O ano era 2007 (mal termino de digitar esses números e já bate aquela saudade dos meus cabelos e dos meus 22 anos). Eu era redator do site Baixaki, mas a NZN já começava a flertar com a produção de vídeos (e não, não sou o dono do Baixaki). A ideia era que os redatores como eu fizessem pequenos vídeos tutoriais que complementariam os textos que descreviam os programas e jogos que já eram divulgados pela página.

O processo era simples e rudimentar. Um computador estava preparado para gravar a tela do software ou game em questão, enquanto o redator gravava sua voz por cima com um headset que certamente não era de marca. Lembro-me de ter feito um pequeno tutorial sobre o Google Earth, que, à época, era algo grandioso.

Nunca se pode confiar 100% na memória, mas a minha me diz que a ideia não "pegou". Eu diria que os redatores não morreram de amores pela novidade. Considero compreensível, até porque o teste de admissão na empresa era escrito e não contemplava nada pensado para conteúdos audiovisuais. Existia também o fato de que o espaço não era reservado, então a gravação era facilmente "flagrada" pelos colegas. Batia aquela timidez totalmente normal. De minha parte, eu tinha certa facilidade e não via a tarefa como algo complicado. Mas havia uma vergonha, sim.

O embrião dos conteúdos de vídeo da NZN estava lá, mas as gravações ainda seguiam restritas a conteúdos muito específicos. O canal do YouTube foi criado no dia 20 de outubro de 2006, mas o primeiro vídeo foi publicado três anos depois, em 6 de novembro de 2009 — uma demonstração do HTC Touch 3G conduzida pelo colega Luciano Sampaio. Eu ainda não estava envolvido na produção de conteúdo em vídeo naquele momento.

Muito obrigado aos 3 milhões!Muito obrigado aos 3 milhões!

O canal era abastecido, mas com frequência e pautas apenas oportunas. Curiosidade: um dos primeiros vídeos é uma análise do Samsung S5250 Wave 525, apresentada pelo Fábio Jordão, que hoje está à frente do The Hardware Show. Outras pessoas que narraram e apresentaram vídeos antes de mim foram Danielle Starck, Andressa Xavier, Renan Hamann, Beatriz Smaal, Bruna Rasmussen e Caroline Hecke. Os materiais eram editados pelo Eduardo Karasinski.

Um momento definitivo para mim veio a acontecer em setembro de 2010, três anos após meus primeiros registros vocais no Baixaki. Dessa vez, fiz um tutorial para o que na época era uma parte dentro do Baixaki que tinha textos diferenciados, como tutoriais e artigos mais complexos (tal seção veio a se tornar o portal TecMundo, no começo de 2011).

Estou certo de que muitos me odiaram pelo material, pois eu ensinava a colocar uma música como trilha da página de perfil do Orkut (sdds). Sabia que se trata de um dos textos mais populares do TecMundo? Além disso, o vídeo feito para o YouTube, já em março de 2011, soma quase 500 mil visualizações hoje. Pois é, eu tenho uma pequena contribuição na criação de um pequeno monstro de chatice. Peço desculpas a quem eu tenha pego desprevenido enquanto navegava pela melhor rede social de todos os tempos (e que nunca deveria ter morrido).

A repercussão daquele tutorial foi boa, interna e externamente, e guardo certas lembranças de ouvir a confirmação de que teríamos a produção contínua de vídeos para o canal graças ao resultado desse material. Começamos basicamente em uma dupla: eu fazia as narrações e alguns roteiros, enquanto o Eduardo Karasinski (que também iniciou na NZN como redator) editava o material. As primeiras pautas foram dicas de manutenção de computadores. Eu me baseava em textos já publicados no TecMundo a fim de fazer roteiros adaptados para vídeos — por isso há tantos vídeos desse tipo nos primórdios do canal. Mas fazíamos também resumos de eventos, análises e dicas simples.

Tivemos um "Bunker"

Desbravar uma área de produção sempre rende bons "causos". O melhor dos primórdios da nossa produção audiovisual é, certamente, o fato de eu ter gravado muitas narrações dentro de um banheiro. E acredite: há uma explicação lógica. Por conta de uma mudança em nosso escritório, todas as espumas para isolamento acústico foram jogadas em um banheiro. A solução para gravar locuções foi simples: eu entrava no banheiro com o texto a ser gravado, e o Eduardo ficava do lado de fora com a câmera, já que o microfone era ligado nela. Pronto.

Depois da nossa "cabine sanitária", tivemos o que batizamos de "Bunker". Contávamos com a espuma para isolamento acústico e uma sala própria para gravações, mas ela ainda não havia sido instalada. A sala ecoava bastante sem espuma. Eis o que aprontamos: usamos alguns suportes e fomos montando as espumas em volta de uma cadeira. Demos o nome "Bunker" porque era um tanto enclausurado. Era divertido. "Que é? Você nunca viu uma cabine profissional de locução? É assim!" — esta era minha definição para a inventiva criação.

