Por mais que a holografia tenha avançado absurdamente nos últimos anos, precisamos admitir que ela ainda está bem distante de ser como nos filmes de ficção científica. E não estamos nem falando do fato de que, em sua grande maioria, somos capazes apenas de gerar imagens minúsculas em pleno ar, mas sim por nossa incapacidade em criar objetos com os quais podemos interagir com o toque... Até agora.

Em um anúncio oficial, a Digital Nature Group revelou ter descoberto uma maneira não apenas de interagir, como também de sentir objetos projetados holograficamente. Tudo isso, vale notar, sem a utilização de “truques” para a geração do holograma, como superfícies especiais ou outros métodos parecidos bastante usados nesse tipo de tecnologia.

A façanha foi alcançada pela equipe com a ajuda de lasers de alta intensidade, capazes de excitar matéria física em pontos específicos de um espaço 3D com grande precisão no espaço de femtosegundos – apenas um quadrilhão de segundo. O processo em si é tão veloz que transforma o próprio ar em plasma (o quarto estado da matéria, para quem não lembra), gerando luz no formato desejado por eles.

Como resultado, temos a criação de imagens flutuantes como as mostradas no vídeo abaixo:

Tocando o ar

Já o sistema utilizado para interagir com esse tipo de holograma é bem mais simples, se assemelhando consideravelmente ao que vemos em dispositivos de captura de movimento. Tudo o que a equipe precisou foi de uma câmera: esta determina a posição do dedo e dos feixes de luz, executando um comando específico quando ambos se sobrepõem.

Agora, qual é a sensação de tocar um holograma como esses? Nem de longe é uma das melhores, ao que parece: uma vez que o processo de “criar” plasma ioniza o ar ao redor da imagem, encostar nas projeções gera um forte sensação de estática.

O principal investidor do projeto, porém, afirma que tocar os hologramas é 100% seguro, já que o processo de geração de plasma dura apenas entre 30 e 270 femtosegundos. Não se resumindo a isso, a DNG ainda afirma ser a única a ter conseguido gerar imagens holográficas com uma resolução tão grande e que, ao mesmo tempo, não causa ferimentos à pele humana.

É importante notar que essa não é a primeira vez que um sistema de interação com hologramas é criado: no fim de 2014, cientistas haviam apresentado um sistema que gera uma resposta tátil ao tocar em objetos gerados por holografia. O método anterior utilizava mecanismos externos, no entanto – no caso, pulsos de ultrassom –, enquanto este literalmente gera uma resposta a partir da própria projeção.

O processo de mudança do holograma, quando tocado. Note o tamanho ínfimo da imagem gerada

Holagramas interativos

Quanto às vantagens que um sistema como esse traz, não é preciso dizer que são muitas. Como mostrado no vídeo do início da matéria, os hologramas já conseguem reagir ao nosso toque de maneiras simples, alterando sua forma (um desenho de coração se “quebra” ao contato; a palavra “amor” vira “ódio” da mesma forma; etc.). Nada impede, por sua vez, que telas de menu, botões e outras interfaces sejam mostradas por holografia.

É claro que, até o momento, essa tecnologia ainda possui uma enorme limitação com relação ao seu tamanho: uma projeção por esse método pode ocupar minúsculo 1 cm³. Mas a equipe afirma que isso pode ser escalado, de acordo com o equipamento usado; resta a nós aguardar para ver esses projetores chegarem ao mercado.

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