Começou ontem (9) em São Paulo capital a segunda edição brasileira do Inside 3D Printing, evento itinerante que viaja pelo mundo debatendo as tendências e expondo as últimas tecnologias no segmento de impressão tridimensional. A conferência termina na noite desta terça-feira (10) e conta com nomes renomados dentro da lista de palestrantes.

Com cerca de vinte expositores oriundos do mundo inteiro – incluindo as brasileiras 3DCloner e Cliever –, o evento demonstra o amadurecimento dessa tecnologia curiosa, que um dia já foi chamada de “prototipagem rápida” e hoje já é conhecida como “manufatura aditiva” dentro de ambientes técnicos. Fica claro que, com o advento de novos filamentos e criação de impressoras cada vez mais eficazes, a impressão tridimensional deixou de ser apenas uma forma barata de criar protótipos.

Conforme observou Renata Sollero, gerente de território da Stratasys, a tendência é que as tecnologias de modelagem e impressão 3D se tornem cada vez mais populares fora das grandes industrias, atingindo também os consumidores finais e até mesmo ambientes educacionais. Sollero, que ficou responsável pela palestra de abertura do evento, acredita que em breve iremos alcançar a “manufatura pessoal”, ou seja, teremos todas as condições favoráveis para que cada pessoa fabrique seus próprios produtos de acordo com sua necessidade – algo que certamente abalará nosso sistema comercial tradicional.

Especialistas acreditam que as impressoras 3D mudarão nossos conceitos de "comprar" e "consumir"

Novos filamentos

Obviamente, para que as impressoras 3D possam atender a todos os nichos que desejam usufruir de suas facilidades, é necessário subir mais alguns degraus no que diz respeito aos filamentos utilizados no processo de manufatura aditiva. Felizmente, basta dar uma rápida volta no Inside 3D Printing para perceber que essa é justamente uma das maiores preocupações do mercado. Esqueça aquele plástico fosco e frágil que era utilizado nas primeiras impressoras lançadas comercialmente; hoje é possível encontrar materiais brilhantes, translúcidos, incrivelmente rígidos ou absurdamente flexíveis.

O grande trunfo da manufatura aditiva em relação aos métodos tradicionais usados na indústria (como a manufatura subtrativa) é a notável redução de custos. Uma mesma impressora pode ser empregada para a criação de diversas peças ou produtos diferentes, bastando a substituindo de seu filamento. Isso elimina a necessidade de ter uma máquina “especializada”. Além disso, a impressão 3D permite o desenho e fabricação de objetos muito mais complexos, com alto nível de detalhes.

Os novos filamentos possibilitam a impressão de objetos com diferentes texturas e cores, assim como altíssima rigidez

E o Brasil vai indo bem

E engana-se quem pensa que o Brasil está ficando para trás nesse mercado tão promissor. Entre os expositores presentes nesta segunda edição do Inside 3D Printing, destacam-se as brasileiras 3D Cloner e Cliever, que inclusive estava demonstrando suas novas máquinas para os visitantes da feira.

Um dos equipamentos exibidos pela empresa, a CL1 Black Edition, já disponível para compra online e conta com diversas melhorias técnicas em comparação com a CL1 tradicional (incluindo suporte para impressão via cartão SD). A companhia promete oferecer em breve os modelos CL2 Pro e CL2 Pro Plus, que possuem maiores áreas de impressão, conseguem trabalhar com duas cores ao mesmo tempo (por serem compatíveis com dois cabeçotes) e são visivelmente voltadas para uso profissional.

Outro lançamento que chamou atenção dos presentes no evento foi o iSense, que chega ao Brasil pela 3D Systems pelo preço sugerido de R$ 2,990. O scanner portátil pode ser acoplado em um iPad (Air, Mini ou de quarta geração) e é capaz de digitalizar uma grande variedade de objetos e até mesmo pessoas; trata-se de uma versão aprimorada e portátil do Sense, já analisado previamente pela equipe do TecMundo.

Obstáculos para o mercado

Naturalmente, a tecnologia de manufatura aditiva esbarra em muitos obstáculos técnicos. Entre as barreiras enfrentadas pelo segmento para que ele seja de fato capaz de causar uma nova “revolução industrial”, podemos citar o alto custo desses equipamentos, o que inviabiliza seu uso por consumidores e pequenas empresas. Além disso, por mais que as impressoras 3D atuais tenham um alto nível de precisão, elas precisam evoluir ainda mais para que possam atingir as demandas da indústria.

A vertiginosa popularização da impressão tridimensional confronta ainda algumas questões legais, como a proteção da propriedade intelectual em um mundo no qual qualquer pessoa pode digitalizar, modificar e imprimir objetos em sua própria casa mesmo não tendo a autorização legal do detentor dos direitos autorais de determinada peça ou imagem.

De acordo com a advogada Bruna Castanheira de Freitas, que palestrou no primeiro dia do Inside 3D Printing 2015, a tendência é que a propriedade intelectual perca cada vez mais sua importância e que nossas leis sejam modificadas ao longo dos tempos. Durante sua participação no evento, a profissional ressaltou que nossa legislação, datada de 1998, é um tanto retrógrada e não acompanhou as inovações tecnológicas mundiais.

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