A Kaspersky, fabricante de softwares, realizou uma pesquisa com mais de mil norte-americanos para entender melhor o "efeito Google". De acordo com os especialistas, trata-se de uma amnésia digital, já que a memória não é mais tão importante — visto que temos a internet e todas as informações com apenas um toque de distância. Veja: isso não é um transtorno, apenas uma adaptação da nossa era.

Se a amnésia digital pudesse ser explicada em apenas uma frase, a Kaspersky indica que é "a experiência de esquecer informações que estão armazenadas em algum dispositivo que você confia, sendo de fácil acesso". Com isso, a pesquisa mostrou que existe uma conexão entre disponibilidade de informação em gadgets e o nosso armazenamento cerebral.

Nós somos criaturas altamente adaptáveis e apenas não nos lembramos de tudo porque não é mais algo vantajoso

Além dos especialistas da Kaspersky, outros dois participantes de peso ajudaram na pesquisa: Dr. Kathryn Mills (UCL Institute of Cognitive Neuroscience) e Dr. Maria Wimber (School of Psychology University of Birmingham).

Mais de mil pessoas foram entrevistadas e, dentro delas, 91% admitiram a dependência da internet, 44% revelaram que utilizam o smartphone como uma caixa de memória adicional e quase metade faz uma busca online para tentar se lembrar de alguma informação —  28% das pessoas também podem se esquecer desse dado.

Outra informação mostrou que 67,4% dos entrevistados conseguiu se lembrar do número telefônico da própria casa durante a infância/adolescência e um terço não conseguiu se lembrar dos números dos filhos, familiares ou colegas de trabalho. Antes, era necessário memorizar tudo — ou anotar em uma agenda de contatos física.

"O ato de esquecer algo não é intrinsecamente uma coisa ruim. Nós somos criaturas altamente adaptáveis e apenas não nos lembramos de tudo porque não é mais algo vantajoso. O ato de esquecer só se torna algo ruim quando envolve perder informações que nós realmente precisamos saber. Já o ato da memorização é uma habilidade, e também é importante como ferramenta cognitiva para navegar neste mundo. Resumindo: ser capaz de memorizar é uma habilidade importante de se ter, mas apenas se realmente precisarmos disso", explicou a Dr. Mills.

Conclusão

Segundo a Kaspersky, o único problema é a nossa confiança extrema em dispositivos online para armazenar a "nossa vida" — obviamente, já que ela é uma empresa que desenvolve antivírus.

Um ponto importante é a questão de perder essas informações vitais de maneira fácil, desde o furto físico de um gadget até a ação de algum malware ou rootkit. Por exemplo, a empresa notou que, em 2014, 24% dos usuários Mac e 32% dos usuários Windows sofreram algum ataque de vírus.

Além disso, a companhia notou que a amnésia digital é uma tendência crescente entre pessoas de todas as idades — e não apenas as gerações mais jovens. Por isso, é necessário entender a direção e as implicações disso para proteger os nossos dados.

No final das contas, não somos nós que estamos ficando idiotas ou desmemoriados. Estamos apenas passando por uma "adaptação cerebral" durante a enxurrada de tecnologia que vemos. Como explicou o Dr. Mills, somos criaturas altamente adaptáveis, então, não se preocupe caso você esqueça o número da sua casa quando você era criança.

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