Com a tecnologia ficando mais avançada a cada dia, nos mais variados segmentos, não é difícil entender que as empresas acabem precisando de um tempo extra para garantir um produto matador para os consumidores. Esse é o caso dos óculos de realidade virtual Re Vive, fruto da parceria entre HTC e Valve, que foi revelado de forma bombástica no início de 2015 e acabou tendo seu lançamento adiado consideravelmente. A boa notícia é que esse respiro deu origem a uma nova versão do produto, que trará novidades e foi batizada de Vive Pre.

Programado inicialmente para o fim do ano passado, o dispositivo teve sua chegada ao mercado remanejada ainda em agosto, com a fabricante taiwanesa prometendo que o atraso serviria para a incorporação de recursos importantíssimos ao item. Agora, agendado para ser disponibilizado em sua forma final ao público em abril, o aparelho chegou à sua segunda geração. Calma, isso não significa um Vive 2, mas sim uma edição reformulada do primeiro kit de desenvolvimento, servindo de modelo para a interação final do projeto.

Demonstrada durante a CES 2016 – feira de tecnologia que está rolando em Las Vegas e conta com cobertura do TecMundo –, a nova encarnação dos óculos parecem ter como objetivo refinar ainda mais a experiência do usuário, mesclando o ambiente VR e o real de forma muito mais natural que muitos de seus concorrentes. O motivo? A adição de uma nova câmera frontal ao equipamento, capaz de dar ao consumidor a chance de bisbilhotar o ambiente ao seu redor sem ter que remover o hardware da cabeça.

Isso é algo suficientemente grande para que a dupla de empresas deixe de lado a chance de ser o primeiro produto final do tipo a chegar às prateleiras? Se depender da HTC e da Valve, a resposta é um sonoro “sim!”. Embora a Oculus VR esteja brincando com uma tecnologia similar para uma possível implementação em seus óculos e a Samsung também utilize algo parecido em seu Gear VR – através da câmera do celular integrado ao conjunto – o Vive Pre se aproveita da ferramenta de um modo ligeiramente diferente.

Um olho na realidade

O uso da câmera externa nos óculos de realidade virtual geralmente serve para evitar que você saia da área de ação do aparelho, fazendo com que uma espécie de cerca virtual surja no seu campo de visão para indicar esse limite. O problema é que, o modo como isso é geralmente apresentado faz com que, ao ir em direção a essa barreira, pareça que você vai dar de cara com uma parede sólida. No caso do dispositivo da HTC, uma renderização básica do cômodo em que a pessoa estiver é projetada nos displays do item.

A ferramenta não altera completamente para a visão externa – algo que poderia atrapalhar a imersão –, mas cria uma versão “Matrix” do cenário. Isso faz com que você possa se safar de um tropeço no cachorro deitado na sala ou identifique a cadeira do computador e se sente nela sem precisar remover o produto. As demos disponibilizadas na CES – Job Simulator, Tilt Brush 3D e TheBluVR – não expandem muito o uso da tecnologia, mas já é possível imaginar o que desenvolvedores criativos podem bolar com o mecanismo.

Enquanto o usuário pode ativar a qualquer momento esse ambiente real translúcido por cima de qualquer aplicativo rodando no Vive – ao pressionar duas vezes um novo botão no trackpad dos controles que acompanham o kit –, fica difícil não pensar que alguém vai projetar um jogo ou programa que integre realidade virtual e realidade aumentada em um único software. Com isso, o hardware da taiwanesa e da companhia norte-americana poderia, ainda que de forma básica, simular o funcionamento esperado para o HoloLens, da Microsoft.

Isso tudo, claro, ainda fica no campo da especulação, já que vai ser preciso esperar a chegada da nova versão do headset – e do SDK – aos desenvolvedores. Aparentemente, para essa fase de testes com o Vive Pre, a HTC está pensando em distribuir 7 mil unidades do aparelho, com as primeiras levas sendo enviadas principalmente para parceiros que já estão trabalhando com o protótipo inicial do brinquedinho. As novidades da nova versão ficam só na câmera frontal e a chance de não bater o dedinho do pé na quina do criado-mudo? Nada disso!

