De sensores para visão noturna a equipamentos de proteção contra balas, o grafeno é um dos materiais mais versáteis já descobertos pela Ciência. E a novidade da vez é também promissora: pesquisadores da Universidade de Manchester, no Reino Unido, descobriram que as particularidades do composto permite a produção de combustível elétrico a partir do ar.

Tecnicamente, e em escala macro, o grafeno é um material com duas dimensões. Significa que, apesar de impermeável a gases e a líquidos, partículas de prótons podem atravessar “paredes” constituídas pelo composto. Assim, a extração de combustível é uma possibilidade teórica: bastaria bombear ar contra folhas de grafeno para que hidrogênio positivamente carregado fosse extraído.

“Estamos muito animados com este resultado, pois a descoberta inaugura novos horizontes às aplicações de grafeno para a geração de energia limpa e para a elaboração de tecnologias baseadas em hidrogênio”, disse Marcelo Lozada-Hidalgo, um dos autores do estudo publicado.

Então basta colocar algumas camadas de grafeno em frente a um ventilador para que prótons comecem a ser gerados? Na realidade, as folhas do material precisam ser revestidas por nanopartícula especiais, que funcionam como catalisadoras. Além disso, este processo pode ser feito somente depois que o grafeno é aquecido.

E o que parece soar como ficção científica encontra na própria Física motivos que podem justificar as futuras aplicações do material. De acordo com Andrei Geim, também professor da Universidade de Manchester, o hidrogênio depositado na atmosfera funciona como um “grande reservatório”. “Então você poderia usar este reservatório, queimando combustível de hidrogênio também para a produção de eletricidade”, afirma.

A aplicação de uma corrente elétrica sobre membranas de grafeno poderia “soprar” hidrogênio através de uma estrutura. “Essencialmente, o combustível seria bombeado a partir da atmosfera para obter eletricidade. Antes de qualquer trabalho nesse sentido, falar sobre este método seria especulação; seria ficção científica”, pontua o pesquisador.

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