Você certamente já leu sobre uma impressora 3D, viu algum vídeo ou até mesmo já brincou com alguma delas. É muito provável que você esteja ciente também do alto preço cobrado pelas fabricantes dessas máquinas no mercado nacional. Um modelo da famosa Makerbot, por exemplo, pode passar dos R$ 10 mil com facilidade. Para tentar popularizar de verdade a impressão 3D no brasil, o casal Vanessa e Thiago Peixoto, resolveu criar a Stella.

Não tem nenhuma concorrente de fato na mesma faixa de preço

Essa impressora compacta custa atualmente R$ 1.920 e não tem nenhuma concorrente de fato na mesma faixa de preço. A área de impressão é de 20 x 20 x 20 cm e ela usa um espelho como base. “Vidro é uma coisa plana, barata e fácil de encontrar. Como a gente manda a Stella para o Brasil todo, a pessoa que comprou lá no Acre, por exemplo, não precisa pedir uma base nova daqui”, disse Thiago sobre a possibilidade de substituir o espelho caso ele quebre.

A Stella é compacta e, ainda assim, consegue uma boa área de impressão porque sua base se move em dois eixos (horizontais), e a cabeça de impressão em mais um (vertical). Em algumas impressoras de outras marcas, a cabeça precisa se mover nos três eixos, o que gera um aparelho maior.

Todas as peças plásticas da Stella são feitas usando a própria impressora. Ou seja, Thiago, que é bacharel em ciências da computação, e sua esposa, contabilista, fabricam impressoras 3D usando impressoras 3D para isso. Da até para fazer aquela piadinha: quem veio primeiro? O ovo ou a galinha? A montagem das peças é feita no apartamento da dupla no Bigorrilho, em Curitiba.

Tudo o que a Stella não pode fabricar por si mesma — como elementos metálicos, circuitos e outros —, o casal compra de fornecedores brasileiros. Poucas coisas, como o motor da base, que não tem uma alternativa nacional com alta precisão, são importadas.

“Algumas peças têm que ser importadas, todas as que a gente não encontra no Brasil. Tudo que encontramos por aqui, por mais que seja um pouco mais caro, a gente dá preferência. Até porque é mais simples, mas também é mais justo, já que o dinheiro fica circulando no mercado”

Independente

Eles ainda oferecem suporte vitalício para a impressora, respondendo questões dos clientes via WhatsApp e outros meios de comunicação mais tradicionais, como telefone e email. A dupla ajuda as pessoas a consertarem problemas em seus projetos 3D e também a resolver qualquer dificuldade com a impressora em si. É uma empresa de duas pessoas, que fabrica e dá suporte a seus produtos.

Carregue o projeto em um cartão, leve à impressora, e ela começa a construir o objeto sem estrar ligada a um computador

Falando nisso, ela chega ao cliente com todos os softwares necessários para conectá-la e controlá-la pelo PC, mas vale lembrar que ela também pode trabalhar sozinha. Existe uma versão da Stella que vem com um painel LCD e um plugue para cartões de memória. Carregue o projeto em um cartão, leve à impressora, e ela começa a construir o objeto desejado sem estrar ligada a um computador.

Existe uma série de materiais diferentes que podem ser utilizados com a Stella, mas a Boa Impressão 3D, a empresa de Thiago e Vanessa, recomenda o PLA, que é de boa qualidade e tem preço baixo. O site da empresa vende bobinas de 1 kg por R$ 150, mas é possível comprá-las em qualquer lugar. Veja todos os detalhes aqui.

 

Disseminar a impressão 3D

Em entrevista ao TecMundo, Thiago Peixoto explicou que levou dois anos para desenvolver o produto, que era inicialmente uma demonstração para a Campus Party 2015. Nesse evento, eles venderam três unidades e perceberam que era possível criar um negócio a partir daí. Na época, ambos moravam em São Paulo, mas transferiram seu negócio para Curitiba há alguns meses, em busca de uma melhor qualidade de vida.

Você vai poder baixar um arquivo e imprimir o seu tênis, a sua roupa

“Nós queremos disseminar a impressão 3D no Brasil. A gente quer tornar isso uma coisa comum. Nós vemos que a impressão 3D nada mais é que a descentralização da indústria. Em um futuro próximo, você vai poder baixar um arquivo e imprimir o seu tênis, a sua roupa e outras coisas”, declarou Peixoto.

Enquanto esse futuro não chega, a Stella se limita a entreter pessoas que encaram a impressão 3D como hobby e também ajuda profissionais e criarem protótipos de produtos de forma mais barata e rápida. A demanda é tanta, que um comprador precisa esperar 15 dias para que sua encomenda fique pronta. Só depois disso é que ela segue para os Correios e viaja o Brasil inteiro.