Pesquisadores da Coreia do Sul e do Japão conseguiram, pela primeira vez, criar uma tela com mais de 70 cm² utilizando o grafeno, uma folha de carbono com a espessura de um átomo e com alta resistência por ser o material mais forte já descoberto.

A ideia de usar o material na criação de telas sensíveis ao toque foi impulsionada justamente por sua espessura e resistência, afinal, é possível criar placas transparentes e flexíveis que não se desgastarão com o tempo e resistirão a quedas e riscos.

Grafeno?

Para quem ainda não conhece, o grafeno foi descoberto no final de 2004, por um grupo de pesquisadores do Centro de Nanotecnologia da Universidade de Manchester (Inglaterra). Ele é composto apenas por átomos de carbono organizados em hexágono (o formato dos favos de mel) e possui a espessura de um único átomo.

Tela sensível ao toque de grafeno

A criação da tela foi levada a cabo na Universidade de Sungkyunkwan, localizada em Seul, capital sul-coreana. A equipe de pesquisadores, liderada por Byung Hee Hong e Jong-Hyun Ahn fez uso da técnica CVD (acrônimo para chemical vapour deposition ou, em português, deposição de vapor químico) para aplicar uma camada de grafeno sobre uma folha de cobre.

Posteriormente, a placa de cobre foi substituída para uma camada de polímero adesivo por meio de uma prensa e o resultado final disso também recebeu outra camada de grafeno por pressão. Por fim, o material foi aquecido para liberar o polímero adesivo.

Processo de criação da tela de grafeno. Imagem: Nature Nanotechnology

Processo de criação da tela de grafeno. Imagem: Nature Nanotechnology

O mesmo processo foi repetido várias vezes para adicionar outras camadas de grafeno, visto que a substância não é livre de imperfeições que poderiam prejudicar seu desempenho. Contudo, mesmo após a inserção de várias novas camadas o material permaneceu com 97% de transparência.

Com isso se conseguiu a criação de uma folha de grafeno medindo 30 polegadas (aproximadamente 76 centímetros). O painel da tela contou também com os nanotransistores de grafeno que tornaram o equipamento, além de sensível ao toque e flexível, também resistente a altas tensões.

Nanico e resistente

O grafeno parece, realmente, ser o futuro da tecnologia. Além das telas sensíveis ao toque transparentes, leves e carregadas de tecnologia, muito se fala sobre a aplicação da substância na criação de transistores – elemento essencial em todo e qualquer eletrônico.

O transistor de grafeno tem o comprimento de dez átomos de carbono e a espessura de um único átomo. Como um átomo carbônico mede 0,1 nanômetro, logo, o transistor feito de grafeno mede 1 nanômetro. Para ter uma ideia, os chips modernos são construídos com transistores de 45 nanômetros.

Com a tendência à portabilidade e à miniaturização que segue a tecnologia, com celulares, tablets e e-readers cada vez mais repletos de funções anteriormente reservadas apenas a computadores, a possibilidade de um transistor feito com grafeno, minúsculo e resistente, aparece como um caminho bastante promissor.

Outro ponto importantíssimo que faz crer serem verdadeiras as afirmações que colocam o grafeno como a substância chave para o futuro da tecnologia é sua resistência. Cientistas da Universidade de Colúmbia confirmaram a substância como o material mais forte já medido pelo homem.

De acordo com o pesquisador James Hone, o grafeno é 200 vezes mais forte que o aço estrutural. Para furar uma folha simples de grafeno seria necessário equilibrar um elefante sobre um lápis. Só assim já dá para se ter uma ideia da enorme capacidade deste potente material.

O uso do grafeno

Apesar da tela sensível ao toque já estar sendo testada por pesquisadores, ainda é muito cedo para se alvoroçar e esperar algum produto com a substância lançado para o consumidor. Um dos principais motivos pode ser a vontade dos fabricantes, que talvez não vejam muito sentido em criar equipamentos com materiais extremamente resistentes e praticamente indestrutíveis.

De qualquer forma, a imaginação sempre é o limite e os entusiastas da tecnologia já colocaram as mangas de fora e encontraram inúmeras possibilidades para o grafeno. No vídeo abaixo você vê uma garota com sua “folha inteligente” de grafeno que funciona como tablet, notebook, telefone celular, relógio e por aí vai.

Outras aplicações para a substância são apontadas (além de telas sensíveis ao toque), como sensores moleculares, células solares e demais dispositivos de cristal líquido. Se deseja saber mais sobre o grafeno e suas aplicações, acesse e leia o artigo Conheça o grafeno, material que promete substituir o silício na fabricação de componentes eletrônicos.

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