A Google vem trabalhando há certo tempo com um projeto até pouco tempo secreto, chamado de “Dragonfly”. É uma versão do buscador com as contrapartidas exigidas pela censura do governo chinês — assim, a companhia poderia ter seu software mais uma vez na China. Esse assunto nunca foi discutido abertamente pela empresa, até porque há muito questionamento a respeito dessa história junto ao Senado e existiria uma certa resistência dessa iniciativa na própria companhia.

Nesta segunda-feira (15), o CEO Sundar Pichai confirmou abertamente a existência do Dragonfly durante conversa no Wired 25 Summit. Ele disse que há muitas áreas em que o Google pode ser eficaz ao fornecer “melhores informações do que as que estão atualmente disponíveis” para o povo chinês. Como exemplo, o executivo citou dados mais precisos e confiáveis a respeito do tratamento de câncer — ao invés das fake news.

googleSundar, durante sabatina no Wired 25 Summit. Fonte: Wired/Amy Lombard

Sobre as restrições que o motor teria para se adequar às leis orientais, Pichai afirmou que isso não seria uma barreira tão grande assim. De acordo com a experiências realizada até agora com a plataforma, os resultados teriam sido satisfatórios. “Acontece que conseguimos atender bem mais de 99% das consultas.”

Pichai afirma que projeto é um desafio particular

O CEO da Google diz que a companhia vem constantemente tentando "equilibrar nosso conjunto de valores de fornecer aos usuários acesso à informação, liberdade de expressão e privacidade do usuário”, mas que também “seguimos o estado de direito em todos os países".

O “Dragonfly” tem sido um desafio particular. "Essa é a razão pela qual fizemos o projeto interno. Queríamos saber como seria se o Google estivesse na China. É muito cedo. Não sabemos se faríamos ou poderíamos fazer isso na China, mas sentimos que sim. Foi importante para nós explorar ... dado o quão importante é o mercado e quantos usuários existem."

Ou seja, ao que parece, a Gigante das Buscas não vai deixar barato sua ausência em um mercado tão importante quanto o da China, que tem nada menos do que 20% da população do mundo e segue em ascensão como um grande pólo de tecnologia. Mas, antes de seguir com a investida, é preciso convencer parte da própria empresa e o Senado estadunidense. No próximo mês, Pichai presta mais informações a respeito no Congresso norte-americano.

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