BunkerNosso "Bunker" dos primórdios do TecMundo.

O "Melhores da Semana"

As coisas mudaram muito para mim no dia 29 de abril de 2011, data da publicação do primeiro "Melhores da Semana" que produzimos. Uma história curiosa, pois o material foi gravado como piloto e não seria publicado. Porém, ao chegar em casa naquele dia, deparei-me com o material no ar. Um baque grande, pois eu realmente não esperava ver o vídeo público. E, a partir de então, a "voz do Baixaki" tinha um rosto também. Aproveito para pedir desculpas para os tantos que se frustraram e se frustram até hoje: "Nossa, não imaginava esse rosto com essa voz", e por aí vai. Não foi um dos melhores fins de semana que tive.

Aqui digo algo que talvez poucos imaginem: nunca gostei de me ver em fotos e vídeos. Não gosto até hoje. Muito pelo contrário. Já cheguei a sentir muita repulsa em vários momentos. Hoje estou bem mais desencanado com isso. Não digo que amo como sou, mas já não me deixo abater como antes. Acredite: o fato de trabalhar com sua imagem e levá-la a um público grande não significa que você a cultue. No meu caso, foi uma circunstância da vida. Tenho muito a agradecer o fato de a aceitação do público ser muito maior do que a rejeição. Agradeço mais ainda por essa aceitação ainda ser majoritária até hoje. E tenho que reconhecer: minha imagem está bem "menos pior" hoje do que há sete anos.

Voltando... fazer o "Melhores da Semana" era corrido. A produção toda era feita em um único dia, às sextas-feiras. Eu recebia a seleção das notícias pela manhã e começava a escrever o roteiro do vídeo — são linguagens muito diferentes, por isso a necessidade de adaptações. Com o texto pronto, eu e o Eduardo gravávamos no estúdio. Então, enquanto ele editava, eu preparava a parte escrita do material, que sempre acompanhava o vídeo.

A experiência de ter que preparar o roteiro de um vídeo junto a uma postagem textual em um espaço de tempo fechado me ensinou que é muito mais fácil pensar na parte visual primeiro, depois fazer as adaptações para a linguagem escrita. Faço isso até hoje. Aí está uma dica, caso seja útil para alguém.

O "Área 42"

Por ser funcionário da NZN há bastante tempo e o único locutor/apresentador fixo da empresa, tive envolvimento com praticamente todos os quadros que surgiam nos primórdios do nosso canal. Um exemplo é o "Área 42", cuja ideia era fazer experimentos científicos divertidos, em uma pegada ao estilo do Beakman (quem tiver mais de 30 anos aí e quiser se acusar vai se lembrar do personagem). É o tipo de quadro bastante trabalhoso, mas o resultado final é divertido. Fiz alguns vídeos até que o Vinicius Karasinski (irmão do Eduardo) assumiu o quadro com mais conhecimento de causa que eu, enquanto eu seguia fazendo as locuções. O quadro não seguiu porque precisa de muita produção, mas rendeu ótimos vídeos.

O vídeo 1.000 e o primeiro milhão

O vídeo de número 1.000 do canal TecMundo no YouTube foi publicado no dia 8 de agosto de 2013. Tínhamos uma média de 20 vídeos postados toda semana. Era bastante coisa. Para oferecer algo diferente do nosso conteúdo habitual, o Eduardo editou uma compilação com erros dos apresentadores e momentos curiosos. Para efeito de informação: hoje temos mais de 5.000 vídeos, o que significa que o ritmo de produção só aumentou.

Pouco depois, no mês de outubro daquele mesmo ano, chegamos ao nosso primeiro milhão de inscritos. É um marco sensacional para qualquer canal. Não à toa, o YouTube entrega uma baita placa quando o número é atingido. Demora um tanto, mas chega.

Tudo isso quer dizer que estávamos "voando" em 2013. Considerando que a produção frequente e organizada de conteúdo audiovisual começou na segunda metade de 2010, pode-se dizer que crescemos em um ritmo forte. Não há como comparar com aqueles que surfaram a onda certa e hoje são os maiores youtubers do país, mas, para um canal de conteúdo até certo ponto de nicho, a marca é expressiva. Talvez "nicho" não seja a melhor palavra, mas o fato é que todo vídeo que produzimos tem um propósito, um conteúdo. Não podemos publicar um vídeo e apenas esperar que os milhões de visualizações cheguem, não importando o que for dito.

O "Hoje no TecMundo"

No dia 9 de setembro de 2013, publicamos a primeira edição do "Hoje no TecMundo", com a simples ideia de trazer um resumo em vídeo com as melhores ou mais impactantes notícias do dia. Desde sempre, fui responsável pelo roteiro, pela edição e pela postagem do vídeo (incluindo link no YouTube e uma postagem no site do TecMundo). A primeira ideia era usar a redação como fundo para o vídeo, mas não foi possível pela mistura dos áudios meu e do burburinho do escritório e também pelo fato de pessoas de um lado para o outro poderem distrair o espectador. Claro, a possibilidade de sair um gesto inapropriado ou uma tela reveladora também pesavam contra.