Reforma geral

Com os meses que os pais dos óculos de realidade virtual ganharam para trabalhar na edição que, teoricamente, precede o produto final, diversos ajustes e melhorias foram implementados no hardware como um todo. O design do item, por exemplo, passou por uma plástica considerável, deixando o Vive Pre mais leve, menor e com um aspecto bem mais profissional do que o do modelo anterior – ainda que preserve seu estilão “olhos de aranha”.

Some a essa reformulação visual um tratamento mais amigável da estrutura interna e você tem e mãos – ou melhor, no rosto – um equipamento substancialmente mais confortável de ser usado por horas à fio. Um conjunto de espumas internas e encaixes intercambiáveis para o nariz permitem que o produto se adeque a praticamente qualquer tipo de face e, de quebra, deixa que mesmo quem depende de óculos de grau para enxergar um palmo à sua frente possam desfrutar da mesma experiência que o pessoal com a visão perfeita.

Falando em visão, as telas do aparelho também passaram por mudanças, apresentando um brilho mais intenso do que as anteriores e, ao mesmo tempo, mais próximas dos olhos – garantindo uma qualidade ainda melhor para a experiência virtual. Uma tira adicional, posicionada mais próximo à nuca do usuário, ainda deixa o encaixe do brinquedinho mais suave e o peso bem distribuído em toda a cabeça – apesar de exigir uma sessão adicional de ajustes do produto se diferentes pessoas forem testar a peça.

O campeão de mudanças, no entanto, foi a dupla de controles que são despachados junto dos óculos de realidade virtual. Os bastões foram praticamente refeitos, trazendo um desenho mais sólido – que lembra menos leitores de códigos de barras – e botões melhor posicionados ao longo do acessório, geralmente ao alcance do dedão. Adicionalmente, a sensibilidade do equipamento sem fio foi melhorada, graças à troca dos receptores utilizados anteriormente no hardware, e o trackpad foi emborrachado – ficando bem parecido com o do Steam Controller.

Com um sistema de óculos e controle bem mais integrado e natural do que em outros produtos do segmento, as chances são que o usuário – seja ele um gamer ou engenheiro trabalhando em um grande projeto – queira ficar um bom tempo imerso no mundo virtual, sem se preocupar com recargas dos acessórios, certo? Pensando nisso, a HTC implementou uma nova bateria ao kit, alimentada por uma entrada microUSB e com autonomia esperada entre 4 e 5 horas de uso – praticamente o dobro da primeira versão de desenvolvimento do Vive.

O preço da inovação

Mesmo que a vida útil dessa edição dos óculos VR seja relativamente curta, principalmente quando se leva em conta o lançamento prometido para abril, o HTC Vive Pre ainda pode ser de importância para sua fabricante e, claro, para os consumidores desse tipo de tecnologia. Isso porque, de acordo com Ryan Hoopingarner, diretor de marketing da empresa taiwanesa para o produto, o aparelho pode mudar muito até chegar às mãos dos clientes, fazendo com que a companhia opte por deixar as especificações técnicas do item mais para o futuro.

Obviamente, todo o refinamento, o cuidado e também a tecnologia de ponta aplicada ao projeto têm seu preço, ou seja: isso tudo deve afetar brutalmente o custo do hardware e o valor cobrado para que seja possível ter um desses em casa. No momento, tanto a HTC quanto a Valve preferem não falar de números, mas tudo indica que a brincadeira não deve sair nada barata, ainda mais se tratando de um segmento que começa a dar os seus primeiros passos mais firmes em direção ao usuário final.

Dan O’Brien, vice-presidente de planejamento e gestão da companhia de Taiwan, parece acreditar, contudo, que seu produto vai valer cada centavo colocado na etiqueta que acompanhar o kit. “Acho que o Vive foi feito para qualquer um que decida que quer a melhor experiência VR”, explicou ao The Verge. Ainda que o executivo reconheça que entusiastas e aficionados por tecnologia serão os primeiros a comprar o dispositivo, também afirma que todo tipo de usuário vai sentir a diferença positiva de usar o Vive em detrimento aos concorrentes.

Será que agora já é seguro contar os dias até podermos testar o equipamento finalizado ou é melhor esperar por um novo prazo logo mais? Como ambas estão sempre procurando por inovações e maneiras de se diferenciar nesse setor tão disputado – e cheio de potencial – não dá para descartar a possibilidade de um novo adiamento dessa belezinha em favor da implementação de algum “recurso imprescindível” ao conjunto. E para você, o que não pode faltar em um óculos de realidade virtual?

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