Google já estaria trabalhando há algum tempo em uma versão censurada de seu buscador para poder atuar novamente na China, que usa filtros de conteúdo na web. Conhecido nos bastidores como Dragonfly, o projeto é tocado com muita discrição na companhia e além de evitar alguns temas — como “direitos humanos”, “democracia”, “religião” e “protesto pacífico” — ele teria como vincular os dispositivos móveis às requisições do usuário. Isso facilitaria ao governo encontrar quem está interessado nos assuntos proibidos de serem veiculados na internet do país.

De acordo com fontes internas ouvidas pelo The Intercept, o conteúdo buscado no Dragonfly poderá ser linkado aos números de telefones. Isso quer dizer que quem estiver atrás de informação banida estará na mira das agências segurança, que poderão interrogar essas pessoas a partir do histórico fornecido pela Gigante das Buscas.

"Isso é muito problemático do ponto de vista da privacidade, porque permitiria um rastreamento e um perfil muito mais detalhado do comportamento das pessoas. Vincular buscas a um número de telefone tornaria muito mais difícil para as pessoas evitarem o tipo de vigilância do governo que é difundida na China", disse Cynthia Wong, pesquisadora sênior de internet da Human Rights Watch, organização não-governamental sobre pesquisas dos direitos humanos.

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O Dragonfly, aliás estaria perdendo colaboradores justamente devido a proposta de invasão de privacidade. Aproximadamente 1 mil funcionários teriam participado de um protesto e algumas pessoas até mesmo teriam deixado a companhia por conta disso.

Google responde

Questionada a respeito, a Google respondeu. "Estamos investindo há muitos anos para ajudar os usuários chineses, desde o desenvolvimento do Android, por meio de aplicativos móveis como Google Translate e Files Go, e nossas ferramentas de desenvolvimento. Mas nosso trabalho em pesquisa foi exploratório e não estamos perto de lançar um produto de busca na China."

Enquanto isso, um grupo de 16 legisladores norte-americano já enviou à empresa perguntas sobre a aceitação da Google às regras de censura e vigilância chinesa. Essa história ainda deve render mais pano para a manga e ficamos ligados nos próximos episódios.

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