À época, havia um estúdio para transmissões ao vivo que também era usado para as gravações do Checkpoint e outro estúdio para narrações e gravações de reviews. Para não ficar disputando espaço e garantir a publicação do vídeo todo dia útil, saí pelo escritório da NZN à procura de um ponto fixo que poderia funcionar de cenário, até achar uma parede com linhas coloridas. "Ah, esse colorido é legal pro vídeo". O único problema é que se tratava de uma passagem de entrada e saída da empresa. E eu costumava gravar no horário de almoço ou perto disso. Aí já viu... Eram frequentes as pausas e interrupções, mas tudo sem inimizade.

No começo de 2016, foi tomada uma decisão editorial de não fazer mais o “Hoje no TecMundo”. Em vez de um vídeo resumido, postávamos cada notícia em um vídeo próprio. Funcionou no sentido de obtermos mais visualizações, mas a ideia não foi bem aceita pelo público por causa do "flood", ou seja, o excesso de vídeos que eram postados todos os dias. Compreensível, afinal nosso canal acabava postando entre 12 e 15 vídeos todos os dias.

Mas, para quem gostava do quadro, não era a mesma coisa. Tanto que, alguns meses depois, em junho, o "Hoje no TecMundo" renasceu em parte. Era feita uma transmissão ao vivo comentando as notícias do dia. Foi um alento, mas ainda não era a mesma coisa. O formato ao vivo não durou muito, e o "Hoje no TecMundo" finalmente voltou ao formato atual em julho. Curiosamente, eu estava de férias durante essa mudança. Quem apresentava no momento era o Guilherme Sarda. Quanto aos drops, hoje eles só são postados em casos de notícias bombásticas mesmo.

Hoje são cerca de 1.200 vídeos postados (baseando-me na contagem de vídeos que há na playlist do quadro no nosso canal). Isso equivale, aproximadamente, a 1/5 do total publicado. Trata-se do quadro feito para movimentar o canal, pois o melhor é postar com frequência religiosa — e é isso o que o "Hoje no TecMundo" proporciona: informação rápida e fidelidade.

Comentários

Internet é sinônimo de comentários. Lidamos com muitos deles desde antes mesmo de começarmos a produção de vídeos, pois o TecMundo já oferecia a possibilidade. A primeira lição que aprendi, lá em 2008: pessoas vão comentar sobre o conteúdo sem ler. E o mesmo se repetiu com os vídeos: comentários de quem nem se deu o trabalho de assistir.

Como se não bastasse, há quem vá comentar sobre coisas que não contribuem em nada para o conteúdo que foi trazido. Geralmente é sobre alguma característica física (agradeço, já que eu não teria consciência do meu peso e de minha falta de beleza se não comentassem isso nos vídeos, né?).

E existem ainda casos mais graves (tanto que são até considerados crimes), como acusações de estarmos sendo pagos para falar disso ou daquilo. Em primeiro lugar, todo conteúdo patrocinado que produzimos é claramente identificado no vídeo em si, no título, na descrição. Só não observa quem não quer ver ou é simplesmente maldoso mesmo.

Quem me dera ter toda essa grana que alguns insistem em dizer que ganhamos da Apple, Samsung, Motorola etc. Eu não precisaria acordar cedo todo dia útil para produzir tanto conteúdo. Eu não estaria nem aí para nada se isso fosse verdade. Não há cabimento levantar essas acusações.

Não digo que todo comentário deve ser só elogios. Já me corrigi com base em comentário. Já usei comentário para esclarecer informações. O problema é toda a falta de educação e noção em acusações infundadas, levianas e irresponsáveis. Por isso me dou o direito, sim, de silenciar e bloquear casos graves, que transpassam a parte saudável do feedback e não servem para nada produtivo.

Enfim, continuamos produzindo conteúdo audiovisual todo dia. Seguimos crescendo. Agora já começa a ansiedade para o próximo milhão ou próximo marco importante, mas temos consciência de que nossos passos não são tão grandes quanto outros canais, com propostas diferentes. Enquanto isso, o trabalho continua.

Claro que há muitas coisas que não contei aqui, seja por falta de memória, falta de tempo ou o que for. Várias pessoas contribuíram com a produção de vídeos na NZN, além de mim. Eu apenas sou o mais antigo da casa, hoje. Sou o elo que ainda resta entre a atualidade e o começo de tudo. E carrego isso com muita honra e satisfação.

Muito obrigado a todos que chegaram até o fim deste simples relato pessoal. E muito obrigado aos nossos 3 milhões de inscritos. Obrigado também a quem não é inscrito, mas acompanha um ou outro vídeo. Obrigado.

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