegou ao ponto de um projeto inteiro ser criado com base nessa coincidência: o Pentagon Pizza Report, que tem uma conta na rede social X e um site vinculado até a uma casa de apostas preditivas de acontecimentos globais, o Polymarket.
A teoria da pizza é mesmo verdade?
Apesar do burburinho nas redes sociais e de aparentemente "acertar" em casos recentes, não há uma confirmação oficial ou baseada em uma quantidade suficiente de dados que confirme essa relação.
É mais possível é que essa seja uma falsa correlação, ou seja, acreditar que dois eventos que ocorrem algumas vezes em paralelo estão diretamente relacionados entre si e são causa ou consequência um do outro — ignorando todos os casos em que eles não aconteceram simultaneamente.
A pesquisadora Zenobia Homan, que pesquisa relações internacionais e Oriente Médio no King's College London, respondeu ao jornal The Times que não há como confirmar a teoria sem mais informações ou antes de saber quantas vezes ele errou em vez de acertar.
"Meu pensamento inicial é ser cética, porque ele parece um caso de viés de confirmação. Não estou dizendo que eles estão errados, mas eu quero ver mais dados. Em que outras ocasiões os picos aconteceram? Com qual frequência eles não tiveram absolutamente nada a ver com geopolítica?", questiona a especialista.
Nas redes, há críticas ao índice por uma possível ingenuidade de que os EUA "entregariam" esse tipo de informação de uma forma já conhecida.
O próprio Pentágono afirma que há locais terceirizados para alimentação dos funcionários nas dependências do prédio "abertos durante a noite", indicando que não seria necessário fazer pedidos em lojas da região.
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Além disso, o indicador de movimentação do Google Maps opera com base em dados agregados e anônimos de usuários que estão nas localidades — ou seja, não trazem exatamente uma prova de que a pizzaria está mais movimentada porque recebeu um grande pedido e nem se o delivery é mesmo para o Pentágono.
O próprio Pentagon Pizza Index disse após críticas que a pesquisa "é meramente um indicador que tende a ser verdadeiro na maioria das vezes". Você pode acompanhar a movimentação do painel virtual em tempo real por meio do site oficial do projeto.
Você acredita na teoria de que o Google Maps “entrega” operações miliares dos EUA por causa das pizzarias? Conte para a gente no perfil do TecMundo no Instagram!
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