Ah, a Deep Web. Fonte de tantas lendas e mistérios entre os usuários mais curiosos da internet, centro das histórias mais escabrosas que você já ouviu e que geralmente envolvem pedofilia, assassinato, tráfico de drogas e coisas do tipo. Se você já ouviu ou leu esse termo, talvez cometa um erro que muita gente comete: confundir Dark Web com Deep Web.

Para esclarecer um pouco a diferença, tenha em mente que a Deep Web é composta por conteúdos que não podem ser encontrados por mecanismos de busca, como o Google Search. Ela é o contrário da Surface Web, essa que você acessou para ler este artigo e na qual você navega quase diariamente.

É aí que entra a Dark Web, uma fatia pequena da Deep Web que é intencionalmente mantida escondida e não pode ser acessada por nenhum browser comum justamente por conter materiais que envolvem crimes e outras coisas muito mais pesadas. Muitas vezes, as pessoas mencionam Deep Web quando, na verdade, estão se referindo à Dark Web, esse cantinho maldito da nossa querida intenet.

A Dark Web é a pontinha mais escura da Deep Web

A curiosidade matou o gato

Muita gente já teve aquela curiosidade mórbida de acessar a Dark Web, mas o medo de ser pego fazendo algo errado ou de ser confundido com algum criminoso procurando o que não deve acaba sempre impedindo as pessoas de seguirem em frente com a empreitada.

Apenas uma quantidade minúscula de pessoas entra de fato na Dark Web, mas talvez ela não seja constituída apenas pelas coisas terríveis que pintam por aí

Além disso, acessar a Dark Web não é uma tarefa fácil, pois exige softwares específicos, como o Tor, que permite a comunicação entre os sites .onion, e mais uma série de conhecimentos mais técnicos e cuidados que devem ser tomados. Resumindo: apenas uma quantidade minúscula de pessoas – em comparação com quem acessa a internet “normal” e até mesmo a Deep Web – entra de fato na Dark Web, mas talvez ela não seja constituída apenas pelas coisas terríveis que pintam por aí.

Antro de criminosos?

Sim, a Dark Web abriga uma porção dessas coisas pelas quais é famosa: vídeos de pedofilia e outras práticas sexualmente doentias que traumatizariam até as pessoas mais “moderninhas” e que envolvem torturas indescritíveis, sites onde é possível comprar as drogas mais poderosas (e proibidas) do mundo e serviços onde você pode contratar assassinos “profissionais” para matar alguém – de verdade, na vida real mesmo.

Isso tudo é muito sério, envolve crimes gravíssimos e pode ser uma enrascada para quem apenas quer matar a curiosidade

Isso tudo é muito sério, envolve crimes gravíssimos e pode ser uma enrascada para quem apenas quer matar a curiosidade que sente em relação à Dark Web. Ainda assim, todas essas coisas compõem apenas uma parte bem pequena desse fosso de maldade da internet, sendo que todo o resto, a parcela maior, não passa de sites feios, antiquados e inúteis.

Voltando no tempo

Navegar pela Dark Web é como fazer um passeio na internet de 20 anos atrás em diversos sentidos. Em termos de design, as páginas – a maioria delas abandonadas – apresentam layouts horríveis, que lembram os sites toscos dos distantes anos 1990. Pior ainda é a velocidade sofrível de navegação, que lembra os tempos de conexão discada.

Em termos de design, as páginas – a maioria delas abandonadas – apresentam layouts horríveis, que lembram os sites toscos dos distantes anos 1990

Isso acontece porque o Tor passa o tempo todo alterando as rotas de transferência de informação para evitar que dados sejam rastreados. É justamente esse comportamento que torna a Dark Web “segura” para que todo tipo de criminoso atue nesse ambiente sem correr o risco de ser pego (pelo menos não tão facilmente).

Assim, tudo funciona na maior lerdeza do mundo: GIFs levam uma eternidade para carregar, as páginas não abrem direito e nem pense em transmissão de vídeos como conhecemos hoje. Resumindo: os poucos milhares de sites da Dark Web (uma fração minúscula quando comparados com quase 1 bilhão de sites da Surface Web), quando não estão vendendo drogas, não apresentam links de phishing ou afirmam ser fachadas para lavagem de bitcoins, parecem obras de adolescentes iniciantes em cursos de HTML no final dos anos 1990.

Confira a seguir alguns prints dos sites mais bizarros (e inúteis) da Deep Web:

Mensagens codificadas ou imagens sem sentido?

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Mensagens religiosas misteriosas

Anna está triste e quer doações de bitcoins

Uma página chamada "rapechan" convidando para isso

Um "simpático" jogo sobre fast food

Um arquivo  de conteúdo marxista

Outras bizarrices em geral

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