Um dos computadores usados para acessar a internet em 1988. (Fonte da imagem: Flickr/Patrick Finnegan)

A internet que você usa hoje para bate-papo, notícias e games não existiu antes de 1960, com redes pioneiras como a Arpanet. Mas a popularização só aconteceu duas décadas depois, resultando também nas primeiras reportagens de jornal sobre o assunto. O The Washington Post resolveu desenterrar essas matérias como forma de curiosidade e pesquisa, revelando como os repórteres e especialistas da época tratavam a rede.

Em uma matéria datada de 20 de novembro de 1988, o repórter Barton Gellman descreve a internet como "um grande experimento social". O texto é um dos primeiros do meio jornalístico a utilizar termos popularizados mais tarde pelo público em geral, como "vírus" e "netiqueta".

Utilidades

Gellman fala de vários usos primitivos da rede que hoje são populares e cotidianos. "Usando a internet e redes conjuntas, milhares de homens e mulheres de 17 países trocam receitas e dicas de artesanato, debatem política, religião e carros antigos, formam amizades e até apaixonam-se. Mas a rede que liga essas dezenas de milhares de computadores 24 horas por dia também permite que os vírus espalhem-se mais rapidamente e formem um potencial de perigo maior que qualquer outro invasor eletrônico", diz a matéria.

"É como ser capaz de assinar uma revista instantaneamente, ler edições antigas, contribuir para elas como autor e cancelar tudo isso na hora em que você quiser. E sem custos", diz Kenneth van Wyk, consultor entrevistado.

Brigas

O artigo também fala de um mal moderno da internet: os trolls. "A rede é uma comunidade muito maior que uma ligação de computadores e cabos. Quando seus vizinhos tornam-se paranoicos uns com os outros, eles não cooperam mais entre si, não compartilham mais as coisas. São necessários poucos, muito poucos vândalos para... Destruir a confiança que mantém a comunidade unida", diz Cliff Stoll, um especialista em informática da época.

"Era uma vez a época em que computadores serviam para pensar. Isso não é mais verdade. Computadores são para comunicação agora, e redes permitem que isso aconteça", conclui Stoll, que poucos anos depois mudaria de opinião (e erraria) ao dizer que essa mesma internet era supervalorizada.

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