Em 1989, um debate entre os candidatos à presidência foi promovido pelas emissoras Bandeirantes, Globo, SBT e Manchete. Durante a transmissão, o maior telejornal do país apresentou aos eleitores brasileiros uma versão editada das discussões: o veículo comandado por Roberto Marinho teria favorecido Fernando Collor de Melo, que, talvez não por sorte, levou a disputa naquele fatídico ano.

Fato é que o poder que os meios de comunicação exercem sobre a opinião pública é, ainda, um dos temas que mais fomentam estudos entre pesquisadores que se debruçam sobre a sociedade atual. Nesse sentido, qual seria o papel exercido pelos mecanismos de busca? De acordo com Robert Epstein, o Google seria capaz de determinar até um quarto das eleições de todo o mundo.

A solução é “dividir o Google”

Em entrevista à BBC Brasil (via G1), o PhD em psicologia por Harvard e também pesquisador sênior do Instituto Americano par Pesquisa Comportamental e Tecnologia afirmou que empresas que exercem “muito poder” têm de ser submetidas a mecanismos de proteção: a solução, para Epstein, seria dividir a Google em empresas menores. “Em vez de ser um mecanismo enorme de busca, seriam centenas [de motores], talvez especializados. Isso nos protegeria, de certa forma”, comenta.

Manipulação de resultados?

Segundo estudo feito pelo psicólogo em 2014, até 24% dos eleitores indecisos podem votar em candidatos cujos artigos positivos aparecem em primeiro lugar junto da página da “Gigante das Buscas”; em certos grupos demográficos, o efeito atingiu 72% dos 2.150 participantes da pesquisa.

PhD em psicologia, Robert Epstein é considerado um dos principais críticos da Google.

Apesar de não haver um indício objetivo acerca da influência dos resultados das eleições por parte dos resultados exibidos pela Google, fato é que a empresa doou US$ 800 mil a Barack Obama, que levou o título de presidente dos EUA em 2012 – no mesmo ano, modestos US$ 37 mil chegaram aos bolsos do candidato Mitt Romney.

'Em vez de ser um mecanismo enorme de busca, seriam centenas [de motores], talvez especializados. Isso nos protegeria, de certa forma', afirma Epstein

“Quando um candidato está mais alto nos rankings de busca, isso muda a direção de eleitores indecisos. Chamamos isso de efeito de manipulação de sites de buscas (“Seme”, na sigla em inglês).

Dados do próprio Google mostram que houve mais buscas logo antes da eleição para Obama que para Romney”, explica Epstein.

O que diz a Gigante das Buscas

Em resposta às declarações do pesquisador, a Gigante das Buscas afirmou que “não há nenhum fato verídico na hipótese levantada pelo senhor Epstein de que o Google poderia trabalhar secretamente para influenciar o resultado de uma eleição”. A companhia diz que o objetivo das buscas é “fornecer respostas e resultados mais relevantes” para os usuários.

O critério usado pelo Google para determinar o que é “mais relevante” ainda é um mistério. “Não sabemos quais são as regras porque o Google diz mudar os algoritmos [de buscas] entre 500 e 600 vezes por ano”, observa Epstein.

  • Leia a entrevista completa cedida pelo pesquisador nesta página.

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