Design e interatividade por Diogo Saito Takeuchi

Ilustração e animação por Nick Mancini

Encomendadas pelo Serviço Aéreo Especial Britânico, as granadas do tipo flashbang foram criadas durante a década de 60, com o propósito de incapacitar o inimigo. Por não ser letal, essa arma normalmente é utilizada em invasões a ambientes internos, mesmo com a existência de reféns ou civis.

As flashbangs fizeram sua estreia pública durante o sequestro do voo Lufthansa 181, em 1977, pela Frente Popular de Libertação da Palestina. Na ocasião, granadas G60 foram usadas para chamar a atenção dos sequestradores e, assim, facilitar a entrada do esquadrão tático. De lá para cá, a arma se popularizou a ponto de fazer parte dos equipamentos disponíveis em diversos jogos para computadores e video games, como Counter-Strike, Call of Duty: Black Ops e SOCOM 4: U.S. Navy SEALs.

Como funciona

Na prática, podemos comparar o funcionamento da flashbang com o de fogos de artifício, já que ambos usam a mesma mistura química. Porém, é claro, a granada possui melhorias que a tornam perfeita para o uso em combates.

Para ativar uma granada dessas, é necessário retirar o pino de proteção enquanto se mantém pressionado o gatilho contra o corpo da arma. Quando o gatilho é liberado, durante o lançamento da flashbang, o detonador é ativado com uma pequena faísca. Esse processo cria o delay necessário para a explosão, ou seja, o tempo que a granada leva para explodir após a liberação do gatilho. No caso da M84, modelo de flashbang usada pelo Exército dos EUA, esse delay é de 1 a 2,3 segundos.

Logo depois, o calor do detonador atinge a mistura química armazenada dentro da granada, fazendo, assim, com que ela exploda. Normalmente, essa mistura é feita com magnésio ou alumínio metálicos, ingredientes responsáveis pelo clarão branco emitido durante a explosão, e com perclorato de potássio ou de amônio, oxidantes essenciais para que a reação explosiva aconteça.

Efeitos no corpo humano

Uma das grandes vantagens da flashbang, como já dissemos, é o fato de que o corpo dela mantém-se intacto depois da explosão. Graças aos furos presentes na camada mais externa da granada, ela é incapaz de ferir com estilhaços quem estiver por perto.

Porém, o clarão produzido pela arma ativa todas as células do olho humano responsáveis por captar a luminosidade, causando assim uma cegueira momentânea de pelo menos 5 segundos. Para ter uma ideia do poder desse clarão, podemos dizer que ele equivale a mais de 1.100 lâmpadas de 25 W acesas ao mesmo tempo.

Como se não bastasse, a explosão também causa um estouro de 170 a 180 decibéis, capaz de provocar surdez, zumbido nos ouvidos, vertigens e perda de equilíbrio ao tentar ficar de pé ou caminhar. Por causa disso, fica mais fácil invadir o recinto e capturar o criminoso.

Nem tão inofensiva assim

Flashbang da Força de Defesa Israelense (Fonte da imagem: Wikipedia)

Apesar de não ser considerada como uma arma letal, a flashbang pode matar. Em maio de 2003, Alberta Spruill morreu com um ataque cardíaco provocado pela explosão de uma dessas granadas pela SWAT, próximo à residência dela. A família de Spruill recebeu uma indenização de 1,6 milhões de dólares após abrir uma ação contra a cidade de Nova York.

Em fevereiro de 2011, o policial Fred Thornton acabou sendo ferido fatalmente por uma granada dessas que explodiu acidentalmente enquanto ele guardava o equipamento em sua casa. Thornton foi encaminhado rapidamente para um hospital, mas não resistiu e acabou morrendo.

Além desses dois incidentes, esse tipo de granada também pode causar estragos muito maiores se for detonado próximo de materiais inflamáveis, como tanques de combustível. Portanto, antes de detonar uma flashbang, soldados devem analisar a situação e perceber se ela pode ser usada naquele momento. Afinal, ninguém quer ser o responsável pela morte de reféns, certo?

Agradecimentos especiais ao mestre em Química Gustavo Frensch, que nos ajudou a compreender melhor o papel de alguns componentes usados na produção da flashbang.

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Quer saber quais serão as outras duas armas? Continue ligado no Tecmundo. "A Tecnologia das Armas" é uma série especial que irá explicar o funcionamento das mais diversas armas ao longo das semanas. 

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