Clones virtuais de humanos farão parte de nossa vida no futuro, pelo menos é o que propõe o Projeto LifeLike, de universidades estadunidenses. Leia e saiba mais sobre interação entre real e virtual.

Provavelmente você já ouviu falar por aí sobre inteligência artificial, máquinas-robôs que pensam e agem de maneira autônoma à vontade humana. Histórias como essa estão presentes na literatura e no cinema e fazem grande sucesso, atraindo milhares de pessoas no mundo todo.

Agora pense diferente: ao invés de clones humanos, com pele cobrindo esqueletos de ligas metálicas e um cérebro eletrônico (como em “Exterminador do Futuro”, de James Cameron), seres humanos virtuais, funcionando dentro de um computador, capazes de compreender e responder a estímulos, aprender atividades, se distrair, enfim, pensar e agir como uma pessoa de carne e osso.

É isso o que propõe o Projeto LifeLike, desenvolvido em parceria entre o Laboratório de Sistemas Inteligentes (ISL, Intelligent Systems Laboratory) da Universidade Central da Flórida (UCF) e o Laboratório de Visualização Eletrônica (EVL, Eletronic Visualization Laboratory) da Universidade de Illinois em Chicago (UIC).

Seres humanos virtuais?

É exatamente isso que propõem estes laboratórios. Mas o projeto é ainda mais ousado e pretende clonar seres humanos, criando avatares virtuais de pessoas. Assim, aquele velho sonho de se transformar em dois para participar de uma reunião e se divertir com seus amigos ao mesmo tempo poderá, finalmente, ser realizado.

Para isso, bastará você ter um avatar, pois segundo os desenvolvedores do projeto LifeLike, ele terá a capacidade de compreender e agir como um ser humano, além de ser extremamente semelhante. Pode parecer simples um boneco virtual ser muito semelhante com alguém na vida real, afinal isso já existe em vários jogos de videogame e animações, porém, a questão de um clone virtual é um pouco mais ampla.

Modelo 0.05 do avatar (clique para ampliar)Modelo 0.1 do avatar (clique para ampliar)
Imagens disponíveis em www.projectlifelike.com 

Segundo Jason Leigh, líder da equipe do EVL, pesquisas comprovam que a comunicação humana é composta em 70% de elementos não-verbais, ou seja, não basta ter apenas voz e visual igual à de um humano para ser um clone fiel. Isso significa que deve ser levado em conta movimentos sutis que uma pessoa realiza enquanto se comunica para aplicar ao clone, o que torna o processo de criação bem mais complicado.

Capacidades de um avatar virtual

A equipe do ISL envolvida no projeto trabalha no sentido de dotar os clones virtuais com inteligência artificial, o que permitiria a eles interpretar informações, e a partir disso agir e tomar decisões. Esse trabalho envolve também o desenvolvimento de tecnologias que permitam aos computadores realizarem todas estas tarefas em tempo real, dando a impressão de que se está interagindo com um ser humano.

Isso permitirá a seres humanos virtuais agirem tal qual um ser humano “convencional”, pensando, raciocinando, aprendendo e realizando tarefas, tudo isso virtualmente, o que parece menos assustador do que máquinas reais agindo autonomamente por aí. Acessa a página oficial do projeto www.projectlifelike.org e obtenha mais informações.

Finalidades

Se pensamos em computadores habitados por seres humanos virtuais, podemos visualizar algumas situações em que seria muito interessante a aplicação destas tecnologias de clones virtuais. Sem aquela utopia de um exemplar seu o substituindo em tarefas entediantes, poderíamos visualizar um mundo onde atendentes de telemarketing fossem substituídos por clones virtuais de seres humanos.

Não só no telemarketing isso poderia ser interessante, mas também em lojas virtuais, onde você poderia ser atendido normalmente, como em uma loja presencial, obtendo dados e preços dos produtos que pretende adquirir. Pense também em guias virtuais em viagens de trens ou ônibus, prestando informações e respondendo aos questionamentos dos viajantes durante o trajeto, tal qual deveria fazer um ser humano.

Avatar em ação

Imagem disponível em www.projectlifelike.com

As aulas de história também poderão ficar mais interativas e explicativas, pois esta tecnologia pode ser utilizada para a reprodução virtual de figuras históricas para que estudantes possam interagir e se informar. Assim, aquele herói da libertação do passado poderá dar uma aula sobre sua vida, ajudando ainda mais na construção do conhecimento.

Psicólogos também poderiam ganhar uma nova ferramenta para atender mais pacientes ou então ouvi-los em momentos diferentes da terapia semanal. Você liga o computador e tem ali, a alguns cliques de distância, o seu psicólogo pronto para ouvir tudo o que precisa ser dito, sem que sejam necessários telefonemas no meio da madrugada para chamar o doutor.

Quem sabe isso significaria também um passo a mais no distanciamento das pessoas, pois com seres humanos virtuais com os quais se pode conversar e interagir, verdadeiras sessões de terapia poderão ser realizadas em frente ao monitor. A expressão “amigo virtual” se tornaria ainda mais “real”, o que pode ser uma boa ferramenta para maquiar um dos grandes males da humanidade: a solidão.

Interação entre real e virtual

Realidade aumentada

Você já ouviu falar em Realidade Aumentada (RA)? Pois bem, essa é uma tecnologia que pretende combinar elementos reais e virtuais e por mais que essa tecnologia, atualmente, se esteja mais a serviço da transmissão de vídeos ao vivo, podemos facilmente associá-la ao desenvolvimento de seres humanos virtuais, como os propostos pelo projeto LifeLike.

Vídeo exemplo de Realidade Aumentada (clique para assitir)

Isso porque se pensarmos, por exemplo, em uma aula de história sobre a Revolução Cubana ministrada por um clone virtual do guerrilheiro argentino-cubano Ernesto “Che” Guevara, a RA poderia conferir ainda mais interatividade a esta ação, afinal, uma projeção 3D do soldado seria posta a dar explicações e a responder perguntas de alunos.

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Projeto Natal

Quem sabe como um esboço desta nova onda tecnológica que surge pela frente seja o Projeto Natal, da Microsoft, que pode acabar por aposentar o controle na hora de jogarmos videogame. Esta nova tecnologia é capaz de reconhecer espacialmente o jogador e, além disso, é capaz de interagir com os jogadores, conversando com você ou até mesmo percebendo a quantas anda o seu humor. Pois é, se depender deste projeto da Microsoft, sua relação com os jogos eletrônicos mudará muito.

Projeto Natal revoluciona o modo como se joga videogame

Leia mais sobre o Projeto Natal em Microsoft revoluciona a forma de se jogar videogame.

E quando eu terei contato com um ser humano virtual?

É muito cedo para afirmar datas, tanto é que nem os desenvolvedores do projeto LifeLike sugerem datas. Além disso, muita controversa ainda será causada por esse assunto, que colocará em voga mais uma vez a substituição de homens por máquinas, o que poderá causar, dentre muitas outras coisas, um aumento significativo no nível de desemprego caso tecnologias como esta venham a ser usadas profissionalmente em larga escala. De qualquer modo, como mesmo afirmam o envolvidos no LifeLike, é fato que daqui a algumas décadas será muito comum ter contato com pessoas virtuais.

Caros usuários, não deixem de registrar seus comentários. O que vocês acham desta nova tecnologia? Se for desenvolvida e aplicada em larga escala poderá, realmente, significar uma ameaça a nós, seres humanos? Manifestem-se! Um abraço e até a próxima!

Papervision - Augmented Reality (extended) from Boffswana on Vimeo.