A popularização da tecnologia de impressão em três dimensões inaugurou novos horizontes em diversas dimensões da vida humana. Não somente empreendimentos próprios podem agora ter um fôlego a mais, mas também avanços consideráveis na área da tecnologia eletrônica têm sido feitos a partir das versáteis impressoras 3D.

Mas um passo ainda mais ousado está sendo dado por pesquisadores da área da saúde. Conhecidos como “bioimpressões”, os projetos relacionados ao uso de tinta orgânica e de termoplásticos (tipo de plástico que pode ser facilmente moldado a certa temperatura) estão tomando forma de fato: modelagens de órgãos e até mesmo a criação de moldes para crânios parecem realmente ser o futuro da Medicina do século 21.

Confira a seguir alguns dos mais fantásticos exemplos de bioimpressões já experimentados por estudiosos mundo afora.

Remendo de crânio

Em agosto deste ano, um cidadão norte-americano teve 75% de seu crânio substituído por uma prótese criada por uma impressora 3D. A peça, criada a partir de um termoplástico comumente usado na Medicina de nome polyetherketoneketone (PEKK), foi aprovada pela FDA (US Food and Drug Administration).

Para que a adaptação do corpo do paciente ao remendo fosse feita com sucesso, pequenas depressões foram esculpidas pela máquina na prótese – irregularidades essas capazes de estimular o crescimento de novas células.

Pequenas deformidades estimulam o crescimento de novas células. (Fonte da imagem: Reprodução/Gizmodo)

A empreitada foi conduzida pela Oxford Performance Materials (OPM), companhia situada em Connecticut (EUA) e especializada na modelagem de termoplásticos. Para que a extensão craniana fosse adequadamente moldada, um escaneamento em 3D foi feito sobre o próprio crânio do homem.

A prótese, assim, foi impressa exatamente de acordo as particularidades fisiológicas do paciente. Além de leves, moldes deste tipo são também bastante resistentes (vantagens patentes se levadas em conta as tradicionais próteses de titânio). É muito provável, portanto, que mais e mais ossos do corpo humano comecem a ser fabricados por impressoras 3D até mesmo dentro de hospitais, em alguns anos.

Confecção de pele e cartilagens

Criada pelo Instituto de Regeneração e Medicina de Wake Forest, a técnica de impressão de cartilagem, pele e tubos sanguíneos é também outro promissor projeto – que já possibilitou à Universidade de Cornell (EUA), inclusive, a impressão de várias válvulas cardíacas. O processo mescla a forma tradicional de confecção de artefatos 3D a um sistema de eletrofiação.

Implantes de pele em vítimas de queimadura poderá ser realidade. (Fonte da imagem: Reprodução/Gizmodo)

As possibilidades deste novo método são revolucionárias: que tal substituir cartilagens de articulações ou até mesmo implantar pele em vítimas de queimaduras? Ainda mais: o que pensar então sobre o fim de testes de medicamentos e cosméticos feitos em animais? E o processo de fabricação desses tecidos anatômicos se dá de forma pouco complicada: moldes de vasos criados a partir de um material orgânico são impressos e um estímulo ao crescimento de novas células em torno de uma artéria, por exemplo, é feito.

Próteses de nariz, orelhas e olhos

Fruto de uma parceria entre o designer britânico Tom Fripp e a Universidade de Sheffield, um projeto de confecção de próteses faciais tem conquistado resultados inspiradores. A partir de dados coletados por meio do escaneamento do rosto de um paciente, moldes em 3D de narizes, orelhas, queixos e até mesmo de olhos podem ser rapidamente criados.

De 4 a 8 horas é o tempo consumido pela impressão de uma peça. (Fonte da imagem: Reprodução/Gizmodo)

Após selecionar um formato de nariz harmônico com o conjunto facial todo de uma pessoa acometida por uma deformidade, basta enviar o projeto a uma impressora 3D e aguardar de 4 a 8 horas pela finalização da impressão. Esta forma de fabricação é muito menos invasiva do que a metodologia de modelagem de próteses atual.

Detalhes como cor e tipo de íris podem ser calibrados. (Fonte da imagem: Reprodução/Gizmodo)

Este mesmo método está sendo aperfeiçoado para a confecção de olhos artificiais. Detalhes como cor e formato de íris, tamanho do globo ocular e ainda a presença de vasos sanguíneos nas próteses são alguns dos traços que podem ser calibrados em um projeto em 3D. E mais: cerca de 150 olhos podem ser impressos por hora. Curioso, não?

Nanobaterias e implantes

Nanobaterias menores que grãos de areia já são realidade. Pesquisadores da Universidade de Harvard pretendem viabilizar a fabricação destes dispositivos e usá-los então em implantes médicos.

Energia para implantes médicos poderá ser fornecida pelas baterias. (Fonte da imagem: Reprodução/Gizmodo)

O material utilizado pela impressora 3D é composto de uma tinta de ânodo com nanopartículas de um composto de óxido de lítio metálico. Outra tinta de cátodo sobre um “pente de ouro” é despejada sobre a bateria, entrelaçando firmemente todos os elementos da nanobateria.

Mais órgãos impressos

Também conduzida pela Universidade de Wake Forest, outra pesquisa pretende dar fim às filas de transplante. Acontece que o cientista norte-americano Anthony Atala já conseguiu reproduzir sete bexigas de pacientes portadores de um sério problema congênito.

Minirrins (foto) já foram fabricados por impressoras 3D. (Fonte da imagem: Reprodução/Digg)

Ao usar as células dos próprios órgãos dos voluntários, Atala estimulou o crescimento de tecido em torno de bases modeladas em 3D. Apenas a parte de fora das bexiga foi reconstruída até o momento, mas as possibilidades de criação de demais órgãos (como minirrins) são de fato inspiradoras.

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Importante dizer que as técnicas de impressão de órgãos humanos ainda é primitiva (uma vez que encontra-se ainda em uma primeira fase de desenvolvimento). Mas o implante da prótese de crânio e a fabricação de válvulas cardíacas, por exemplo, já são realidade. Os projetos mais ousados (como o implante de pele em vítimas de queimaduras e a impressão da estrutura interior de bexigas) estão atualmente sob etapa de aperfeiçoamento.

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