O jornalista, programador e fundador do WikiLeaks Julian Assange foi preso nesta quinta-feira (11) na embaixada equatoriana em Londres, no Reino Unido. Ele estava asilado no local desde 2012 e foi levado pelo Serviço de Polícia Metropolitana (MPS) para a estação de polícia central da capital britânica, mas será encaminhado para a Corte de Westminster “assim que possível”, informam as autoridades.

A prisão de Assange acontece após o presidente equatoriano Lenín Moreno anunciar o fim do asilo político concedido pelo ex-presidente Rafael Corrêa ao ativista australiano.

“Hoje, eu anuncio que o comportamento descortês e agressivo do senhor Julian Assange, as declarações hostis e ameaçadoras de sua organização aliada contra o Equador e, em especial, a transgressão de tratados internacionais levaram a situação ao ponto em que o asilo ao senhor Assange é insustentável e não mais viável”, disse Moreno em vídeo publicado em sua conta oficial do Twitter.

Um vídeo do momento exato da prisão de Assange mostra o ativista clamando que “o Reino Unido deve resistir a esse atentado do governo Trump”.

Crítica de Corrêa, elogio de Duncan

Corrêa criticou a decisão de Moreno, seu ex-vice-presidente entre 2007 e 2013. “[Moreno] revelou ao mundo sua miséria humana, entregando Julian Assange à polícia britânica — não somente um asilado, mas também um cidadão equatoriano”, comentou o antigo mandatário do Equador.

Já Alan Duncan, Ministro de Estado para Europa e Américas, agradeceu ao Equador pela colaboração e afirmou ser justo que o criador do WikiLeaks encare a Justiça britânica. “É absolutamente correto que Assange encare a Justiça da maneira apropriada no Reino Unido. São os tribunais que decidem o que acontece na sequência”, declarou em comunicado.

Suspeitas, cerco e espionagem

A última semana foi repleta de rumores sobre o possível fim do asilo político concedido a Julian Assange, a sua prisão e consequente extradição para os Estados Unidos. Também no Twitter, o perfil oficial do WikiLeaks divulgou um vídeo em que policiais britânicos são vistos na embaixada do Equador.

Entretanto, Jennifer Robinson, advogada de Assange, afirmou ter ouvido de “uma alta fonte credível no governo equatoriano” que a condição de asilado político de seu cliente seria suspensa.

Recentemente, Asssange foi proibido de usar a internet da embaixada, o que o levou a passar a editoria-chefe do WikiLeaks para Kristinn Hrafnsson — ele foi acusado de estar desenvolvendo atividade política dentro da embaixada, o que é proibido para asilados políticos.

Ontem (10), os seus apoiadores revelaram um esquema de espionagem para acompanhar as movimentações do ativista. 

“O WikiLeaks descobriu uma extensa operação de espionagem contra Julian Assange dentro da embaixada equatoriana”, declarou Hrafnsson. “Sabemos que houve um pedido para entregar registros de visitantes da embaixada e gravações de vídeo das câmeras de segurança da embaixada.”

O caso

Julian Assange buscou asilo junto à embaixada equatoriana em Londres em 2012 após ser alvo de um mandado de prisão internacional expedido pela Suécia. Ele foi acusado de abuso sexual em um caso controverso no qual inicialmente teve as acusações retiradas por um promotor de Estocolmo, mas foi posteriormente acusado novamente por uma segunda promotora.

Seus advogados alegam que ele sempre esteve à disposição das autoridades suecas desde que elas garantissem a sua não extradição aos Estados Unidos: Assange e seus apoiadores acusam o país norte-americano de realizar uma “caça às bruxas” contra o WikiLeaks devido à série de vazamentos de documentos militares sigilosos do país vazados pelo grupo.

Entre os fatos revelados pelo WikiLeaks estão, por exemplo, uma chacina comandada pelo exército dos EUA em um subúrbio de Nova Bagdá, no Iraque, e o chamado “Cablegate”, que revelou um esquema de espionagem de líderes globais mantidos pelo país.

Agora, ainda permanece incerto qual será o destino de Julian Assange.